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Edu Helou
Mestre-cuca das trilhas sonoras
Pegue
um punhado de piano, junte uma porção de violão, coloque uma pitada de
percussão, acrescente um naco de violino e algumas notas de saxofone.
Depois misture tudo num sintetizador, deixe amadurecer num gravador
digital de 32 canais e leve ao computador.
Pronto, assim está criada uma trilha sonora by Edu Helou.
À semelhança de um refinado chef de cozinha, este paulistano sabe como
poucos criar trilhas sonoras para documentários, comerciais, promos e
vídeos institucionais. E tudo sai de sua cabeça, porque além de conhecer
barbaridade sobre música é um emérito compositor.
Quase um Mozart brasileiro, Edu começou a compor aos seis anos de idade
e não parou de fazer isto até hoje.
Observar o trabalho de pesquisador de sons do músico, cujo instrumento
principal é o piano, é uma experiência fascinante. Edu sobrepõe os sons
de cada instrumento num cadinho musical formando uma trilha sonora
personalizada que ilustrará documentários sobre vida animal, viagens
espaciais, empresas e realizações governamentais. “O segredo é saber
temperar bem esta fusão para dar as melhores condições ao editor de som
para montar uma trilha sonora adequada ao tema”, explica o compositor.
Tudo isso ele consegue na sala de seu apartamento onde tem um estúdio de
verdade, integrado pelo protus – um gravador digital de 32 canais -, um
computador equipado com os mais avançados programas de digitação sonora,
sintetizador, hand sonic (aparelho eletrônico que reproduz à perfeição
os mais variados sons da percussão) e, claro, instrumentos musicais. É
uma verdadeira usina de sons que funciona de acordo com a genialidade do
músico. “Às vezes, componho uma trilha sonora em um dia”, afirma.
Dez
anos nos EUA – A ligação de Edu Helou com os Estados Unidos é
intensa. Depois de ter morado no Texas durante a adolescência, onde fez
um intercâmbio para aprimorar o idioma, ele voltou aos EUA há dez anos.
Inicialmente, foi para a Califórnia estudar na Grove School of Music –
uma experiência que Edu classifica como fantástica. A escola abriu-lhe
ainda mais os horizontes para aperfeiçoar sua arte.
Ele veio para a Flórida para trabalhar na HBO Latin America. Sua função
era exatamente compor trilhas, escolher o som e editar todo o material
sonoro da emissora, sobretudo o material promocional. “Além dos promos,
também fiz alguns documentários”, diz. Provavelmente você já ouviu uma
trilha sonora composta por Edu, mas não sabe.
Os autores de trilhas sonoras também são autores intelectuais de suas
obras. Atualmente, após ter deixado a HBO, ele vem dedicando-se a vender
suas trilhas para editoras musicais, que as comercializam para clientes
– normalmente agências de propaganda e grupos empresariais.
O processo ocorre de duas maneiras. Em um caso, Edu monta as próprias
trilhas e as disponibiliza para os clientes; no outro, faz uma trilha
sonora de acordo com um pedido específico. “É algo bastante legal.
Preciso captar a mensagem que será transmitida e compor uma trilha que
se harmonize com as imagens”, afirma.
Para ter tamanha versatilidade, o artista escuta todos os tipos de
ritmos musicais: clássica, jazz, rock, rap, MPB, country. O importante é
estar antenado com tudo que acontece no cenário musical. Mesmo sendo um
expert, ele consegue ouvir as músicas com ouvido de leigo. Isto é
importante porque lhe garante a recepção sem o filtro crítico do
especialista. Este filtro, aliás, ele usa com suas próprias composições.
Está eternamente insatisfeito com o resultado final, porque vive à
procura da perfeição.
Discos próprios – Edu Helou, que tocou com vários artistas
brasileiros como Guilherme Vergueiro, DuoFel e Raul de Souza, já lançou
dois discos de sua autoria no Brasil: Sentido das Águas e Ser, indicado
para o Prêmio Sharp de Música. Atualmente, não esconde que sua atual
paixão é o CD Atlântico2, feito em parceria com o violonista Ivo de
Carvalho.
O disco recém-lançado vem sendo bem aceito. Recentemente, Gina Martell
tocou duas faixas em seu programa de Brazilian Jazz, na 94 FM. Os
ouvintes gostaram tanto que pediram para ela tocar de novo no programa
do domingo seguinte. O sucesso motivou até mesmo o contato com os
responsáveis pelo Museu Del Disco de Miami, que se interessaram em
vender o CD. “Isto foi super legal para mim e para o Ivo”, admite Edu.
Quem quiser adquirir o CD Atlantico2 pode comprar via internet pelo site
www.museudeldisco.com.
Apesar de ser um homem de estúdio, ele confessa que gosta de tocar ao
vivo também. “Acho legal executar músicas de outros autores, mas a
verdade é que as músicas conhecidas já transmitiram suas mensagens. Por
isto, prefiro tocar minhas próprias canções e passar as mensagens que
desejo”, diz Edu. Aliás, faz questão de destacar os convidados que
participam do disco, como Ramatis, Gabi, Clive e Magrus Borges. Todos
colocam seu talento a serviço da música instrumental.
Embora tenha sido essencialmente músico durante toda sua vida, Edu é
surfista – ainda hoje pega ondas nas praias da Flórida -, foi
capoeirista e dono de loja de roupas para surfistas, a Prisma, em São
Paulo, que atualmente está concentrada na confecção de biquinis.
Como estava sendo fisicamente impossível conciliar a vida de empresário
com a de músico, Edu Helou teve de fazer uma decisão.
Optou, então, por dedicar-se à música. E admite não ter se arrependido.
Sorte a dele. E também sorte dos ouvintes que podem curtir suas canções
e suas trilhas sonoras.
“O segredo é saber
temperar bem esta fusão para dar as melhores condições ao editor de som
para montar uma trilha sonora adequada ao tema.”
Edu Helou
Antonio Tozzi - AcheiUSA
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