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Instrumentista.
Esta palavra resume fielmente a paixão e a vocação do paulistano Ivo de
Carvalho. Desde pequeno, ele sempre tocava violão e guitarra de maneira
intuitiva, inspirando-se nos acordes dos Beatles, dos astros da Jovem
Guarda, dos participantes dos festivais de canções e nos antecessores da
Bossa Nova.
Aos 17 anos, porém, Ivo decidiu ir a um curso para aprender as técnicas
musicais. Na escola, encontrou o maestro Rogério Duprat, um dos ícones
do movimento da Tropicália, que catapultou para o sucesso nomes como os
do atual ministro da Cultura, Gilberto Gil, Rita Lee & Os Mutantes,
Torquato Neto, Tom Zé e Caetano Veloso entre tantos outros. Aliás é do
próprio Caetano, a definição que melhor se encaixa para a arte de Ivo
de Carvalho: "Como é bom poder tocar um instrumento...". Esta
estrofe de "Tigresa" sintetiza com perfeição o êxtase
alcançado pelos bem-dotados musicalmente e pelos frustrados, como este
escriba, que precisam se contentar em tamborilar os dedos nas mesas de
bar, com o volume alto, para que ninguém perceba a falta de ritmo.
Pois Duprat foi mais do que um professor para Ivo. Além do conhecimento
teórico, ele soube, na verdade, extrair a musicalidade escondida na alma
do instrumentista. "Rogério Duprat sempre nos dizia para tocar mais
com o sentimento do que acompanhando a pauta musical", comenta o
guitarrista.
E Ivo de Carvalho resolveu seguir à risca o conselho do mestre. Assim,
dedilhando violões e guitarras ele impregnou os shows e os discos de
grandes artistas brasileiros como Guilherme Arantes, Belchior, Sá &
Guarabira, Marina Lima, Jane Duboc e sobretudo Kiko Zambianchi - em cujas
músicas seus solos de guitarra tornaram-se marca registrada. Em canções
como "Primeiros Erros", "Choque" e "Rolam as
Pedras", grandes sucessos de Kiko, o trabalho pulsante de Ivo de
Carvalho pode ser apreciado.
Convite do rei - Sua competência foi sendo comentada no meio musical. Em
razão disto, recebeu um convite do produtor para tocar na banda de
Roberto Carlos. Identificou-se com o profissionalismo e com a figura
humana de RC. "Fui convidado a permanecer na banda do Roberto,
principalmente por causa do meu conhecimento técnico, mas sentia que meu
som estava muito ligado ao Kiko Zambianchi e resolvi sair", recorda
Ivo.
Mas a peregrinação pelas bandas dos artistas não parou. Durante os
festivais, integrou o grupo de César Camargo Mariano e tocou guitarra e/ou
violão nos festivais durante as apresentações de Tetê Espíndola,
Emílio Santiago, Leila Pinheiro, Lucinha Lins e Oswaldo Montenegro.
Os shows ao vivo abriram a possibilidade de se apresentar para grandes
públicos. "A emoção de tocar diante de 40 mil pessoas é
indescritível. Ainda me lembro do ginásio do Maracãzinho lotado, quando
estava na banda de Guilherme Arantes", recorda Ivo de Carvalho.
Depois, ele ainda tocou para um público de 130 mil pessoas, acompanhando
a cantora Laura Finnochiaro, numa das últimas edições do Rock in Rio:
"Fizemos o show de abertura para as apresentações de Carlos Santana
& Pat Metheny e de Prince. Tocar ao vivo é uma troca de energia
constante".
Mestre dos sons - No entanto, Ivo de Carvalho não é apenas um ótimo
instrumentista. Ele também domina como poucos a arte da masterização,
"que significa fazer a equalização do som e o alinhamento do volume
para uniformizar as gravações de um disco", conforme explica de
maneira didática.
Ivo desenvolveu esse trabalho de finalização para artistas das mais
variadas correntes: "Fiz a masterização para Leandro e Leonardo,
Olodum, Legião Urbana, Guilherme Arantes e até mesmo para o grupo
Demônios da Garoa". Ele sempre se identificou com a parte técnica
e, no Brasil, dava workshops técnicos para músicos.
Por ter sido um dos pioneiros no uso da guitarra sintetizadora no Brasil,
Ivo despertou a atenção dos executivos da Holland, fabricante de
teclados. O próprio presidente da empresa viajou do Japão ao Brasil para
conhecer seu trabalho. "Eles acharam fantástico que eu pudesse
coordenar estes workshops por aliar a parte técnica à musical",
admite.
Mudança para os EUA - Justamente esse conhecimento técnico abriu-lhe as
portas para vir para os EUA, há quase dez anos, a convite da Sam Ash,
loja de instrumentos musicais. O trabalho fez com que ele aprimorasse os
fundamentos técnicos, mas ele passou a sentir falta de exercitar seu lado
musical.
Hoje, Ivo dedica-se novamente à música em sua plenitude. Por ser uma
linguagem universal, toca com instrumentistas de outros países.
Recentemente, integrou a banda de Nestor Torres e fez um tour por Porto
Rico, Granada, Aruba e Atlanta. Pouco a pouco foi voltando aos palcos e
aos discos. Ele também colocou um toque brasileiro num disco da famosa
banda Earth, Wind & Fire: "Tive a oportunidade de tocar o violão
com a percussão de Paulinho da Costa e os vocais de Earth, Wind &
Fire, banda que adoro". Fez, ainda, um solo de violão acústico para
a música "Butterfly", de Mariah Carey.
Ivo está desenvolvendo projetos experimentais, tendo tocado com a cantora
Fernanda Porto e o grupo japonês de percussão Ushu Taiko. Também
apresentou-se num festival realizado em um templo budista, mostrando a
música brasileira, ao lado do instrumentista José Rubens e das cantoras
Lauren Dae e Beatriz Malnic - com quem Ivo divide o palco no happy hour
das quintas-feiras no Gaucho's Rodízio, em Lighthouse Point.
Ao lado de Beatriz, também está dedicando-se a um disco com canções de
Guilherme Arantes, um tributo ao amigo e grande compositor brasileiro,
além de um CD com Edu Helou. Por fim, vai fazer um projeto acústico com
violões. Aliás, neste disco usará a craviola, instrumento feito pela
Giannini especialmente para ele, semelhante àquele usado pelo violonista
Paulinho Nogueira.
Não é apenas na carreira profissional que Ivo de Carvalho é precoce.
Apesar de ter 48 anos e cara de jovem, já tem neta de um ano de idade,
filha de Jade, sua primeira filha de 27 anos. E seu destino é ser cercado
por mulheres. Tanto que é pai de Liv, 18 anos, e Uly, 12 anos, filhas
dele com Lara, sua segunda esposa.
Antonio Tozzi - AcheiUSA
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