O Papai Noel que veio do Pólo Norte
brasileiro
O ‘artista da comunidade’ da edição especial do AcheiUSA não
poderia ser outro. Francisco Rodrigues da Silva, figura extremamente
requisitada nesta época do ano, encarna, como ninguém, o personagem mais
querido do Natal. O Papai Noel do Sul da Flórida, apelido que ganhou do
AcheiUSA, ampliou os seus domínios e o trabalho como o bom velhinho já
ultrapassou as fronteiras do estado: ele participou, há poucos dias, de uma
ação social junto a comunidades no Norte e Nordeste do Brasil, entregando
presentes a crianças carentes.
Francisco nasceu no Acre há 72 anos, mas foi registrado em Manaus (Amazonas).
Ainda jovem foi para o Rio de Janeiro e lá começou sua vida e sua família.
Em 1992, insatisfeito com sua vida na área de corretagem de lojas em shoping-centers,
decidiu aceitar o convite do cu-nhado para passar uma temporada na Flórida.
Como sempre foi bom vendedor, não demorou a encontrar emprego como contato
em jornais brasileiros nesta região, tendo passado por diversos veículos.
Falante, simpático e boa-praça, Francisco se integrou logo à comunidade... e
não retornou mais para o Brasil. Hoje, vive em Deerfield Beach e é uma
espécie de relações públicas (e garoto-propaganda) da Confiança, mas
certamente é mais popular quando assume a identidade do Papai Noel.
O começo
Tudo começou há cerca de oito anos, quando os amigos resol-veram presenteá-lo,
em tom de chacota, com uma roupa do bom velhinho. “Começou como uma
brincadeira, mas eu levei a sério. Aí, em 2002, o AcheiUSA me intitulou o
‘Papai Noel do Sul da Flórida’ e a coisa não parou mais”, lembra Francisco.
Hoje, além de encarnar o personagem nos anúncios e ações da Confiança, ele
participa de festas de Natal particulares. “As pessoas me chamam para uma
aparição rápida em suas casas, só para entregar os presentes e brincar um
pouco”, explica. Este ano, Francisco já está preparando o roteiro da véspera
de Natal e deve visitar quatro famílias, desde Pompano até Doral: “Afinal,
sou o único Papai Noel que não preciso de enchimento ou disfarce. Até a
barriga é natural”, brinca.
O bom velhinho
Para incorporar o ícone natalino, Francisco deixa a barba branca crescer a
partir de julho. Ele diz que neste período as crianças, mesmo as americanas,
costumam pará-lo nas ruas para conversar e ‘encomendar’ presentes. “É
gratificante, pois vejo como todos gostam de alimentar esta fantasia”,
resume o Papai Noel. Ao ver o comercial de sua empresa na televisão, ele
admite: “Até que o bom velhinho se parece comigo mesmo”.
Em relação à sua recente ida ao Brasil, ele descreve o impacto de distribuir
mais de 15 mil brinquedos a crianças carentes. “Estive em Várzea Alegre, a
400 quilômetros de Fortaleza (Ceará), onde a Confiança faz um trabalho
social, e depois visitei uma tribo indígena em Manaca-puru, no interior do
Amazonas. Não existe melhor sensação no mundo do que ver o sorriso dos
pequenos”, conta o Papai Noel. As fotos que ilustram esta matéria dão uma
pequena idéia da emoção desta viagem. Além disso, ele foi ao Rio, visitar os
seus dois netos, Henrique e Eduardo.
Alegria, a marca registrada
Mas não pensem que a vida de Francisco é marcada só por alegrias: além da
perda de uma filha há alguns anos, ele sofreu outro baque em 2006, com a
morte de sua esposa. “Deus está testando o meu coração”, afirma. Mas, sem
perder a alegria, que é sua marca registrada, o Papai Noel do Sul da Flórida
diz que a sua família agora é formada pelos brasileiros daqui. “Gosto do
Brasil, mas infelizmente a situação do meu Rio de Janeiro não está fácil.
Por isso, agüento a saudade dos meus netos e dos meus três filhos, para ter
uma vida mais tranqüila aqui nos Estados Unidos”, finaliza o nosso artista
da comunidade.
