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Cantora cool com voz quente
“Ah, é como o verão.../Te amo espanhola.../As rosas não falam.../Mande
notícias do mundo de lá...”.
Esses fragmentos de clássicos da música popular brasileira nos levam de
volta aos bons tempos de Marcos & Paulo Sérgio Valle, Flavio Venturini,
Cartola, Milton Nascimento & Fernando Brant, Lulu Santos e tantos outros
ídolos que marcaram as vidas dos brasileiros.
Pois essas canções ganham vida na voz da paulista Beatriz Malnic, que
todas as quintas-feiras se apresenta no happy hour do Gaucho Rodízio em
Lighthouse Point. Ouvi-la cantando é de fato um duplo prazer. Serve para
reviver as músicas que embalaram os sonhos e os romances de muitos
patrícios e para descobrir uma cantora que mostra a feliz combinação de
classe, swing e uma bela voz.
Beatriz sempre foi ligada à música, desde os tempos em que cursou Escola
de Música, na Universidade de São Paulo (USP). Antes, já cursava piano
clássico há dez anos. Aliás, ela ainda continua adorando Bach, Chopin,
Rachmaninoff e outros mestres, mas seu coração pendeu para os artistas
populares.
E, seguindo sua intuição, apresentou-se em shows realizados em locais de
grande concentração de pessoas na capital paulista: Museu de Arte de São
Paulo (MASP), estações do metrô paulistano, Teatro Municipal. O importante
era ter o espaço para mostrar sua arte ao público.
Na banda de Toquinho – O talento de Beatriz logo foi notado. Ela
recebeu um convite para fazer backvocal na banda de Toquinho. Foram cinco
anos de estrada, com direito a shows na Europa, sobretudo Itália, Espanha
e Alemanha. “Só saí da banda porque me mudei para os Estados Unidos”,
comentou a cantora. Mas, no show de Toquinho, realizado na Flórida em
2002, o artista a convidou para fazer uma participação especial.
Ainda no Brasil, ela chegou a gravar um disco com Roberto Menescal, todo
ele com sambas-canções, na época em que Nelson Motta era diretor da
Warner. “Porém, o Nelson Motta saiu da gravadora e o projeto foi
abandonado. Lamentei, porque tinha sido uma experiência incrível, com
pesquisa fonográfica e tudo. Mas assim mesmo valeu a pena”, comentou
sorrindo a cantora.
Se o Brasil lhe deu a bagagem musical, a Flórida a acolheu com bastante
entusiasmo. Em seus oito anos de Estados Unidos, Beatriz já construiu um
nome respeitável no cenário artístico da região. Ela já cantou no Moe
Jazz, um bar cool de Miami Be-ach, no Samba Room, em Fort Lauderdale e em
vários night clubs. “Atualmente, me apresento no Gaucho Rodízio e no
Balleen, em Coconut Grove. Lá, eles me contrataram para cantar música
brasileira, mas também canto música internacional”, contou.
Aqui também Beatriz já deixou sua voz num disco, mais exatamente em
algumas faixas do CD “Air”, lançado pela Abril Music. O disco
instrumental, com clássicos reinterpretados ao estilo jazz brasileiro, é
um projeto musical de seu marido José Rubens Lopes, flautista e
saxofonista com muita bagagem musical. Em seu curriculum, ele também tocou
com Toquinho, Ivan Lins e foi componente da banda Egotrip. Enfim, uma
família que se entende por música...
Brazilian Voices – Beatriz Malnic ensina sua arte àqueles que
querem aprender os segredos do canto e melhorar a impostação de voz. A
também brasileira Lauren Dae faz a mesma coisa. As duas professoras de
canto faziam workshop com seus alunos para que eles exercitassem a voz.
Desta experiência, digamos, didática surgiu a idéia de se formar um grupo
vocal. E a idéia materializou-se no grupo Brazilian Voices, especialista
na interpretação de clássicos da MPB, e que conta com 15 performers, além
de 10 outras cantoras do community group. Detalhe: o grupo é totalmente
formado por mulheres!
O que começou como um exercício e um encontro entre amigas está ganhando
contorno de seriedade. O grupo foi convidado para gravar a faixa
brasileira de um CD que reunirá canções de toda a América Latina.
Isso é apenas o começo. No próximo mês, o Brazilian Voices vai gravar um
disco próprio, com repertório de música popular brasileira, é claro. Os
olhos de Beatriz brilham ao comentar o projeto: “Faço mais os arranjos. O
disco vai ter grupo vocal, piano, percussão e violão. E terá solos também,
inclusive com a particpação da Rose Max”.
E 2004 parece ser um ano fértil para Beatriz. Ela também está fazendo um
CD com Ivo de Carvalho e Paulo Carvalho, todo baseado nas canções de
Guilherme Arantes. Mais uma vez, os arranjos vocais são por sua conta.
Como os sonhos são para ser sonhados e os projetos para ser realizados,
Beatriz já articula a gravação de um disco seu, com composições próprias,
aquelas que estão guardadas com muito carinho. “Bem, mas este projeto
ainda vai demorar”, despede-se a mãe de Helena e Alice.
Sorte a dos ouvintes do bar do Gaúcho Rodizio que voltam a deliciar-se com
a voz e a figura encantadora de Beatriz Malnic.
Antonio Tozzi - AcheiUSA
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