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Juarez e música: paixão
eternal
É
comum conhecermos pessoas que passaram a vida trabalhando para se
sustentar, criar seus filhos e adquirir bens materiais confessarem no
final que trabalharam em uma profissão que não gostavam ou fazendo o que
não queriam. Resignados, porém, aceitam o fato como obra do destino.
Não deixa de ser gratificante, no entanto, quando encontramos alguém que
se vangloria de ter vivido às custas de seu talento de maneira digna e
recompensadora. Este é o caso de Juarez Tomaz da Silva, mineiro de Belo
Horizonte, que desde cedo toca na noite. Inicialmente, na capital
mineira e depois em Broward.
Aliás, foi com a música que comprou seu imóvel e cuidou dos filhos –
André, que vem dedicando-se à música como o pai, e as gêmeas Ana
Cristiane e Cristiana, que estão cursando Medicina. Apesar de se
considerar bem sucedido, Juarez admite: nem sempre foi fácil.
Sua carreira começou aos 16 anos de idade no Clube Labareda, um local
que hoje pertence ao Clube Atlético Mineiro, por sinal, o time do
coração de Juarez. Ele ainda se lembra de um episódio quando tocava
contrabaixo no Labareda, com apenas 16 anos de idade. Aí teve uma batida
policial e o pessoal do clube teve de escondê-lo dentro da caixa de
suporte do órgão. “Como sempre fui miudinho não foi difícil me enfiar lá
até que os policiais fossem embora. Os órgãos de antigamente eram
enormes, tinham aquela caixona embaixo, não eram como os de hoje, apenas
o teclado”, explica Juarez, atualmente com 51 anos de idade.
O dono do Labareda também possuía uma boate, onde ele se apresentava.
Depois, foi convidado a tocar na Playboy – a melhor boate de Belo
Horizonte, na época – e no Sambão.
Logo, Juarez sentiu que podia partir para um projeto próprio. Assim,
nasceu o JT Trio (com Juarez Tomaz e mais dois instrumentistas). “Éramos
três, mas fazíamos um som de banda completa. E saíamos tocando em bailes,
formaturas e outros eventos”, lembra. O sucesso do JT Trio não passou
despercebido. Logo, o dono do restaurante espanhol El Cordobés contratou
o grupo para cuidar da parte musical da casa. Foram 15 anos de parceira,
que permaneceu até mesmo depois do restaurante ter trocado de nome para
Los Remos.
De tanto vivenciar o clima de restaurantes, bares e boates, Juarez se
uniu a outros dois sócios para abrir um restaurante/pizzaria em Belo
Horizonte, em 1987. O empreendimento, porém, fracassou, em parte pela
inexperiência dos donos e também porque Juarez cuidava mais do aspecto
musical do que movimento financeiro.
Surge o Tropicana – A desilusão com o insucesso empresarial abriu
espaço para Juarez aceitar o convite feito por Tony Passos e Humbertinho
para que viesse para os Estados Unidos. Eles já viviam aqui há algum
tempo e conheciam os donos do Tropicana – uma das casas mais famosas de
Broward, cujo imóvel será demolido em breve. Certamente, ele não teria
problemas para entrar no elenco musical do Tropicana, misto de
restaurante e casa de show brasileiros.
Realmente, Juarez logo passou a integrar a equipe de músicos que se
apresentava no local. Todavia, como havia muitos artistas, os donos
organizaram um revezamento. Quarenta e cinco dias depois, ele decidiu
voltar a Belo Horizonte, onde deixara sua família.
O destino, porém, apontava para os Estados Unidos. Dois meses depois de
seu retorno, dona Maria, a proprietária do Tropicana, ligou para Juarez
pedindo que ele voltasse. Ela admitiu que havia mesmo um excesso de
músicos, mas como havia gostado bastante dele decidiu contratá-lo. Aí,
toda a família mudou-se para Broward. Juarez passou, então, a tocar sete
dias por semana. “Sete não, oito, porque aos domingos tocava também no
horário de almoço”, corrige.
Como o salário não era suficiente, ele passou a fazer alguns bicos num
condomínio para reforçar o orçamento familiar. Entretanto, passou a dar
sinais de cansaço e chegou a cochilar nos dois empregos. “Aí, o Tinho (filho
da dona Maria) perguntou quanto eu ganhava no condomínio e cobriu a
oferta. A partir daí, pude me dedicar somente ao Tropicana. Foram mais
de três anos tocando lá, direto”, conta.
Escola de música - Após a saída do Tropicana, passou a peregrinar
pelos restaurantes brasileiros. Tocou cinco anos no Panorama, no Café
Mineiro, três no Renascer, um no Feijão com Arroz, e também no Oba Oba.
Atualmente, Juarez se apresenta nestes dois. Às sextas-feiras, toca no
Oba Oba; aos sábados, no Feijão com Arroz, das 8 às 11 da noite, e no
Oba Oba, da meia-noite às três da madrugada. Sempre com a cantora
Sirlene Torres.
Há algum tempo, Juarez montou a Florida Musical Center, uma escola de
música voltada prioritariamente para brasileiros, embora conte também
com alunos de outras nacionalidades. É uma espécie de filial da Musical
Center, aberta em Belo Horizonte pouco antes de vir para os EUA.
A escola funciona no período vespertino. Juarez já obteve até mesmo
autorização para pegar as crianças que estudam nas proximidades da
escola, que fica em Deerfield Beach. Agora, no verão, abrirá também de
manhã para dar aulas de Português às crianças brasileiras que precisam
manter o idioma.
Florida Musical Center dá aulas de piano e teclados, canto e canto coral
e instrumentos de corda, além de bateria. “As aulas são dadas por
professores especializados. Não acredito neste negócio de um só
professor ensinar tudo. Sempre a pessoa destaca-se mais num tipo de
instrumento”, observa Juarez. As aulas de música custam US$ 120 por mês,
com duas aulas por semana.
Lançamento de disco – E a cada seis meses ele prepara uma
apresentação das crianças no Oba Oba, quando elas sobem no palco e
mostram para os pais e convidados o que aprenderam no curso. “Eles
tremem, mas é importante sentir o clima de palco, viver outra
experiência, em vez de tocar apenas em casa para os pais”, filosofa o
dono da escola.
Seu próximo projeto é a apresentação do CD, intitulado “Juarez, Sirlene
& Amigos”. O disco será lançado oficialmente no Café Mineiro, dia 24 de
junho, a partir das 8 horas da noite. “É um disco muito gostoso, com
vários convidados. Eu e Sirlene fizemos questão de chamar todos que
sempre nos deram uma força: Tony Passos, Jurandi, Clara Telles, Tania,
Eduardo, Bianca Brasil (minha nora) e Marquito (dono do estúdio)”, diz
Juarez.
Aliás, o CD (patrocinado pelo Café Mineiro, Padaria 2000, Express
Insurance, e Viviane, Tati e Mel Brum) reúne uma coletânea de vários
ritmos musicais – a versatilidade sempre foi uma característica do
trabalho de Juarez, que sempre fez questão de acrescentar músicas novas
a seu repertório. “Gostaria de convidar os brasileiros ao Café Mineiro
para prestigiar um momento especial nosso, que gostaríamos de
compartilhar com todos”.
E amigos é o que não falta, porque ele foi o pioneiro dos artistas
comunitários e é visto como um veterano pela maioria dos jovens músicos
que abrilhantam as noites floridianas dos brasileiros.
Ok, então, estamos combinado, Juarez. Café Mineiro, dia 24 de junho, 8
horas da noite. Confirmado!
Antonio Tozzi - AcheiUSA
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