Fernanda Meirelles, a
dama das tintas
Pintar
sempre foi a paixão da pequena Fernanda Meirelles, envolvida por pincéis e
tintas da casa de uma tia querida, misto de pintora e professora de
desenho. A paulistana Fernanda ainda se lembra, como se fosse hoje,
daquela época em que se emocionava com aquele paraíso multicolorido de sua
infância. Além das telas, pintava porcelana com perfeição, confeccionando
“autênticas” peças chinesas, inclusive com com a assinatura em chinês.
A tia, sua principal incentivadora, ainda guardou até à morte os rabiscos
e os desenhos da menina talentosa que viria a se tornar uma pintora
conhecida. Sem dúvida, a tia possuía uma visão crítica e muito carinho
pela menina, mas talvez não imaginasse que as obras da sobrinha fossem
ornamentar paredes de museus, galerias e residências de todo o mundo.
Mas a menina cresceu e resolveu dedicar-se de corpo e alma à sua paixão.
Primeiro, freqüentou o atelier de muitos mestres, desde a pintura
acadêmica até a abstrata. Depois, cursou a Escola Panamericana de Artes,
em São Paulo, e se profissionalizou. Claro, aprender as técnicas é
fundamental, porém, o que determina a criação é a intuição do artista.
Após conhecer as diversas tendências de pintura, Fernanda Meirelles
identificou-se com as obras dos nipobrasileiros Manabu Mabe, Tomie Ohtake
e Fukushima. “Meu trabalho é abstrato gestual”, qualifica a própria
autora. E este abstrato carrega uma forte influência oriental.
Arte pelo mundo – E sua arte viajou pelo mundo. Do Brasil para a a
Alemanha, do México para a França, do Uruguai para os Estados Unidos. E
foi exatamente neste país, na cidade de Miami, que Fernanda Meirelles
montou sua galeria de arte, batizada com seu próprio nome. “Sempre gostei
desta cidade, costumava passar as férias aqui, quando era criança. Aí,
quando minha filha veio estudar nos Estados Unidos, resolvi ficar. É tão
mais tranqüilo, a não ser com os furacões”, responde sorrindo a artista.
Parece mesmo que o clima de Miami fez muito bem à sua arte. Claro que
Fernanda Meirelles já era uma artista consagrada, com várias exposições no
Brasil, sobretudo em São Paulo, mas sua obra desabrochou com o colorido da
cidade, tropical, onde desponta o céu azul e o pôr-do-sol alaranjado que
nos faz devanear.
Ela mesma confessa que esse ambiente favorece bastante sua inspiração.
“Cercada de mar e céu o tempo todo, não poderia mesmo querer algo mais
inspirador. Aí, a tela branca e os tubos de tintas mexem comigo e me deixo
levar para compor meus quadros. A escolha das cores é questão do momento…e
por aí vai”, confessa a pintora.
Sentimentos passam para os quadros – Os clientes de Fernanda Meirelles, em
sua maioria, são americanos, sobretudo os do norte do país, e os
canadenses. Eles vêm à Flórida de férias e encantam-se com as pinturas da
brasileira. Entretanto, muitos adquirem as obras através da webpage da
artista www.fernandameirelles.com. Entre os clientes, vários
sul-americanos também possuem obras de Fernanda. Até mesmo o piloto da IRL
e bicampeão das 500 Milhas de Indianápolis Hélio Castro Neves figura nesta
lista.
Todos os clientes têm um pouco dos sentimentos da artista, transmitidos na
hora em Fernanda está criando uma obra de arte. Por isto, ela toma muito
cuidado para não pintar quando vive um momento conturbado: “Pinto
bastante, mas não procuro fazê-lo quando tenho qualquer sentimento
negativo, pois passo todos os meus sentimentos e quero que minha obra seja
um presente de amor aos meus clientes”.
Para se dividir entre artista e empresária, Fernanda estabeleceu uma
rotina de trabalho, que procura manter à risca. De manhã, ela se dedica à
pintura e à tarde vai para a galeria. Muitas vezes, trabalha sob
encomenda. O cliente descreve o que deseja e a pintora transpõe estes
desejos para a tela. Segundo ela, “geralmente os quadros encomendados são
grandes e é preciso comprar telas em tamanhos especiais”. Certa vez, uma
cliente gostou muito de uma obra de Fernanda, mas considerou o tamanho
pequeno. Pediu, então, para ela “ampliar”’o mesmo quadro, em tamanho
maior.
Embora procure cumprir as duas tarefas de maneira profissional, Fernanda
admite que sua entrega se dá mesmo durante o ato de pintar: “Criar quadros
é uma satisfação incrível. Vivo para isso. Para mim, administrar a galeria
é mais difícil, porque não sou boa negociante”, admite a artista.
Sorte de Fernanda. Porque bons negociantes há muitos, já bons pintores são
bem poucos…
Antonio Tozzi - AcheiUSA
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