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Quatro Estações
Banda de West Palm Beach vem fazendo
sucesso com repertório alternativo aos das habituais noites brasileiras na
Flórida
Num
sábado habitual, num restaurante brasileiro local, um som diferente chamou a
atenção de um pequeno grupo que por ali passava. Um voz aguçada, cantando o
sucesso “I Heard It Through The Grapevine”. Mais alguns minutos e ou-tras
pérolas seguiram-se: Sweet Dreams (Eurythmics), numa versão sexy lounge;
Hotel Califórnia (Eagles), Você é Luz (Wando), Piece of My Heart (Janis
Joplin), Garoto de Aluguel (Zé Ramalho), Vapor Barato (Zeca Baleiro) e
ou-tras… A diversidade de repertório e a presença de palco da voca-lista
Luciana Pires – um misto de Sinead O’Connor com Dolores O'Riordan
(Cranberries) prendiam a atenção do público.
Luciana, ao lado dos amigos Edson Stédile (percussão), Wagner Salgado (violão)
e Jerônimo (violão e baixo) formam a banda Quatro Estações, que vem se des-tacando
na comunidade brasileira como uma alternativa às habituais noites sertanejas
da comunidade. A banda é nova.|
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PERFIL
Luciana
Pires - 25 anos, natural de Goiânia. Começou a cantar aos 15
anos, em uma banda norte-americana chamada Northern Lights, em West
Palm Beach. Ficou durante dois anos e partiu para outros projetos.
Começou a estudar Jornalismo, mas não aguentou a pressão e resolveu
voltar para a música. Cantou na banda Made in Brazil, da Flórida, e
durante a volta de um dos shows sofreu um grave acidente que lhe
tirou do mercado por algum tempo. Retornou à carreira este ano,
uinindo-se aos colegas na formação da Quatro Estações.
Jerônimo
Goçalves - 31 anos, natural de Mato Grosso, vem de família de
músicos e começou sua história musical aos 12 anos, tocando violão.
Aos 16 passou a tocar contra baixo e com este instrumento se
identificou mais. Tocou em banda gospel e atualmente se divide entre
a Quatro Estações e suas atividades musicais junto à igreja.
Edson
Stédile - 25 anos, nascido no Paraná, é o mais enérgico da turma.
Estudou violão mas foi "escolhido" pela percussão. "O instrumento é
que escolhe você e não o contrário", afirma ele, que desde pequeno
batucava pelas quinas de móveis. Na adolescência atendeu ao "chamado"
e hoje não sabe viver de outra forma senão sentado em seu cajon. "Sempre
sonhei com isso que está acontecendo agora", revela, se referindo ao
reconhecimento do público.
Wagner
Pereira - 26 anos, natural de SP. Aos 15 anos se apaixonou por
violão e deu seus primeiros passos também na música gospel. Tocava
em grupos de igreja. Frequentador do restaurante brasileiro de West
Palm Beach, lá encontrou os novos parceiros com os quais se
identificaria e formaria a banda. "A música me alimenta. Para ganhar
dinheiro é que temos nossos outros trabalhos", destaca. |
Surgiu há quatro meses, por acaso, em West
Palm Beach - onde eles moram. Todos eram frequentadores do restaurante Be
Happy e costumavam tocar uma ou outra música, informalmente. Também
informalmente surgiu o convite para tocar numa festa. "A gente tinha um
repertório pequeno, mas resolvemos encarar. E a noite foi um sucesso", conta
Wagner. O segredo do sucesso? O repertório diferenciado e as músicas
norte-americanas com interpretação única de Luciana. Ela tem estilo próprio
que lembra ícones da música irlandesa - loira, cabeça semi-raspada e roupas
extravagantes. "E a maior parte do nosso repertório depende dela; é o estilo
dela", revelam os meninos, que não se perturbam com isso. Todos opinam e
propõem músicas novas. "Mas não rola se ela não se sente bem interpretando a
música", explicam.
Talvez por essa razão usam o recursos de cantar, eles mesmos, algumas das
canções do grupo. Além disso, não é tão difícil para Luciana gostar das
músicas. Ela passeia com naturalidade do pop ao rock, reggae e blues. Canta
Wando com a mesma naturalidade e conforto com que interpreta o clássico
Mercedes Benz (Janis Joplin).
Apesar da presença forte da goiana, os outros integrantes têm igual peso na
composição do grupo. São quatro cabeças diferentes, mas com o olhar voltado
para a mesma direção: o sucesso. Foi assim que surgiu também a idéia do nome
da banda. "Nos inspiramos na banda Legião Urbana (que gravou música e CD com
esse nome), e por sermos cada um diferente do outro mas complementares, como
as quatro estações", conta Luciana.
Merece também destaque a percussão inusitada de Edson, o mais jovem da turma.
Ele, sentado em cima de um cajon (instrumento de percussão, originário do
Perú), tira da sua caixa mágica um som diferente, que completa a proposta
musical do grupo e dá um toque especial às músicas. Completam a banda
Jerônimo, o mais experiente, e Wagner, o mais purista, que defende com unhas
e dentes a proposta da banda de ficar distante do forró e do sertanejo.
"Mas a gente tenta não fazer uma imposição musical. Tocamos o que o povo
gosta", destaca a vocalista. Ela até aprendeu "Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda"
(Hildo) só para satisfazer um cliente do restaurante que sempre pedia essa
canção.
Com essa vontade de conquistar os brasileiros - e também o público
norte-americano - é que eles vêm tocando em vários espaços alternativos e
buscando ampliar e dinamizar a seleção de músicas que têm apresentado
semanalmente no restaurante Cozinha Mineira, em Deerfield Beach, e no Be
Happy, em WPB. Já arranham umas composições próprias e quando questionados
sobre o futuro, não titubeiam: querem se profissionalizar e quem sabe gravar
um disco.
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