Rose Max & Ramatis: Rio-Miami sem escalas
Eles vieram sem muitas conversas, sem
muito explicar. Só sei que gostavam de música e gostavam de mar, e trocaram
Rio por Miami sem pestanejar
Rose Max & Ramatis Moraes. Estes nomes são sinônimos de MPB em terras
americanas. A voz linda de Rose e o talento de Ramatis como instrumentista
vêm encantando brasileiros e estrangeiros aqui há mais de uma década.
Portanto, nada mais justo do que homenagear este casal de artistas que
valoriza bastante o bom nome que a música popular brasileira desfruta no
exterior.
A seguir, uma entrevista com Rose e Ramatis sobre a bem sucedida carreira
deles nos Estados Unidos, seus planos e projetos para o futuro. Para ler
esta entrevista, sugerimos que você ponha o disco de Rose Max no CD player
ou o DVD gravado ao vivo no Broward Center for the Performing Arts. Será a
trilha sonora perfeita. Caso não tenha (shame on you!), serve qualquer
música brasileira de boa qualidade.
Há quanto tempo vocês estão na “estrada”, contando o tempo
de Brasil e EUA?
R&R - Trabalhamos como profissionais da música há, mais ou menos, vinte
e tantos anos. Começamos muito cedo.
Por que decidiram vir para cá? Alguma proposta de trabalho? E por que o
estado da Flórida?
R&R
- Ramatis fez um show em Orlando e Miami, com o grupo Golden Boys, em
1992. Um ano depois foi convidado a voltar para integrar a banda de uma casa
de shows em Miami, o Ipanema Grill. Veio para ficar de dois a seis meses.
Nesse meio tempo, a cantora da banda do Ipanema Grill pediu férias e eu fui
convidada a substituí-la por um mês. Fiquei um, dois, seis meses, um ano.
Fiquei. Ficamos.Tiramos visto de trabalho P3 como músicos e, alguns anos
depois, a residência permanente. Mas, na verdade, eu vim mesmo só porque o
Ramatis estava aqui. Nunca havia imaginado viver nos Estados Unidos.
Como vocês são recebidos pelo público estrangeiro ao interpretar
clássicos da MPB?
R&R - O mundo ama o Brasil! Só o brasileiro que vive no Brasil ainda não
se deu conta deste fato. Em qualquer lugar do planeta onde nos apresentamos
a receptividade e o carinho do público com a boa música brasileira é enorme.
Vocês preferem trabalhar com músicos brasileiros ou estrangeiros? Ou o
talento e a qualidade musical não está restrita ao lugar onde as pessoas
nasceram?
R&R - Gostamos de trabalhar com músicos que, além de tocarem bem, tenham
senso de responsabilidade, disciplina, bom humor, bom caráter, amor e
respeito à música e ao público que nos ouve e assiste. Características como
estas são encontradas (ou não) em músicos de qualquer nacionalidade.
Vocês fizeram de Miami uma base? Ou o plano de vida é continuar morando
aqui?
R&R - Miami Beach (apesar das temporadas de furacão) é nossa
base. Mas nosso lar é o planeta Terra. Nossa nave mãe. O melhor lugar do
mundo é onde você se sente feliz internamente, pode se desenvolver como
profissional e como ser humano e viver honestamente de seu trabalho. No
momento há muitas possibilidades, propostas e chamados profissionais neste
planeta.
Vocês acham possível acompanhar as tendências musicais brasileiras
morando fora do Brasil? Ou a opção de vocês é continuar divulgando a MPB
através das canções clássicas?
R&R - Selecionamos muito o que escutamos que vem do Brasil
atualmente. Não temos interesse em estarmos atualizados com a música, o
artista, a tendência do momento, da moda musical no Brasil. Gostamos do que
é bom, de qualidade, não importando em que ritmo ou tendência seja. Como já
dizia uma sábia bicha amiga(risos): “A moda é efêmera, volúvel, volátil!”.
Tocamos o que gostamos, o que nos toca o coração, não importando o rótulo ou
a época.
Do que vocês gostam atualmente no Brasil?
R&R - Gostamos do trabalho do Yamandu Costa, do Zeca Pagodinho, da Banda
Mantiqueira, da Paula Lima, da Fernanda Porto, do suingue do Serjão Loroza,
da afinação da Maria Rita, da consistência da Leila Pinheiro, do
drums’n’bass paulistano, das rodas de choro cariocas, da Zelia Duncan, da
bela voz da Ana Carolina, do grupo BR6, do timbre inconfundível do Simoninha,
da criatividade do Carlinhos Brown e otras cositas mas.
Você pensam em fazer o crossover e gravar em inglês ou espanhol para
aumentar as chances de mercado aqui nos EUA? A participação no Projeto
Essência seria um destes sintomas?
R&R - Nossa primeira gravação profissional aqui, em 1997, foi com
uma música em inglês, composta por Paulo Bethencourt e Ramatis. Chamava-se
Up & Down e foi lançada numa compilação de dance music da gravadora
Paradoxxx junto à rádio Power 95. Ramatis é compositor contratado da Warner
Chapel Music onde trabalha compondo com e para inúmeros artistas do mercado
latino-americano. No mais recente disco dos renomados artistas
cubano-americanos Willie Chirino e Lizete, Ramatis tocou violão e foi
portuguese vocal coach da dupla numa canção que gravaram em português de
Toquinho e Vinícius de Moraes.Eu canto em inglês e espanhol, mas o que nos
abre portas no mundo todo é, sem sombra de dúvida, nossa “brasilidade nagô”,
o suíngue da música do Brasil. Nossa base, nossa escola é a música
brasileira. É com ela, através dela e por ela que estamos aqui e que nos
apresentamos em várias partes do mundo. No show Rose Max, Ramatis & Latin
Friends, que apresentamos no Projeto Essência, dia 27 de junho passado,
contamos com a participação de vários amigos cantores e músicos latinos
tocando e cantando (em português!!!) músicas do Brasil. Todos gostam e
querem tocar música brasileira. Por que? Por causa das ricas e peculiares
harmonias, das melodias, dos ritmos, do suingue. Há no Sul da Flórida (e
talvez no mundo todo) duos, trios e bandas formadas por latinos ou
americanos que tocam, pensam que tocam ou tentam tocar (risos) a música
brasileira. Alguns até dizem que, apesar de não terem nascido no Brasil, têm
coração brasileiro.
Pensam em retornar ao Brasil e investir na carreira lá?
R&R - Não pensamos em voltar a viver no Brasil. Ir lá é só para ver a
família, os amigos, fazer algum show e retornar.
Vocês
estão gravando discos independentes. Há contato para gravar algum CD com um
selo musical mais forte?
R&R - No momento não temos interesse em lançar discos por nenhum
record label. Vivemos em uma era em que venda de CD não dá mais tanto
dinheiro pra ninguém. É simplesmente uma forma de promover e divulgar o
trabalho musical do artista. Pirataria e download na internet desmoronaram e
estão desmoronando o cenário do mercado discográfico mundial. Hoje em dia o
artista compõe, grava, produz e distribui seu próprio trabalho. Dá mais
trabalho? Dá. Mas … o que na vida não é trabalho?? (risos) Como vendemos
nosso trabalho e fazemos contato? Temos agente, manager? Esse babado de
empresário, manager, representante é uma coisa séria, complicada. Depois de
algumas experiências (algumas dolorosas, outras cômicas) nós nos vendemos
através do ShowtimeBrazil Productions. Aqui é o país da livre iniciativa.
Ainda mais contando nos dias de hoje com a globalização através da internet.
Com qual artista (cantor/cantora/instrumentista) brasileiro vocês
gostariam de trabalhar e ainda não tiveram a oportunidade?
R&R - Ramatis gostaria de conhecer pessoalmente, compor e gravar com o
violonista Yamandu Costa.
Como vocês avaliam o atual estágio da carreira de vocês? O que fariam
para melhorá-la ainda mais?
R&R - Para nós, nossa carreira musical está sempre em estado de evolução
e aprendizado. A criatura que pensa que já sabe tudo, que já chegou ao topo
(em qualquer área profissional), é tolo e pode deitar e esperar a morte
física chegar. Aprender, experimentar, criar, evoluir é nossa meta.
Que canções vocês gostariam de gravar e ainda não gravaram?
R&R - Todas as que ainda não escrevemos.
Por falar nisto, quando sairá o próximo disco?
R&R - Acabamos de lancar no mercado o DVD As Cantoras do Brasil, uma
homenagem a 14 divas da canção popular brasileira, que já está à venda nas
lojas brasileiras nos Estados Unidos e, pela internet, através do site
www.centraldobrasil.com. Domingo, dia 24 de junho, teve até uma chamada do
DVD ao vivo (e de graça - nós não pagamos nada!!) no programa do Faustão.
Propaganda que vale, segundo a Yara Cavagnac (da Globo Internacional), uns
120, 130 mil reais. Tudo graças ao apoio e força do amigo Jota! Sangue de
Jota tem poder! Estamos trabalhando atualmente no novo disco. Será de
composições inéditas, com um espírito bem carioca.Aguardem.
Vocês têm investido na seara de compositores? Têm algumas canções no forno
para gravar ou para dar para outros artistas gravarem?
R&R - Através de seu trabalho como compositor contratado pela Warner,
Ramatis tem composições gravadas por artistas como Vanessa Camargo, Jerry
Rivera, Jennifer Peña, dentre outros. Rose Max tem músicas compostas com
músicos e compositores italianos e franceses e colocadas em diversas
compilações de chillout e dance music no mundo todo. Atualmente os dois vêm
trabalhando em composições para seu novo disco.
Como vocês qualificam o aniversário de oito anos ininterruptos da dupla
Rose Max & Ramatis em terras de Tio Sam, a ser comemorada no Jazid?
R&R - O trabalho da dupla Rose Max & Ramatis existe desde que chegou
aqui, em 1993. O sucesso se dá pois passam qualidade, verdade e prazer de
fazer no que apresentam ao público que os escuta e assiste. Fazem uma noite
brasileira, toda última 5ª feira do mês, no Jazid Music Bar, em South Beach.
A noite foi criada, há oito anos, por Roberta Alves, a antiga promoter e
gerente da casa, que hoje vive no Brasil. Roberta convidou Rose e Ramatis a
fazer a noite de música brasileira que se tornou o must de Miami Beach, onde
a palavra de ordem é dançar, dançar, dançar e dançar pra não dançar e onde
tudo de bom acontece. Latinos, europeus, americanos e brasileiros comparecem
e caem no samba a noite toda, agora com a divulgação da promoter Andrea
Cecilio. Dia 26 de julho, vai rolar a grande festa de comemoração dos oito
anos ininterruptos da Jazid Brazil Monthly, com Rose Max, Ramatis e banda. A
noite, além da boa e contagiante música brasileira e da alegria do público,
promete muitas surpresas tais como lançamentos de brindes e presentes (Rose
literalmente lança os brindes no ar, para as pessoas pegarem, no mais
autêntico estilo Discoteca do Chacrinha) e participação de convidados super
especiais e secretos. É ver para crer!
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“O que nos abre portas no mundo todo é, sem sombra de dúvida,
nossa “brasilidade nagô”, o suíngue da música do Brasil. Nossa base,
nossa escola é a música brasileira”
- Rose & Ramatis
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