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Newton Rocha: Na
vanguarda de seu tempo
Cidadão
do mundo, Newton Rocha fez de seu sonho seu jeito de viver. Nascido e
criado em Recife, Newton trocou a carreira de policial militar pela de
pintor. Enfrentou até mesmo a reprovação do pai, um major do Exército,
que não via nas artes uma maneira segura de ganhar a vida. Ele abandonou
a escola de formação de oficiais da Polícia Militar de Pernambuco para
seguir sua intuição. Porém, se a PM pernambucana perdeu um tenente, as
artes plásticas ganharam um artista vanguardista.
Depois de conseguir reconhecimento em sua cidade natal, onde expôs em
diversas galerias e espaços culturais, Newton foi para o Rio de Janeiro.
Na Cidade Maravilhosa, deu aulas nos CIEPs, os chamados “Brizolões”, e
foi animador cultural no Instituto Padre Severino – local de recuperação
de jovens delinqüentes. “Ganhava um adicional no salário por
insalubridade, porque era mesmo perigoso trabalhar lá”, relembra o
pintor.
Em Recife, teve influência de um irmão mais velho e de Wandeckson
Wanderley, um artista local que serviu como preceptor de Newton. “O
Wandeck foi para mim um cara que me deu uns toques sobre como pintar, o
que deveria ler em termos de arte, sugeriu que eu pintasse de tudo até
descobrir minha tendência, e foi aquele que comprou meu primeiro quadro”,
comentou o pintor.
Seguindo a orientação de seu guru, Newton começou a pintar de tudo -
paisagens, retratos, nus artísticos - em busca da descoberta de sua
linha artística. Fez também trabalhos com material reciclado como casca
de árvore, prego, areia e plástico. Estes quadros, semelhantes a
instalações, integraram o que ele próprio batizou de Reciclarte. Era
algo que levava ao tridimensionalismo, numa forma inversa, ou seja,
sendo visto saindo da tela e não com a perspectiva de profundidade.
Amadurecimento – A busca incessante por um caminho artístico que
levasse a uma arte mais pura, sem apelo aos comercialismo, foi feita
concomitantemente. Enquanto testava as diferentes formas de pintura nas
telas, lia tudo sobre pintores que exerceram grande influência sobre seu
pensamento e sobre sua maneira de interpretar a arte. Newton diz ter
tido bastante identificação com o russo Kandinsky e o espanhol Miró,
além do também espanhol Salvador Dalí. “Não fiz faculdade de artes, mas
como autodidata li muito e pude compreender a essência das tendências
artísticas”, destaca o pintor recifense.
O amadurecimento artístico de Newton Rocha o levou a um
abstrato-figurativo, observado em suas fases, como a dos Girassóis e a
Entrelinhas. Atualmente ele está entusiasmado com seu trabalho pioneiro,
batizado de Entrelinhas, na qual utiliza vários tipos de linhas para dar
formas a suas obras: “Uso linha de carretel, de crochê, barbante e
outras para criar obras instigantes, pois acho que a função do artista é
deixar um legado para a posteridade”.
Estados Unidos – Com a mente aberta e a fim de explorar novos
horizontes, Rocha embarcou para o Havaí. Antes, porém, ele se concentrou
em produzir um bom material ilustrativo que lhe serviria de portfólio.
Assim, o pintor confeccionou cerca de 60 telas e se mandou para o estado
americano que fica no Pacífico Sul. A escolha do Havaí ocorreu por
absoluta conveniência, pois Rocha tinha um de seus irmãos morando lá.
Em pouco tempo, o pintor agitou as artes plásticas daquele local
paradisíaco. Através de conversas com representantes da prefeitura de
Honolulu e com apoio do Consulado Geral do Brasil no Havaí, Rocha
realizou algumas exposições locais. “Fiz um movimento artístico bem
interessante por lá”, diz o pintor, que acabou abrindo as portas para
que outros artistas brasileiros também pudessem mostrar sua arte. Ele
revelou que a comunidade brasileira no Havaí não é pequena e seu agito
serviu para integrar ainda mais a comunidade, que se ajuda bastante e é
unida.
Apesar de ter morado menos de um ano no Havaí, criou eventos e vendeu 11
obras. O espírito cigano, porém, o levou a outras paragens. Desta vez
para lugares mais frios. Foi assim que, a convite de um amigo
pernambucano, Newton Rocha desembarcou em Denver, capital do frio estado
do Colorado.
Com sua facilidade de enturmar-se logo estava trabalhando como pintor.
Na verdade, pintor de paredes, algo que também lhe dá satisfação. O
problema era o frio, que rachava sua mão direita, com a qual segurava o
pincel, chegando mesmo a sangrar. Depois, passou a pintar com spray,
diminuindo a exposição da mão às intempéries, mas tendo de inalar gases
tóxicos, mesmo com a proteção da máscara.
Nesse meio tempo, duas agitadoras culturais tentaram atuar como
divulgadoras e promover eventos para mostrar os quadros de Newton Rocha.
Apesar das boas intenções das americanas, ele não sentiu
profissionalismo e resolveu se mudar mais uma vez. Colocou, então, seus
quadros numa van e rumou para o sul.
Destino: Flórida. No Sunshine State, onde chegou há menos de dois
meses, Rocha acredita que poderá fixar-se. Afinal, aqui o clima é mais
semelhante ao nordeste brasileiro. “Para dizer a verdade, senti falta de
mar”, confessa. Em Broward, lendo o AcheiUSA, ele deparou com a
fotografia de Luiz Cláudio Carvalho, seu ex-professor de inglês e amigo
dos tempos de Recife.
Agora, ele já vem dedicando-se a produzir mais obras e colocou duas
delas no Gauchos Rodizio Steakhouse, sendo o Planeta Brasil um
simbolismo feito com a bandeira brasileira. Newton Rocha tem ainda uns
30 quadros para fazer uma exposição e está querendo realizar mostras na
Flórida a fim de divulgar seu trabalho. Não apenas divulgar como também
ensinar, pois Newton Rocha dá aulas de arte àqueles que desejam tornar-se
futuros pintores.

Quadro Elefante Amarelo
Quadro Planeta Brasil
Os que quiserem conferir mais trabalhos de Newton Rocha, podem visitar
sua página na Internet no site www.newtonrocha1.hpg.com.br
Antonio Tozzi - AcheiUSA
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