Brasileiros do Brajah Roots empolgam sul da Flórida com o
reggae tradional
O reggae é um estilo de música que se destaca pelas melodias suaves e
letras que falam sobre paz. Por isso, o maior ícone desta filosofia de vida,
o jamaicano Bob Marley, disse certa vez que o ritmo não é para ser ouvido,
mas sentido. E é justamente com este espírito que uma nova banda de reggae
com integrantes brasileiros está trilhando seu caminho de sucesso no sul da
Flórida: o Brajah Roots foi formado há apenas cinco meses e começa a chamar
a atenção da comunidade. Tanto é verdade que o restaurante Feijão com Arroz
já destacou a primeira sexta-feira de cada mês para as apresentações desta
moçada.
O grupo é formado por Leandro, Chevy, Rafael, Renato e Scott. Os cinco
compartilham do amor pela música jamaicana de raiz e da religiosidade que o
ritmo carrega, mas vêm de diferentes partes do Brasil e do mundo, com
background diversos.
“Somos uma mistura que está dando certo, pois o sonho e a paixão são comuns”,
afirma o percursionista Leandro, que é de Niterói (Rio de Janeiro) e está
nos Estados Unidos há apenas dois anos.
Acostumado a ouvir reggae desde a infância, ele alimentava o desejo de
fundar uma banda que misturasse o swing brasileiro e a batida de Bob Marley,
mas só na segunda metade do ano passado ele conseguiu colocar em prática o
seu projeto. Os demais integrantes foram chegando aos poucos: o guitarrista
Chevy, pernambucano de Recife, o baixista Renato, de Santa Catarina, e o
baterista capixaba Rafael começaram a tocar juntos, mas ainda faltava um
vocalista.
“Nós nos revezávamos no microfone, mas faltava algo”, admite Leandro, que
trabalha também como valet parking. E foi justamente no trabalho que ele
conheceu o jamaicano Scott, dono de uma voz que se encaixou perfeitamente no
som do grupo. “Um dia eu o ouvi cantando e soube naquele momento que a nossa
busca havia terminado”, lembra. Aos 55 anos, Scott já se apresentou com
outras bandas em cruzeiros pelo Caribe e agregou também a experiência que os
brasileiros precisavam para começar uma carreira profissional. “A gente tem
se divertido muito e o público está gostando”, confirma Chevy.
Nas letras das músicas, em inglês e português, o grupo fala sobre política,
natureza, religião, sempre com um tom positivo em relação à vida. Uma das
canções, por exemplo, destaca a vida dos imigrantes na América: ‘Seabra as
Portas’ faz um trocadilho no título com o supermercado em Pompano Beach e
conta as dificuldades dos trabalhadores que se reúnem naquela plaza à
procura de emprego. Outras que estão sempre no repertório são ‘Ragammufin’ e
‘Remember to Pray’ – esta última, inclusive, possui uma versão no youtube
(http://br.youtube.com/watch?v=jGfvmx2pYuQ), gravada aqui na região.
Mas para quem pensa que poderia haver algum clima de rivalidade entre o
Brajah e a Kaia-ki, outra banda aqui na Flórida com o mesmo estilo musical,
Leandro manda um recado: “Somos uma família, tocamos sempre juntos em nossos
ensaios. Esta é a essência do reggae, paz e união”, afirmou. Aliás, os dois
grupos – em parceria com a Erva Daninha, também composta por brasileiros –
planejam um grande evento conjunto, com muito som e outras manifestações
culturais do Brasil e da Jamaica. “A idéia é montar uma grande feira, com
artesanatos e produtos típicos dos dois países, além dos shows, é claro”,
adianta Leandro, deixando a comunidade com água na boca. Para contato com o
grupo, o ideal é mandar um e-mail para brajahroots@hotmail.com.