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Tem Erudito no Choro!
Brasileiros mestrandos em música da Lynn
University misturam chorinho e música erudita
Tem
contrabaixo e violino no Choro! Tem gente nova invadindo a área; tem talento
querendo cavar seu espaço! São os meninos de São Paulo - Douglas Ferreira,
27, Wellington dos Santos, 28, Edgar Leite, 25, e Wallas Pena, 25-, que
vieram do Brasil para estudar música na Lynn University.
Todos tiveram origens musicais e experiências profissionais similares no
Brasil. Eles tocavam em orquestras, tiveram formação erudita, mas se
encantaram mesmo pelo choro. Talvez porque a distância da pátria os tenha
feito rever, inconscientemente, seus valores musicais. Fato é que mesmo
estudando num dos mais conceituados conservatórios da Flórida, o da Lynn
University, a veia dos paulistanos pulsou mais forte ao retumbar do pandeiro
e ao choro do cavaco. Assim, Wallas trocou parcialmente a viola erudita pelo
cavaco, Wellington trocou o trompete pelo pandeiro e, acoplados ao
contrabaixo acústico de Douglas e ao violino de Edgar, formaram o grupo Tem
Erudito No Choro.
O repertório é o clássico do choro, mas, como não poderia deixar de ser, os
acordes de compositores eruditos também têm espaço no trabalho do quarteto,
que está ansioso para mostrar seu talento à comunidade.
“A gente quer tocar MPB e, também, outros estilos. Recentemente tocamos num
casamento e desenvolvemos um repertório especial para os noivos”, explica
Wallas, que também vê uma lacuna musical no segmento de casamentos e
formaturas. Eles já se apresentaram em algumas festas, em eventos, em
concerto da universidade e até já foram convidados para tocar na Embaixada
do Brasil no Haiti, dia de Thanksgiven – mas lá se apresentarão como
quarteto de cordas. Ainda estranham, porém, que sejam mais admirados por
americanos e brasileiros de outros países do que pela comunidade local.
Se não tiveram o devido reconhecimento, é porque não tiveram ainda uma boa
chance de exibirem seus talentos para o público da Flórida: ninguém consegue
ficar imune à mistura inusitada do contrabaixo com o pandeiro e violino e
cavaquinho, quando os ouvem. “A gente só quer poder tocar em eventos locais
também”, afirmam, num misto de anseio e excitação.
E que não confundam a ânsia com desespero em mostrar trabalho, porque que
eles não o precisam fazer. Todos são exímios músicos. Wallas, por exemplo,
já cursa terceiro ano de viola erudita na Lynn e acabou de ganhar uma menção
honrosa e o 4º lugar no Prêmio Lionel Tertis International Viola
Competition. “É o mais importante prêmio para violonistas. Só estar lá já é
uma honra”, destaca Wallas, que foi um dos 50 convidados para participar do
evento em 2006. Ele até tentou conseguir apoio do Consulado de Miami e da
empresa de aviação TAM para viajar até a Inglaterra, onde aconteceu o
concurso, em agosto. Os patrocínios não vieram, mas a universidade resolveu
patrocinar a ida do brasileiro e o resultado foi a quarta colocação. “Eles
apostaram em mim, confiaram na minha capacidade e eu fui o único brasileiro,
único negro, a se destacar no concurso”, lembra envaidecido.
A mesma simplicidade envolve Douglas, Edgar e Wellington, que cursam
mestrado na Lynn – e conseguiram bolsa integral. Edgar é músico contratado
da orquestra da USP; Wellington tocava na Banda Sinfônica de São Bernardo do
Campo; e Douglas também tocava em orquestra, em São Paulo. Além deles outros
nove brasileiros estudam música na Lynn University, a maioria com bolsa
integral doada pela entidade, que sempre aposta na diversidade e no talento
tupiniquim. E o quarteto tem provado que a aposta não é vão!
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Contato: O
quarteto Tem Erudito no Choro tem se apresentado em alguns
eventos e festas privadas. Estão abertos a convites para uma
apresentação pública a brasileiros. Por enquanto, eles podem ser
ouvidos nos concertos da universidade, que acontecem
semanalmente. Também devem se apresentar na próxima edição do
projeto Terças Culturais, em Broward. Para contratá-los: (954)
778-4989. |
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