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Ano 7 - Edição 152

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Artistas da Comunidade

Por Carlos Wesley                                      

Música para se sentir, não ouvir

Brasileiros do Brajah Roots empolgam sul da Flórida com o reggae tradional

Brajah Roots
O reggae é um estilo de música que se destaca pelas melodias suaves e letras que falam sobre paz. Por isso, o maior ícone desta filosofia de vida, o jamaicano Bob Marley, disse certa vez que o ritmo não é para ser ouvido, mas sentido. E é justamente com este espírito que uma nova banda de reggae com integrantes brasileiros está trilhando seu caminho de sucesso no sul da Flórida: o Brajah Roots foi formado há apenas cinco meses e começa a chamar a atenção da comunidade. Tanto é verdade que o restaurante Feijão com Arroz já destacou a primeira sexta-feira de cada mês para as apresentações desta moçada.

O grupo é formado por Leandro, Chevy, Rafael, Renato e Scott. Os cinco compartilham do amor pela música jamaicana de raiz e da religiosidade que o ritmo carrega, mas vêm de diferentes partes do Brasil e do mundo, com background diversos.

“Somos uma mistura que está dando certo, pois o sonho e a paixão são comuns”, afirma o percursionista Leandro, que é de Niterói (Rio de Janeiro) e está nos Estados Unidos há apenas dois anos.

Acostumado a ouvir reggae desde a infância, ele alimentava o desejo de fundar uma banda que misturasse o swing brasileiro e a batida de Bob Marley, mas só na segunda metade do ano passado ele conseguiu colocar em prática o seu projeto. Os demais integrantes foram chegando aos poucos: o guitarrista Chevy, pernambucano de Recife, o baixista Renato, de Santa Catarina, e o baterista capixaba Rafael começaram a tocar juntos, mas ainda faltava um vocalista.

“Nós nos revezávamos no microfone, mas faltava algo”, admite Leandro, que trabalha também como valet parking. E foi justamente no trabalho que ele conheceu o jamaicano Scott, dono de uma voz que se encaixou perfeitamente no som do grupo. “Um dia eu o ouvi cantando e soube naquele momento que a nossa busca havia terminado”, lembra. Aos 55 anos, Scott já se apresentou com outras bandas em cruzeiros pelo Caribe e agregou também a experiência que os brasileiros precisavam para começar uma carreira profissional. “A gente tem se divertido muito e o público está gostando”, confirma Chevy.

Nas letras das músicas, em inglês e português, o grupo fala sobre política, natureza, religião, sempre com um tom positivo em relação à vida. Uma das canções, por exemplo, destaca a vida dos imigrantes na América: ‘Seabra as Portas’ faz um trocadilho no título com o supermercado em Pompano Beach e conta as dificuldades dos trabalhadores que se reúnem naquela plaza à procura de emprego. Outras que estão sempre no repertório são ‘Ragammufin’ e ‘Remember to Pray’ – esta última, inclusive, possui uma versão no youtube (http://br.youtube.com/watch?v=jGfvmx2pYuQ), gravada aqui na região.



Mas para quem pensa que poderia haver algum clima de rivalidade entre o Brajah e a Kaia-ki, outra banda aqui na Flórida com o mesmo estilo musical, Leandro manda um recado: “Somos uma família, tocamos sempre juntos em nossos ensaios. Esta é a essência do reggae, paz e união”, afirmou. Aliás, os dois grupos – em parceria com a Erva Daninha, também composta por brasileiros – planejam um grande evento conjunto, com muito som e outras manifestações culturais do Brasil e da Jamaica. “A idéia é montar uma grande feira, com artesanatos e produtos típicos dos dois países, além dos shows, é claro”, adianta Leandro, deixando a comunidade com água na boca. Para contato com o grupo, o ideal é mandar um e-mail para brajahroots@hotmail.com.


 

 

 
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