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Ano 6 - Edição 130

Fred Mattos:
O Sambista-sorriso da Flórida

Fred Mattos, 28 anos, carioca, é uma das personalidades mais populares da Flórida. Em sete anos de residência nos Estados Unidos, fez centenas de amigos por onde passou; ou por onde se apresentou cantando com seu grupo de pagode, o Embalo. Deixa o país agora com apenas uma certeza: que vai sentir falta das rodas de samba e noites entre amigos no Estado do sol.

Apesar da saudade antecipada, não se desvia da determinação de retornar ao Brasil e tentar recomeçar uma nova vida. Lamenta o fato de estar finalizando as atividades do grupo, justamente quando o Embalo vive sua fase mais frutífera, sendo disputado para fazer shows em vários lugares e se preparando para gravar um disco. Por que a dissolução do grupo? “Incompatibilidade de gênios”, diz o vocalista. O que poderia ser interpretado como “crises de estrelismo” por muitos, é mostrado por Fred como necessidade, de cada um, de ter espaço para seguir seus ideais. “São sete pessoas pensando de forma diferente; com objetivos diferentes. Estava na hora de parar para não perder a amizade”, destaca Fred, que é a alma do grupo.

Sambista por natureza, Fred até conta em casa com um amigo inseparável: o Zeca Pagodinho. “É o meu cachorro. Tinha que homenagear meu mestre”, afirma Fred, que gosta ainda de Jorge Aragão e Fundo de Quintal.

O carioca volta ao seu reduto, seu lar. “Quero voltar a estudar jornalismo”, conta. Da terra do Tio Sam também sentirá falta da vida de artista. “Aqui virei um artista. Todo mundo me conhece; ando na rua, todo mundo me cumprimenta. Aqui sou ‘O Fred’; no Rio vou ser mais um Fred”, afirma ele, que nunca enveredou pela área musical enquanto vivia no Brasil. “Nunca fui profissional. Virei sambista por paixão”, completa.

Capítulo encerrado - Com a dissolução, fecha-se o capítulo de uma história de sucesso na comunidade brasileira da Flórida. O Embalo, que nos últimos seis meses reavivou na comunidade o prazer de ouvir samba, nasceu do improviso celestial que juntou no lugar certo e na hora certa pessoas com o mesmo ideal. Foi assim que Fred, no ano de 2000, saiu do grupo Toco e os Meninos do Rio e foi parar no Visão do Samba, então comandado por Gilson do Cavaco. Fred fazia backing vocal para Gilson e lá conheceu outros músicos que mais tarde fariam parte do Embalo.

“A gente queria fazer uma banda só de moleques; uma banda com outro estilo”, conta o vocalista, que após um ano no Visão do Samba resolveu montar o Embalo, um grupo com outra visão. Com ele migraram para o novo projeto os músicos Rafael Satler (bateria), Adrian de Borba (cavaco), Jorge Satler (tan-tan) e Handal (Pandeiro).
O nome foi escolhido com entusiasmo. “Handal foi quem escolheu; ele falou assim: vamos colocar Embalo, para embalar o sul da Flórida”, relembra. Todos gostaram da idéia. Com o nome escolhido, faltava lugar para estrear. “Era amigo de um cara que tinha instrumentos musicais, o Edson Bragança. Ele tinha aparelhagem de som e nós tínhamos o grupo, mas não equipamentos. Daí, ele nos apresentou para o produtor Carlos Salles”, lembra. Carlinhos assistiu a um ensaio e resolveu fazer o lançamento, em junho de 2000, no restaurante Brasil Brasil. “Ele (Carlinhos) até estava meio receoso, porque não conhecia a gente, mas a noite acabou sendo um sucesso”, conta.

Por sucesso entenda-se filas sendo formadas do lado de fora do restaurante, até mesmo por escassez de lugares brasileiros, na época. Quatro meses depois, a casa fechou, como sempre acontecia na comunidade brasileira, e Carlinhos passou a promover as noites do restaurante Samba Café, para onde levou o grupo. “Lá ficamos quase um ano com uma banda completa; tínhamos o Ramatis (baixo) e o Roberto Besser (teclado). Foi também um sucesso. Mas como todo lugar brasileiro, da época, também acabou”, diz Fred.

O passo seguinte foi embalar as noites do Aquarela Grill, em Las Olas. Mas o sucesso subiu à cabeça dos integrantes, que acreditaram não precisar de um produtor ou promoter para caminhar e resolveram trabalhar por conta própria. “A gente foi trabalhar no Aquarela Grill por conta própria, mas alguma coisa não funcionava; a casa não enchia”, relembra o vocalista, com a honestidade que poucos têm para assumir suas derrotas. “Dava frustração ver o outro lado da moeda. Achávamos que tínhamos nome suficiente para lotar a casa e de repente vivenciamos a falta de público”, revela.

A “Flamília” no Picanha’s - Paralelamente ao Aquarela, o Embalo agitava as noites do Picanha’s, a convite do Francis, que passaria a fazer parte do grupo mais tarde. “Lá a gente não se chamava Embalo, mas sim Flamília. Esse era o nome de um time de beach soccer, do qual a maioria dos componentes fazia parte”, conta. Eles ficaram cantando às sextas-feiras no Aquarela e aos sábados no Picanha’s, em 2002.

No Picanha’s, a Flamília voltou a sentir o gosto do sucesso. Outra vez a casa ficava lotada. E a boa fase impulsionou os meninos a se aventurarem em outro estilo: o axé. “Mas faltou afinidade com a música baiana. A banda é e sempre foi 100% samba”, explica Fred.

Com o sangue 100% voltado para o samba, ele seguiram e outra vez tentaram andar com pernas próprias. Desta vez o bar escolhido foi o Gil’s Café, terreiro de gente bamba mas que não se encaixou bem com o grupo. “Outra vez, vimos o fracasso”, brinca o vocalista, que nessa época tinha agregado ao grupo os músicos Bruno (cavaquinho), Francis (pandeiro), Marcinho (percussão) e Tiaguinho (repique).

Ficaram pouco tempo no Gil’s. Resolveram parar por um tempo, mas adiaram a decisão.

Cantaram ainda em outros lugares: Brazilian Way, Crabby Jacks, Renascer, Feijão com Arroz, etc. Também eram convidados para fazer uma apresentação ou outra; eles abriram o show do Kilocura, Joana, Molejo, etc. E foi entre esses convites que aconteceu “o convite”, que mudou a história do grupo e fez os meninos voltarem com força à noite da Florida.

O sucesso do “Bar do Tião” -
O convite aconteceu por parte de um amigo, que chamou o grupo para fazer o reveillon de 2004 em Carolina do Norte. “O Francis nos chamou para tocar lá. Eu não queria usar o nome Embalo porque nessa época a banda já estava praticamente desfeita; todo mundo estava parado. Não tinha o Handal, o Juninho, Rafael, Adriano e nem o Bruninho. Não era o Embalo”, justifica Fred.
Francis acabou vencendo a resistência de Fred e o nome Embalo foi mantido para a apresentação. Como todos estavam parados, precisavam voltar a ensaiar. E o lugar escolhido foi o Giovana’s Café, em Miami.

Escolhido pelo destino, na verdade. “A gente estava em um churrasco, na casa de um amigo, e os vizinhos começaram a reclamar do barulho. Então resolvemos ir para o Giovanna’s Café”, conta Elaine Pereira, manager da banda. “A partir daí, começamos a ensaiar lá. E os ensaios começaram a atrair gente. Toda semana mais e mais pessoas iam lá, para nossos ensaios”, lembra o vocalista. O boca-a-boca foi oficializando a noite do Giovanna’s Café, em Miami, a ponto de fazer o grupo pensar em profissionalização.

“Então, entramos numa fase nova do grupo, mais organizada. Pela primeira vez tivemos uma manager, a Elaine, que deu outra dimensão ao nosso trabalho. Começamos a tocar em vários outros lugares; o Giovanna’s – conhecido como Bar do Tião, por causa de um dos funcionários da Casa, o popular Tião- virou point da noite brasileira e de repente centenas de pessoas começaram a vir também de Broward. Foi um sucesso”, comemora Fred. Foram “nove meses de alegria” que acaba agora com sua saída do grupo. “Fico triste, mas é preciso parar para não perder as amizades”, justifica o carioca.

Se a decisão é irrevogável, só o futuro dirá. Por enquanto, Fred permanece firme com o intento de voltar às suas raízes, o Rio Maravilha, berço do samba. Depois de sete anos longe é hora de regressar, segundo afirma. “Não me arrependo de nada; aqui aprendi muito, cresci como pessoa. Aqui tive chance de virar artista. Vou sentir saudades disso”, encerra.
 

 

 

 

Vanuza Ramos - AcheiUSA
 

 

 

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