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Toco do Pandeiro:
Malabarista do samba
Vou
por onde o samba me levar. Esta frase bem que poderia ser a estrofe de
algum samba brasileiro. Entretanto representa a história de vida do
carioca Carlos Silva. Mas, afinal, quem é Carlos Silva? Certamente a
comunidade brasileira o conhece por seu nome artístico: Toco do Pandeiro.
O artista veio do Rio de Janeiro há 11 anos com um pandeiro na bagagem e
muitos sonhos na cabeça. Contratado para participar do show do Tropicana
– uma das mais conhecidas casas de espetáculos brasileiros -, Toco do
Pandeiro logo conquistou a platéia com sua ginga e seu malabarismo com o
pandeiro. Ele desenvolveu esta arte sozinho, brincando com o instrumento
desde os sete anos de idade, nas rodas de samba cariocas.
Nascido e criado no berço de bambas, o menino também tinha veia de
compositor. No entanto, ele tinha medo de mostrar suas composições e ser
ridicularizado. Afinal, quando criança e adolescente, conviveu com
monstros sagrados do samba como Nelson Sargento, Gasolina e Cartola, que
era tio de um cunhado de Toco do Pandeiro. “Diante de tantas ‘feras’
tinha medo de mostrar meu trabalho”, comentou o autor de sambas, que
possui mais de cem músicas feitas. Ele compõe letra e música.
Agora, pretende mostrar seu trabalho e vem preparando um disco com suas
composições. Tarefa facilitada por ter seu próprio grupo, o Samba RJ,
juntamente com seu filho, um sobrinho e um amigo. “Eu e meu filho Tiago
é que cantamos a maioria das músicas”, afirmou Toco.
Artista renomado – Como malabarista do pandeiro, seu trabalho foi
sempre valorizado. Toco brilhava em shows como o Oba Oba, do Sargentelli,
Joãozinho Trinta, Ivon Cury e Gasolina, na Urca. Graças à sua habilidade,
conheceu bastante países: Espanha, Itália, Argentina, México, Canadá,
entre outros, e Estados Unidos, onde já se tornou residente legal.
No sul da Flórida, Toco do Pandeiro construiu uma carreira sólida.
Integrou o grupo do Clube do Choro, onde aprendeu até mesmo a tocar
cavaquinho. “Como não havia quem tocasse, eu mesmo me propus a tocar e
me juntei à moçada”, esclareceu o sambista, que também aprendeu sozinho
a tocar e a fazer malabarismo com o pandeiro. Ele admite que isto foi
bom porque participava de rodas onde músicos tocavam chorinho, um ritmo
que lhe agrada bastante.
Curso prático de pandeiro – Embora saiba tocar cavaquinho, o
instrumento de seu coração é mesmo o pandeiro, como diz seu próprio nome
artístico. Segundo o instrumentista, é possível tocar qualquer ritmo com
o pandeiro e não apenas samba, como podem pensar alguns. “O pandeiro é
um instrumento eclético e sua sonoridade adapta-se a qualquer tipo de
ritmo, seja salsa, rock, hip hop. No caso do chorinho, por exemplo, o
melhor é usar pandeiro com couro, enquanto para o samba mais forte
recomenda-se o uso de náilon”, explica o especialista.
Toco do Pandeiro quer difundir seu conhecimento a respeito do pandeiro.
Para isso, desenvolveu um curso prático de pandeiro no qual mostra como
as pessoas podem aprender a tocar o instrumento. Ele acabou de escrever
um livro onde orienta detalhadamente os movimentos que devem ser feitos
para as pessoas aprenderem a tocar o pandeiro. “Muita gente pensa que é
preciso usar a parte da mão perto do pulso para tocar. Através do meu
método aprende-se que o segredo para se tocar o instrumento são os dedos,
que funcionam como notas musicais”, afirma.
Além do livro, o método desenvolvido por Toco do Pandeiro inclui um CD e
um DVD, o único item que ainda não está pronto. Seu método será lançado
simultaneamente em inglês e em português. “O pandeiro é um instrumento
completo e as pessoas ficarão surpresas como é fácil tocar um pandeiro”,
garante o autor do curso prático.
Sambista biomédico – Demonstrando sua incrível versatilidade,
Toco do Pandeiro é também Carlos Silva na Nabi Biopharmaceuticals,
multinacional da área de saúde sediada em Boca Raton. Lá, ele trabalha
na área de manutenção, mas já obteve bolsa de estudos da empresa para
fazer um curso na área de ultrassonografia ou de técnico de Raio X. Seu
lado artístico também foi destacado pela empresa, onde ele foi escolhido
como um dos poucos funcionários da empresa em todo o mundo a ilustrar o
Relatório Anual de 2004 da Nabi Biopharmaceuticals.
A exemplo dos heróis das histórias em quadrinhos, ele consegue
administrar bem esta dupla identidade. Embora cumpra suas funções na
companhia com dedicação como Carlos Silva, ele nunca deixa de vestir-se
com roupas brilhantes para reviver o Toco do Pandeiro nos palcos de todo
o mundo. “Consigo fazer isto, ao administrar meus dias de trabalho aqui
na companhia e sempre peço com antecedência para me dispensar nos dias
em que tenho de viajar para fazer shows”, disse o artista.
Agenda lotada – E Toco do Pandeiro possui uma agenda bastante
movimentada com o Samba RJ, onde toca banjo e cavaquinhos. Às
sextas-feiras, o grupo toca no Bar do Tião, em Miami (ao lado do
Camila’s); aos sábados, eles se apresentam no Cozinha Mineira, e aos
domingos, jornada dupla: das 4 às 8 horas da tarde, o grupo está no Bom
Bar, e logo em seguida eles mostram sua arte no Café Mineiro.
Como se não bastasse, eles ainda vão viajar tocando no final do ano.
Dia 28 de dezembro, os integrantes do Samba RJ juntam-se a Paulo Gualano
para apresentar-se no Haiti. Na volta, eles já embarcam direto, do
aeroporto mesmo, para South Dakota, onde vão animar o réveillon dos
americanos, na churrascaria brasileira cuja direção artística está a
cargo de Francisco Italiano.
Para 2006, Todo do Pandeiro tem vários planos. Além de colocar no
mercado seu Curso Prático de Pandeiro, pretende gravar um disco com suas
músicas. Depois de fazer shows que abriram as apresentações de Dudu
Nobre e Jorge Benjor na Flórida, Toco do Pandeiro pretende ser um
artista de primeira grandeza. Com a força de vontade e talento dele,
quem pode duvidar que ele não acaba mesmo atingindo o sucesso.
Merecidamente!
Antonio Tozzi
- AcheiUSA Newspaper
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