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Pintar é sublime para
Karla Moretzsohn
Bonito,
Mato Grosso do Sul. Nesta cidade começou a história da pintora Karla
Moretzsohn. Natural do Rio de Janeiro e criada em Natal, Rio Grande do
Norte, foi na pitoresca cidade de Bonito que sua carreira de pintora
decolou e onde seu coração e sua alma se encontraram.
Karla foi para lá depois de ter se apaixonado por um homem que vivia
naquela região. Lá, aprendeu a pintar cerâmica com os índios kadwel e
libertou seu instinto e sua arte, materializando-os em telas onde se
mesclam uma variedade de materiais, que vão do óleo ao acrílico,
passando por madeira, corda e lixo reciclado.
Os ventos de mudança sopraram novamente na vida de Karla trouxeram-na
até Miami, onde vive atualmente junto com seus dois filhos músicos e
perto de sua filha casada, para iniciar uma nova fase – tanto pessoal
como artística.
Aqui, ela sofreu um terrível acidente no Valentine’s Day do ano passado
e teve de ser encaminhada ao Jackson Memorial Hospital em Miami, onde
chegou a estar desenganada pelos médicos. No entanto, recuperou-se
completamente, sem ficar com nenhuma seqüela. “Até os médicos
consideraram um milagre minha recuperação. Com certeza, foi uma
intervenção divina”, garante a artista.
Quando estava em coma durante cinco dias e com grandes chances de ficar
com algum tipo de seqüela, Karla conta que pediu apenas uma coisa a
Deus: “Pedi a Ele que me levasse tudo, mas me deixasse pelo menos minha
pintura”. Não só foi atendida, como ainda teve a felicidade de sair
ilesa daquele terrível acidente, ocorrido pouco tempo depois de ter
vindo para Miami.
Juntando-se à família – Karla veio para Miami há um ano e meio
depois de ter percebido estar vivendo sozinha no Brasil, ou melhor,
apenas com seu namorado. Toda a família já estava vivendo nos Estados
Unidos: mãe, irmãos e sobretudo seus três filhos. De repente, bateu
aquele sentimento de frustração de estar longe dos familiares e ela
decidiu vir para cá juntamente com seu namorado.
Após a péssima experiência vivida com o acidente de carro, Karla também
teve de encarar a separação com seu amado, conseqüência de uma vida dura
vivida em uma terra estranha e longe da pacata Bonito.
Fazendo uma viagem de volta ao tempo, Karla narra suas várias atividades
na cidade que abriga sete rios de água cristalinas e mais de mil grutas,
sem contar algumas que ainda nem foram descobertas. O destaque fica por
conta da Gruta Azul, com mais de 70 metros de profundidade. Com tanta
beleza, não é de estranhar que Bonito atraia a atenção de turistas de
todo o mundo. “Aliás, vão mais estrangeiros para lá do que brasileiros,
porque o turismo é caro para o padrão do brasileiro médio, que ganha em
reais”, afirma a pintora.
Contato
com a arte nativa - A própria Karla envolveu-se com o turismo local,
tendo aberto uma pousada e uma agência de turismo para levar os
visitantes a conhecer as belezas locais. Durante o contato com os
nativos, sobretudo índios da tribo Kadwel, Karla desenvolveu o gosto
pela pintura da cerâmica. Esta influência reflete-se em sua arte, seja
na própria pintura de vasos seja na arte expressa em telas.
E a paixão pela arte foi sendo transmitida a crianças carentes da região
que puderam encontrar na arte uma forma de manifestar-se. “Tinha muitas
crianças talentosas”, garante a artista.O envolvimento com a arte, o
turismo e o povo de Bonito fizeram com que Karla fosse criando raízes e
retratando os momentos e as paisagens da vida na aprazível cidade do
Pantanal sulmatogrossense.
Mesmo vivendo distante de lá, Karla confessa que as lembranças ainda
estão bem vívidas em sua memória. Não só na memória. “Vivo aqui, mas meu
coração ainda está em Bonito”, confessa.
Entretanto, se não pode viver lá, Karla traz Bonito para sua vida ao
reproduzir suas paisagens em telas. São imagens pessoais, que transmitem
a sensação de tranqüilidade e paz que passam também para os admiradores.
Ela pinta também paisagens de todos os lugares pelos quais se encanta.
Em um recente passeio ao Tennessee, ela se apaixonou pela beleza agreste
do estado americano e sentiu-se motivada a reproduzir nas telas a
inspiração que aquelas imagens lhes causaram.
Espaço na arte local – Determinada a continuar vivendo na Flórida,
ao lado dos seus filhos, Karla está tentando tornar-se conhecida no
circuito artístico. Para isto, tem colocado alguns quadros na mochila e
ido a algumas feiras de arte onde pode mostrar – e vender – sua arte.
Ela fez dois cursos básicos de pintura, mas admite que seu trabalho é
praticamente intuitivo. Karla também adota uma metodologia de trabalhar
três vezes por semana, dedicando-se à pintura de paisagens e à ampliação
de fotos. Mas para render melhor a pintora reconhece que precisa de um
equilíbrio interior. No momento em que está em paz consigo, seu trabalho
flui com mais naturalidade.
E
não há nenhum tipo de obstáculo que evite Karla de alcançar seu sonho:
tornar-se uma artista plástica conhecida. Nem mesmo o fato de não poder
dirigir, por ainda não ter direito a tirar sua carteira de motorista, a
impede de circular por Miami Beach e outras cidades do sul da Flórida.
Como ela consegue? Simples. Sobe em sua bicicleta e sai pedalando em
direção à felicidade. “Para mim, não há limites. Montada em minha
bicicleta, vou a qualquer lugar, porque nada nem ninguém pode me segurar.
Sei que meu destino é ser feliz. Seja nesta vida ou na próxima
encarnação”, finaliza a artista.
Antonio Tozzi - AcheiUSA
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