Uma cantora massa!
Baiana Claudia Silva se destaca com voz
para qualquer ritmo
Dizem,
no Brasil, que todo baiano é preguiçoso. Ao conhecer Cláudia Silva, esta
percepção vai por água abaixo: natural de Batinga, quase na fronteira com
Minas Gerais, ela não tem feito outra coisa a não ser batalhar,
especialmente na sua área, a música. E, aos poucos, vai garantindo seu
espaço, sempre participando de projetos interessantes e em busca de
novidades. Por isso é uma das mais queridas cantoras da comunidade.
A carreira de Cláudia começou ainda no Brasil, onde participou de festivais
da canção e se apresentou em barzinhos de Salvador e Belo Horizonte. Há oito
anos, porém, ela decidiu viver nos Estados Unidos, sem qualquer pretensão de
continuar cantando. Foram meses de trabalho como garçonete, na limpeza de
casas e tudo o que mais aparecesse. “Mas a música falou mais alto e eu corri
na direção do meu sonho”, conta a brasileira, que mora em Deerfield Beach e
era conhecida antes como Cláudia Umana.
Desde então, as coisas estão acontecendo para a baiana: primeiro, foram os
shows de calouros e os karaokês; depois vieram os convites para cantar em
festas de amigos; finalmente chegou a vez de apresentações em restaurantes
brasileiros. Nos shows, o ponto alto é a Música Popular Brasileira e a
interpretação de grandes cantoras, como Marisa Monte, Elis Regina e Adriana
Calcanhoto. “Todas elas são influências fortes na minha vida”, revela
Cláudia, que admite ter facilidade para cantar qualquer ritmo, do forró ao
blues. Ela acrescenta que sua carreira deve muito também ao músico – e
conterrâneo de Batinga – Clauduarte Sá, que sempre lhe incentivou a buscar
sucesso na música.
Cláudia diz que não tem do que reclamar da vida, mas deixa escapar que está
decepcionada com a falta de convites para shows de MPB: “Hoje, para atrair
público na comunidade brasileira, só tocando forró ou sertanejo. Por isso,
muitos artistas estão deixando o Sul da Flórida”, lamenta. Por conta disso,
ela tem diversificado suas apresentações. No final do ano passado, por
exemplo, foi para South Dakota com Francisco Italiano e tem aberto algumas
novas frentes de trabalho, como atuar num grupo de serenata e uma nova banda
(ver quadro).
Portanto, ao falar sobre Cláudia Silva, não associe a sua ‘baianidade’ à
preguiça, mas lembre também que baiano não nasce... estréia!
Serenatas e Brazilian Power
Especialmente nesta época, com a proximidade do Dia dos
Namorados (Valentine’s Day), o leitor certamente vai ouvir falar de músicos
brasileiros que apresentam serenatas por encomendas para os apaixonados de
Pompano Beach e redondezas. Pois a voz do grupo é justamente de Cláudia
Silva, a personagem desta edição do Artista da Comunidade. Ela trabalha com
a ‘Serenata dos Sonhos’ há quatro meses, cantando qualquer tipo de música e
ainda – dependendo da solicitação do cliente – encenando as mais diversas
situações.
Por isso ela já tem muita história para contar, como a da vez que foram
contratados para um aniversário-surpresa de um brasileiro da região. “Tive
que interpretar a namorada grávida que foi abandonada no Brasil e apareci na
casa do sujeito com um ‘coiote’. O rapaz levou um susto, mas depois do
teatro, cantamos algumas músicas para descontrair o ambiente”, lembra. No
repertório, Mamonas Assassinas e Falcão. “Mas a maioria dos pedidos é mesmo
de clássicos da MPB, especialmente Tom Jobim”, ressalta a cantora.
Além desta atividade, Cláudia está dando o pontapé em um projeto pessoal,
com amigos de longa data: ao lado dos músicos Alexandre (velho parceiro da
noite) e da dupla Xexéo e Éder (do grupo Pé de Pano), ela formou uma banda
que recebeu o nome provisório de ‘Brazilian Power’. O objetivo é se
apresentar em bares, restaurantes e festas particulares com uma mistura de
sons e ritmos: “Queremos passar a mesma alegria que temos no palco para os
imigrantes brasileiros”, resume Cláudia.