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Sô Zé - O mineirinho do riso
Ouvir
o sotaque mineiro é a coisa mais comum na comunidade brasileira que vive
aqui nos Estados Unidos. Afinal, a maior parte dos imigrantes que aqui se
estabeleceram vieram da terra de Tiradentes, sobretudo da região do Vale do
Rio Doce.
Entretanto, nem por isto deixa de ser engraçado ouvir as piadas e os
“causos” contados pelo André Luiz Ferreira, ou mais especificamente o
personagem criado por ele, o Sô Zé, um caipira que fala arrevezado, mas que
demonstra, por trás de sua simplicidade, bastante esperteza.
O personagem criado por André vem conquistando cada vez mais fãs entre os
brasileiros que vivem aqui nos EUA. Tanto que ele tem atraído muito público
onde quer que faça seus shows. E os apreciadores do artista ainda compram
CDs com os quais podem reviver os bons momentos dos shows.
Posso me considerar um fã do trabalho de André, ou melhor do Sô Zé.
Recentemente, assisti a um show no Café Mineiro. Ele demonstrou toda sua
versatilidade e fez a platéia rir a valer. Contracenando com Ariele Portela,
e contando com a participação de um violeiro, Táles, o personagem entremeou
piadas com um humor, digamos assim, mais gráfico. Vale lembrar que o show
era somente para adultos.
Todas as idades
Apesar de ter abusado do humor escatológico e dos palavrões neste show
realizado no Café Mineiro, Sô Zé tem todas as condições de fazer um humor
leve e descontraído, ideal para todas as idades.
Em seu show “Dedos de Prosa”, que será apresentado no dia 29 de setembro, no
Park Playhouse Theater, em Fort Lauderdale, todos estão convidados a se
deliciar com a sinceridade do matuto, que tem uma extrema capacidade de
observação e muita sensibilidade para entender o mundo. Não é à toa que os
mineiros que para cá vêm normalmente saem-se muito bem. Eles aprendem na
escola da vida e este diploma é válido em qualquer país do mundo.
Todos pensam que fazer rir é fácil, mas não é. Encarar a platéia e fazer com
que os espectadores esqueçam seus problemas durante duas horas é um negócio
muito sério (perdão pelo trocadilho). Por isto, devemos enaltecer o esforço
de artistas como André Luiz Ferreira.
Ele conta que para compor seus personagens conversa bastante com as pessoas
humildes, a fim de poder filtrar seus maneirismos, seu linguajar e seu modo
de vestir. “Como todo ator, faço meu laboratório para poder assimilar os
trejeitos e o palavreado da gente do povo, que são pessoas pobres, mas ricas
de espírito”, disse o artista. Aliás, a comprovar sua versatilidade, ele não
se limita a imitar o mineiro. Também sabe interpretar o baiano, o carioca, o
nordestino, enfim, os tipos brasileiros.
Os que ainda não puderam assistir a um espetáculo com o humorista (e não
viram pelo menos seu personagem Sô Zé em alguns comerciais transmitidos
pelas TVs brasileiras nos EUA) podem adquirir o CD “Dedos de Prosa”, no qual
ele nos remete ao interior de Minas Gerais – e de outros estados brasileiros
também – e mostra o que vai pelo coração e pela alma do caboclo brasileiro.
São histórias deliciosas que nos fazem voltar à infância e reviver a época
em que andávamos de pés descalços pelas ruas poeirentas e bebia-se água pura
tirada do poço com um balde. Bons tempos aqueles.
Como diz aquela antiga canção, “recordar é viver”. Portanto, você tem
encontro marcado com o Sô Zé neste final de mês. Quem melhor do que ele para
nos levar a esta deliciosa viagem ao passado e mostrar aos nossos filhos as
raízes de brasilidade que eles nunca devem perder, mesmo vivendo na era da
cibernética no país mais rico do mundo.
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Causo Mineiro
O caipira estava olhando atentamente um ônibus que vinha pela
estrada em alta velocidade.
- Oy, que este busão cum esta faixas vai cair nesta ribanceira.
Não deu outra. O ônibus que levava um grupo de politicos em
campanha eleitoral rolou ribanceira abaixo, como o caipira
previra.
Uns dias depois, os policiais bateram na porta da casa do
caipira para saber se havia visto algum acidente na estrada. O
caipira confirmou que tinha visto sim e tomado providências,
inclusive enterrado as vítimas.
Um dos policiais perguntou ao caipira:
- Mas estavam todos mortos?
Coçando a barbicha, o matuto respondeu:
- Oí aqui, moço. Pra falá a verdade, uns diziam que estavam
vivos. Mas, sacumé né, a gente nunca sabe quando político está
falando a verdade…
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