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Cristiane Visentim -
Destinada ao sucesso
Cantora
de voz afinada, violonista de qualidade, compositora, rosto e corpo
bonitos. Cristiane Visentim tem aquilo que os americanos chamam de all
package. A mineira de Juiz de Fora , desde pequena, sobressaiu-se nas
atividades artísticas. E até hoje vive de sua arte. Para nossa sorte,
ela está de volta à Flórida, de onde não pretende sair tão cedo. “Daqui
só volto para o Brasil famosa”, promete.
Na verdade, fama e sucesso parecem ser o destino de Cristiane. Nos seus
tempo de criança, ela trocava as bone-cas para brincar de artista. Subia
em cima de um caixote, a simular o palco, e segurava um cabo de vassoura
como se microfone fosse. Assim, a menina de cinco anos imaginava-se como
Wanderléa, a musa da Jovem Guarda, e cantava “Senhor juiz/pare agora…”.
Os adultos, é claro, achavam graça, mas Cristiane já sabia o que seria
quando crescesse. Uma artista! Menina precoce, dos cinco aos 14 anos de
idade, ela estava sempre presente nos eventos realizados na cidade:
festinhas das amigas, comemorações etc. Para se ter uma idéia, desde os
cinco anos ela já dedilhava o violão.
O desabrochar – Uma simples ida ao restaurante Don Filippo, de
Juiz de Fora, representou o desabrochar da carreira de Cristiane
Visentim. Adolescente, com 14 anos de idade, ela comentou com o pai,
depois de ouvir o pianista tocando:
- Gostaria de cantar aqui. Será que poderia?
- Acho que sim. Vamos perguntar?
O pianista e maestro Euzébio Monfardini encantou-se com o que viu e com
o que ouviu. Tanto que ao final da improvisada apresentação exclamou:
“Taí, uma grande cantora!” Além da voz afinada, o que surpreendeu o
maestro foi o repertório escolhido pela adolescente: a menina
interpretou clássicos da MPB, ou seja, canções de Lupiscínio Rodrigues,
Cartola, e Noel Rosa. Ela cresceu ovindo estes mestres da música popular
brasileira, além das óperas que seu avô tanto gostava.
A partir daquela noite, pode-se dizer que começou a carreira artística
de Cristiane. E mudou inclusive sua maneira de ver-se como artista.
“Antes, pensava em ser compositora e instrumentista. Depois deste
episódio, passei a me sentir como intérprete”, comentou.
Após dois anos intensos, guiada por Monfardini, ela foi introduzida aos
músicos de Juiz de Fora. Aos 16 anos, sua vida se transformou
completamente. Cristiane se casou e também conseguiu a carteira da Ordem
dos Músicos do Brasil, tornando-a oficialmente uma artista profissional.
Banda própria – Junto com outros seis componentes, ela criou a
banda A Nata do Lixo, um grupo que fazia um som alternativo,
apresentando composições próprias e alguns covers de artistas famosos.
Foi o primeiro grupo independente a participar de todos os eventos da
cidade. A banda durou dois anos, porque os integrantes tinham projetos
próprios e o entusiasmo foi diminuindo.
Aos 18 anos, Cristiane sentiu que Juiz de Fora já não era suficiente
para seu talento. Foi, então, a São Paulo para participar do programa de
calouros “A Grande Chance”, de Flávio Cavalcanti – aquele dos “Nossos
comerciais, por favor”. Enquanto estava ensaiando com o maestro Cipó,
responsável pela direção musical do programa, aconteceu o pior: a morte
de Flávio Cavalcanti. “Aí, perdi a minha grande chance”, brincou.
Como já estava na capital paulista, a jovem resolveu ficar por lá.
Apresentou-se então nos bares da cidade: Escadaria, Café Piu Piu,
Inverno & Verão. Foram cinco anos de idas e vindas entre Juiz de Fora e
São Paulo. Depois de um ano parada para amamentar seu segundo filho –
ela é mãe de Gabriel e de Lucas -, passava as horas vagas compondo
canções, ela resolveu retomar a carreira em sua cidade.
Dama dos Festivais – Ao inscrever-se no 1º Festival do Clube Bom
Pastor, Cristiane arrebatou três prêmios: o de Melhor Intérprete, o de
Revelação Feminina e o de segundo lugar em Composição (ela teve sua
música intepretada por outra cantora).
A partir deste momento, Cristiane decidiu direcionar sua carreira para
os festivais. Teve até mesmo um especial da TVE do Rio de Janeiro
inteiramente dedicado a ela. Não foi à toa. Afinal ela ganhou o festival
da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) aos 18 anos de idade
concorrendo com cantoras boas como Telma Costa e Áurea Martins, entre
outras.
No total, ela participou de 67 festivais da canção, dos quais dois deles
promovidos pela Rede Globo. Seu saldo é fantástico: ganhou 47 prêmios
como Melhor Intérprete e teve três músicas suas gravadas em festivais.
Acabou ganhando o codinome de “Rainha dos Festivais”.
O destaque conquistado atraiu o convite de alguns produtores musicais,
como Paulo Fedato da RCA Victor. Ele queria transformar Cristiane
Visentim numa cantora sertaneja, com minissaia, botas e chapéu. Na época,
ela tinha preconceito contra este tipo de gênero musical e não aceitou a
proposta. Confessa ter-se arrependido: “Posso ter perdido uma grande
oportunidade”.
Depressão e dependência – Ela não sabe o motivo pelo qual não
“estourou” no mundo artístico. Vários fatores podem ter contribuído para
isto: o fato de ter sido mãe ainda muito jovem, ter confiado em pessoas
que a enganaram, não ter cedido a cantadas, e resistido aos convites
para posar nua. Hoje, talvez ela reconsiderasse esta última opção: “Se
tivesse posado para alguma revista, minha carreira poderia ter decolado.
Mas, afinal, o que vale para uma cantora é sua voz e não seu corpo”,
corrige.
Ao ver que muitos de seus contemporâneos conseguiram um lugar ao sol no
mundo artístico, Cristiane foi entrando em depressão e cedendo à
tentação da bebida. Chegou mesmo a se tornar alcoólatra.
O golpe mais duro surgiu em 1997, quando gravou uma música de Lígia
Alcantarino, produtora musical no Rio de Janeiro e sua antiga
companheira na banda “Na Lata do Lixo”. Conforme explica Cristiane,
estava tudo certo para sua música entrar na trilha sonora da novela das
7 da TV Globo, “O Amor Está no Ar”. Entusiasmada, avisou a im-prensa. Um
jornal de Juiz de Fora chegou a colocar no título: “A fama bate às
portas de Cristiane Visentim”. Porém, sem que ela soubesse o motivo, a
música não foi incluída no disco, o que a deixou frustrada.
A decepção fez com que ela se trancasse no quarto e ficasse dois anos
bebendo desesperadamente. Sentia-se como mentirosa por ter divulgado uma
informação que não se concretizou.
Estados Unidos – Justamente nesta fase negra de sua vida surgiu o
convite de Fátima Giovanini para ela se mudar para os Estados Unidos.
Ela, que nunca pensara em deixar o Brasil, decidiu aceitar o convite.
Mas demorou ainda um ano para Cristiane desembarcar na Flórida e começar
a cantar no Búzios Restaurante, em 2000.
O que deveria durar apenas alguns meses terminou virando quatro anos na
América. No final de 2004, porém, ela estava infeliz aqui e decidiu
retornar para o Brasil, mais exa-tamente para Unaí, norte de Minas
Gerais, onde vivem seus pais. Lá, aproveitou para fazer um trabalho de
desintoxicação e hoje Cristiane é outra mulher, livre do álcool.
Depois de fazer alguns shows em Brasília e em outras cidades da região,
ela sentiu que era o momento de retornar para os EUA. Agora, está super
ativa na comunidade. Está comandando o Show da Tarde na Rádio Brasil FM,
substituindo o titular Gilson Trindade. “Adoro ser locutora. Aliás, as
três coisas que mais amo são meus filhos, a música e a comunicação.
Portanto, estou fazendo o que realmente gosto”, vibra.
Ela estava tão fascinada para se tornar locutora de rádio que gravou um
programa piloto chamado “Saudades do Brasil” e foi mostrar para Marcos
César. No dia seguinte, já estava empregada na emissora.
Nada, porém, a afasta da música. Todas as quartas-feiras ela se
apresenta no Café Mineiro, ao lado da tecladista Fátima Giovanini, e aos
domingos, ela ocupa o palco somente com sua voz e violão.
Em breve, deverá começar a se apresentar no restaurante espanhol
Macarena, em Miami Beach. É mais uma oportunidade para deleitar-se com a
voz afinada e o repertório de Cristiane Visentim. E concordar com o que
falou a cantora Ana Carolina: “Adoraria saber cantar como Cristiane
Visentim”. Portanto, aproveite para pedir autógrafo a agora. Com certeza,
ela vai tornar-se famosa, porque seu destino é o sucesso.
Antonio Tozzi
- AcheiUSA Newspaper
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