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Bizadão, forrozeiro
internacional
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Bizadão! Bizadão! Bizadão! Com essa saudação, os brasileiros da
comunidade de Newark saudaram o artista e empresário artístico Lucinho
Bizadão, que havia trazido o famoso grupo Roupa Nova. Ou seja, em vez de
pedir bis ao grupo carioca, os brazucas de New Jersey queriam mesmo era
ouvir o Bizadão, que animaria o baile.
De volta para o hotel, os próprios integrantes do Roupa Nova comentaram:
“Puxa, você é querido aqui, hein?”
Na verdade, o mineiro de Belo Horizonte, que se criou em Governador
Valadares, conta este caso um pouco sem jeito, porque ele mesmo
reconhece que o público havia pago para assistir ao show do Roupa Nova.
Mas Bizadão, verdade seja dita, já era uma celebridade regional.
A carreira de Bizadão, apelido de Lucio Marques dos Santos, começou
cedo, mais exatamente aos cinco anos de idade, quando tocava triângulo e
cantava músicas de Luiz Gonzaga, junto com os irmãos Reinaldo sanfoneiro
de apenas sete anos de idade, e Roberto de seis anos, que se encarregava
da zabumba. Logo, o trio mirim passou a ser uma das atrações da Rádio
Educadora de Governador Valadares.
Logo, o trio transformou-se em quarteto, com a entrada do irmão
Benilton, e em seguida virou um quinteto, com a irmã Denise. Aí, o grupo
foi batizado de “Vocalistas Mirins” e mudou de ritmo, trocando o forró
pelo ié-ié-ié. “Cantávamos músicas do pessoal da Jovem Guarda”, lembra
Bizadão. O grupo fez sucesso local, participando de programas da extinta
TV Itacolomi.
Mas a chegada da adolescência mostrou novos caminhos aos integrantes e o
conjunto se desfez. Aí, Lucinho procurou outras atividades. Chegou a
trabalhar na Telemig como instalador de telefones, na companhia White
Martins e foi até mesmo empresário do ramo de confecções,
comercializando bordados feitos artesanalmente em Muriaé, cidade do
interior de Minas Gerais. Paralelamente a isto, ele nunca abandonou a
música. Tocava em festinhas e em bares da noite de Belo Horizonte.
Chegada aos EUA – Na visão de Bizadão, Belo Horizonte não
oferecia, digamos, muitos horizontes. Assim, em 1983, ele resolveu
aventurar-se veio para os EUA. “Vim para tentar ganhar dinheiro aqui,
como todo mundo”, confessou o músico.
No início, teve de se contentar com o emprego de lavador de pratos. Mas
logo seu talento musical lhe abriu portas. Em Newark, Nova Jersey,
cidade na qual se radicou, ele lavava pratos de dia e cantava à noite,
no mesmo restaurante. A partir daí, resolveu viver de música nos Estados
Unidos. Foram três anos desdobrando-se em apresentações musicais e
outras atividades, para defender um dinheirinho para se sustentar.
Em 1986 recebeu um convite para tocar no Brasil Tropical, uma casa de
espetáculos localizada a dez quadras da Casa Branca, em Washington. Era
um sucesso. Todas as sextas-feiras e sábados, ele se apresentava em
Washington e aos domingos tocava em Boston. “Ficava numa ponte aérea
danada, porque continuava morando em Newark”, explica o artista.
Certa noite, entrou no Brasil Tropical o senador Ted Kennedy. Na
ocasião, um grupo de capoeira estava fazendo evoluções no palco. O
senador democrata pediu, então, que parasse o show porque ele queria
ouvir música brasileira. Aí, lá foi Bizadão tocar para o senador ouvir.
“Quando terminei de cantar, ele me chamou de lado e me disse que eu
tocaria na festa dele em Cape Cod. Saiu de lá e sumiu. Um mês depois li
num jornal americano que Diana Ross e Julio Iglesias haviam abrilhantado
a festa do senador. Acho que o cachê deles era mais barato”, brinca
Bizadão.
Discos gravados e empresário artístico - Naquela época ele lançou
seu primeiro disco, um compacto simples batizado apenas de Lucinho com
as músicas No Brasil Tropical e Chinelo Velho, uma de cada lado do
disco. Depois, ele gravou seu primeiro “CD”, na verdade, um compacto
duplo gravado em Boston com quatro canções destacando o vocabulário
usado pelos brazucas que vivem nos Estados Unidos. Este disco marcou
defintivamente o apelido de Bizadão, que antes era conhecido como
Lucinho.
O Bizadão marcou a fase áurea de Bizadão. Entre 1988 e 1990, ele foi o
pioneiro em trazer artistas brasileiros para se apresentar diante da
comunidade brasileira nos EUA. Ele trouxe, entre outros, Raimundo
Fagner, Roupa Nova, Chitãozinho e Xororó, Trio Parada Dura, Maria
Alcina, Gonzaguinha, Alceu Valença Emilinha Borba, Celso Adolfo,
Paulinho Pedra Azul, Belchior, Rubinho do Vale, Tavinho Moura e Sérgio
Reis. “Aproveitei para fazer meu nome, porque abria todos os shows, me
apresentando sozinho, tocando violão ou cavaquinho e acompanhado de uma
bateria eletrônica”, comenta. Na década de 90, participou do disco Rei
Momo, de David Byrne (ex "Talking Heads"), tocando cavaquinho em duas
faixas, juntamente com Herbert Viana, do Paralamas do Sucesso.
Ele conta que no show de Gonzaguinha, em Connecticut, um sujeito sentou
no palco e esbarrou no pedestal, acertando a boca do artista. Irritado,
Gonzaguinha começou a chutar discretamente o “mala”. Enquanto tentava
tirar o cara, descobriu que ele era um hispânico que insistia para que
Gonzaguinha cantasse “La Montaña”, de Roberto Carlos. “Imagine só…”, ri
Bizadão.
Com sua bateria eletrônica, ele era um verdadeiro show man: “Fazia um
baile de carnaval sozinho, com o pessoal fantasiado enquanto eu ia
cantando sambas enredos”. A música levou Bizadão a 20 estados americanos
e ele detém um recorde de 13 participações na Festa da Independência
organizada pelo empresário João de Mattos, em Nova York.
Forró assumido – Em 1996, ele gravou seu primeiro CD (desta vez, CD de
verdade) “What The Hell Is Forró?”, produzido por Sérgio Sá, com músicas
próprias e composição de Sá e Guarabyra. A partir daí, Bizadão voltou às
raízes e partiu para dedicar-se apenas ao forró.
“Mas meu estilo é forró pé de serra”, destaca o artista, voltando aos
tempos de dona Gizelda, a mãe cearense que cantava as músicas de
Gonzagão e incutiu o gosto pelo forró aos seus filhos.
Depois de 12 anos de EUA, ele resolveu voltar ao Brasil, mais exatamente
a Belo Horizonte, sua cidade natal. Formou um conjunto e começou a
apresentar-se nas principais casas de shows da capital mineira. Lançou
então o CD “Forró Pegando Fogo”, com músicas de sua autoria.
Mesmo morando no Brasil, continuou fazendo shows no nordeste dos Estados
Unidos. Em janeiro de 2003, surgiu o convite para voltar a morar no
país, mais exatamente na Flórida. Atualmente, apresenta-se todos os
sábados no Feijão com Arroz, com o zabumbeiro Rodrigo (por sinal, seu
sobrinho, filho de Reinaldo) e a banda que toca na casa noturna de
Pompano Beach.
Satisfeito por estar morando na Flórida, onde o clima é mais ameno,
Bizadão já tem outro projeto engatilhado; lançar um novo disco. Já vem
compondo músicas para isto. O que não é difícil para quem, aos oito anos
de idade, compôs sua primeira canção. Seu processo de composição é
intuitivo, baseado em inspiração. “Faço uma canção (letra e música) em
15 minutos”, orgulha-se.
Quem
quiser conferir o trabalho de Bizadão, deve assistir seus shows no
Feijão com Arroz, e até mesmo adquirir um disco seu. No dia 26 de
novembro, Bizadão e Uz Kabra do Forró tocarão no Manray Club (antiga
Millenium), na Federal Highway. Para saber mais sobre Bizadão e seus
discos, consulte seu site www.cadeseucd.com.br/bizadao ou envie um
e-mail para bizadao@cadeseucd.com.br. Pode estar certo que ele responde!
Antonio Tozzi - AcheiUSA
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