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Marcos Marin: Agitador
Cultural
Polivalente. Não tem
adjetivo mais adequado para definir Marcos Marin. Pianista clássico e
virtuose, que desde os cinco anos dedilhava o teclado; promotor
cultural, idealizador e realizador de várias mostras de artes plásticas
na França e no Brasil; correspondente de revista de artes, e pintor, com
trabalhos reconhecidos em todos os continentes.
A versatilidade deste gaúcho de São Francisco de Paula, criado na
capital paulista, o levou a Paris ainda na adolescência para aperfeiçoar
seus estudos, na Maison Couchou. Para aliviar a tensão pela maratona de
ensaios, Marin começou a pintar sem pretensões. Como era músico,
naturalmente aproximou-se do círculo dos artistas parisienses, passando
a freqüentar os ateliers de Jean Marie Zachi, Olivier de Cayron e outros
pintores. Dessa maneira, bebendo na fonte dos mestres, procurou absorver
seus conhecimentos.
Promotor cultural – Pelo fato de estar entrosado nos mundos
culturais de França e Brasil, Marin tornou-se agente cultural em eventos
realizados entre os dois países. “Foi uma maratona de 12 anos, viajando
dez vezes por ano entre São Paulo, Paris, Senegal, Açores, Moçambique e
outros países de línguas francesa e portuguesa”, relembra.
Como uma coisa leva à outra, Marin passou a ser correspondente, durante
três edições, da famosa publicação Le Semardies, com direito até mesmo a
um texto elogioso de Jean Pierre Loireaux, presidente da Associação
Internacional para Promoção de Arte Contemporânea de Paris. Também
ganhou um prefácio da publicação da Associação Figuration Critique,
movimento criado por Salvador Dalí para contradizer o abstrato,
predominante na década de 30.
Mas essa atividade também tem seus percalços. Atingido em cheio pela
crise econômica da década de 90, Marin sofreu com a instabilidade,
sobretudo no Brasil. “Tive exposições canceladas e até mesmo perda de
dinheiro, que coloquei como adiantamento, em razão destes cancelamentos”,
lamentou-se.
Ao mesmo tempo em que se envolvia cada vez mais com eventos, aumentava o
conflito dentro de si. Embora com bons patrocínios e bom relacionamento
com diretores de museus de todo o mundo, Marin começou a questionar sua
opção profissional: “Tenho carteira de artista plástico da Unesco desde
1990, e os amigos me diziam que eu tinha mais o perfil de artista do que
de agente”.
Desabrocha o artista - Finalmente, no ano 2000, decidiu parar com
as atividades de agente cultural e assumir de vez seu lado de artista.
“Na verdade, já possuía alguns quadros, que serviram para avaliação de
meu trabalho. Havia participado de vários salões, da Bienal de São
Paulo, exposições no MASP (Museu de Arte de São Paulo), ganhei o prêmio
do concurso Fiat Midi e o prêmio Philips para jovens talentos”, comentou
Marin, lembrando que suas obras integram as coleções da Fiat e da
Philips. Ele também esteve presente numa coletiva da vodka Absolut, em
Los Angeles.
Em 2003, fez uma mega exposição nos aeroportos de Paris. Marin produziu
150 obras sobre Torre Eiffel. “Foram telas em acrílico com interferência
serigráfica - um trabalho que ficou exposto durante quatro meses em
Paris e minha primeira grande mostra individual.
Ainda há 12 obras minhas nos aeroportos de lá”, contou o artista.
Ele foi convidado para montar essa exposição após ter participado do
Salão Violet. O diretor dos aeroportos parisienses entrou em contato com
Marin para realizar a mostra. Vale destacar que só participam do Salão
Violet os mestres de Paris, após uma rigorosa seleção – e Marin foi
convidado a participar por três anos.
A partir da exposição sobre a Torre Eiffel, Marin começou a definir sua
tendência artística, trabalhando com linhas e pontos em acrílico sobre
telas. Aliás, hoje ele está usando técnicas de optical portrait: “Sou a
favor de novas tecnologias, procuro estar sempre atualizado para testar
elementos alternativos”.
Desembarque na Flórida – Apesar da forte ligação com a França,
Marin decidiu seguir o conselho de alguns amigos que viam nos Estados
Unidos uma grande oportunidade para desenvolver seu trabalho: “Vendi
cinco obras para o Hotel Paris, de Las Vegas, e comecei a ser
representado por uma agência de Nova York. Além disto, em exposições de
Berlim e Luxemburgo os meus principais compradores de obras eram
americanos”.
Daí, em dezembro de 2003, o artista veio para ver a Art Basel em Miami.
Ao chegar na Flórida, sentiu que Miami é o porto mais importante para
desenvolver seu trabalho: “Aqui consigo vender minhas obras para
americanos, latino-americanos, brasileiros e europeus”.
E Marin entrou pela porta da frente no mercado artístico local. Sua
primeira mostra foi no Museu de Arte de Boca Raton, em maio do ano
passado. “Minha obra, o retrato de George Michael, causou a maior
polêmica e arrancou elogios da crítica. Uso elementos para
transformações”, explica. Seu trabalho com optical retratos, inspirado
na arte de Vasarelli, significa desconstruir a imagem no sentido do
cérebro humano que compõe a interpretação da imagem.
Esse trabalho atraiu a atenção da PGM Artword, da Alemanha, que assinou
contrato para editar duas obras de Marin. O artista também ficou três
meses na Austrália, em Sidney, fazendo obras e exposições.
Exposição em Montecarlo – Artistas como Raí, Adriane Galisteu e os
gêmeos Flávio e Gustavo possuem obras de Marin, que já vem sendo
convidado para eventos no Sul da Flórida. Ele participou da ação
cultural para a Elton John Aids Foundation e fez o retrato de Chrisane
Grimaldi, a pedido de seu marido Giovanni Grimaldi.
Agora, está preparando obras para uma exposição que abrirá dia 16 de
junho em Montecarlo, na Galeria Gismundi Pastor. A dona da galeria,
Delphine Pastor, pagará dois meses de estadia para expor entre 20 a 30
obras no Principado de Mônaco.
Antes disso, em abril, ele será o artista convidado pela curadora
Milagros Bello a representar o Brasil na Feira de Arte das Américas, dia
8 de abril, no Coconut Grove Convention Center.
Entre as personalidades focalizadas na obra de Marin figuram George
Michael, Marilyn Monroe, Richard Moeser, vice-presidente da Sotheby’s
para América Latina, e até mesmo a advogada de imigração Genilde Guerra.
Antonio Tozzi - AcheiUSA
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