Nem Galego já escreveu mais de três
mil músicas e prepara agora o terceiro CD e um livro com suas melhores
letras
O
nome Lusimar Brandão certamente não diz muita coisa ao leitor do AcheiUSA.
Mas os moradores do sul da Flórida conhecem bem o nome artístico desse
baiano de Itanhém: Nem Galego é um cantor diferenciado – às vezes até
incompreendido – aqui da região, que tem mais de três mil músicas e prepara
agora o seu terceiro CD. “Sou realmente viciado em compor e a inspiração vem
a todo o momento”, admite o artista.
Pode-se dizer que Nem Galego começou a compor antes mesmo de aprender a ler
e escrever. Aos 14 anos de idade, ainda iletrado, costumava guardar na
memória as letras de músicas que preparava, influenciado pelos shows de
músicos da sua cidade, no interior da Bahia. Um deles, Clauduarte Sá, também
aqui de Broward, é considerado seu padrinho na arte pelo incentivo que deu à
carreira do amigo, algum tempo depois. “Na época eu tinha vergonha de falar
que escrevia músicas, mas como o Clauduarte tinha gostado, passei a
acreditar no meu potencial”, disse Nem.
A aposta mostrou-se certa ao vencer a categoria de melhor letra de um
tradicional festival de música no Espírito Santo, em 1985, concorrendo com
outras 2.500 canções. Depois disso, foi escolhido o melhor artista da sua
cidade naquele ano e não parou mais de compor. O talento está no sangue: ele
é primo de Eduardo Araújo, um dos ídolos da Jovem Guarda.
Em seus trabalhos, Nem Galego produz o que ele chama de mistura de MPB com a
música regional do interior do Brasil. Dono de uma criatividade pouco
comercial, ele não costuma se apresentar em barzinhos e restaurantes da
comunidade, mas é presença constante nas Terças Culturais, projeto que reúne
artistas da região. “Se a arte é uma loucura, então quero ser louco”,
costuma brincar o músico.
Sobre a inspiração para as suas letras, Nem confirma que as idéias aparecem
nos momentos mais variados, seja durante o sono, no meio do trabalho e até
em pleno ato sexual. “Nessa hora, tenho que parar qualquer coisa que esteja
fazendo para anotar os pensamentos. Se deixar para depois esqueço tudo”,
diverte-se. Ele quer preparar um livro com as suas melhores composições, mas
isso vai ficar para depois do lançamento do terceiro CD.
Ex-vaqueiro
Ele
chegou na América há sete anos, depois de uma temporada em Portugal. Antes
disso, era vaqueiro. E no período que esteve no exterior, Nem Galego
conseguiu juntar dinheiro, trabalhando sempre na construção civil, para
comprar uma boa fazenda em sua cidade natal, com umas 120 cabeças de gado. E
é para lá que o artista vai voltar ainda no primeiro semestre de 2008. “Acho
que encerrei meu ciclo por aqui”, acredita. No dia do retorno ao Brasil,
prometeu entrar no avião de joelhos, como forma de agradecimento a tudo o
que viveu nos Estados Unidos.
Uma das experiências mais marcantes aqui foi a batalha contra um câncer,
vencida com muita força de vontade e tratamento pesado por seis meses. “Deus
sempre foi muito bom para mim e não posso reclamar de nada”, afirma Nem,
hoje com 43 anos. No Brasil, pretende “viver da música, sem precisar dela”.
Isso significa, segundo ele, poucas apresentações em centros culturais e
muito contato com a natureza em sua fazenda, que já lhe garante um
rendimento mensal considerável.
Um dos sonhos, porém, é que suas músicas sejam cantadas por grandes artistas
brasileiros.
“Quem sabe o Fagner, Geraldo Azevedo ou o Alceu Valença não se interessam
pelas minhas letras”, torce o baiano. Boa sorte Nem!