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Vicky Andrade mescla
arte com design
Entre
colares, pulseiras e brincos, pontifica Vicky Andrade: “Fiz esta
exposição para homenagear as mulheres”. A gaúcha de Porto Alegre
qualifica-se como uma artista sui generis, porque sua arte tanto pode
ser admirada como pode ser usada, como é o caso da exposição Sculpture
to Wear, realizada no mês de agosto, em Aventura.
À primeira vista, podem parecer peças de bijouterias ou jóias, mas na
concepção de Vicky elas são mais do que meros ornamentos: são obras de
arte. Mas, afinal, o que a faz classificar de obras artísticas elementos
de adorno feminino? A artista responde, sem hesitar: “Simples. Cada peça
é única e não permito reproduções. Portanto, a pessoa que adquirir a
peça fica, de verdade, com uma obra de arte. Apenas ela pode usá-la no
corpo em vez da obra ficar confinada a uma parede”.
Ela trabalha basicamente com materiais recicláveis, por ser uma pessoa
em sinergia com o meio-ambiente. Desta forma, meros rolinhos de cabelos
podem transformar-se em finos objetos de decoração nas mãos e na mente
de Vicky. Outros materiais usados com freqüência são couros, madeiras e
cerâmicas – aliás, seu material favorito.
Para compor as peças, ela trabalha dentro do mesmo processo desenvolvido
pelos pintores e escultores. Busca inspiração e junta os materiais até
chegar ao resultado esperado. Inspiração, diga-se de passagem, é a
palavra chave. Vicky não costuma aceitar pedidos para desenvolver
trabalhos sob encomenda. “Só faço uma peça para alguém quando esta
pessoa consegue me inspirar. Se não conseguir sentir-me inspirada não
adianta. Não há dinheiro que me faça criar algo sem inspiração”, garante
a artista.
Desabrochar da artista – Morando a pouco mais de dez anos em
Miami, Vicky diz ter sentido seu talento desabrochado como artista.
Identificada com a cidade do sul da Flórida desde que chegou – “Apesar
de gaúcha, detesto frio” -, começou aqui a descobrir esta forma de arte.
Em Porto Alegre, ela sempre trabalhou com artistas, mas nunca havia
tentado a carreira, embora tenha sido aconselhada por professores a
liberar sua criatividade.
De todos os materiais, o que mais a apaixona é a cerâmica. “Fico
maravilhada com a possibilidade de transformação. Quando começo a
construir uma peça, deixo que ela tome a forma naturalmente. Não
interfiro no processo, moldando-a. E é fascinante verificar o resultado
final”, comenta a artista.
Para quem imagina ser um processo fácil, vale lembrar que há diferentes
tipos de argila e técnicas de queima, que possibilitam diversas formas,
conforme explica a artista: “Cada queima age de maneira diferente sobre
as diversas qualidades de argila. Portanto, os efeitos acabam gerando
peças únicas”.
Professora - Ela dá aulas de moldagem de cerâmica em seu estúdio,
em Aventura, bairro em que mora. Na verdade, orienta as alunas em
relação às técnicas utilizadas. Entretanto, ela deixa fluir a
criatividade de cada uma delas. Durante a fase inicial – quatro sessões
de duas horas cada uma -, as alunas fazem pelo menos uma peça. Tanto
pode ser um vaso como um cinzeiro ou qualquer outro objeto que desejar.
“Se a aluna não tiver idéia do que fazer, dou algumas sugestões. Mas o
fundamental é que a própria pessoa faça sua peça, porque isto representa
sua interação com o material”, sintetiza Vicky.
Até mesmo em peças como colares ela utiliza cerâmica. Ao contrário do
que se pode pensar, não fica pesado para a mulher usar. Dá um tom
personalizado e o material barato fica ultra valorizado. Para compor a
exposição Sculpture to Wear, ela montou cerca de cem peças entre os
meses de março e agosto.
As peças são divididas em três categorias: Yang, Miss e Platinum. Yang,
a linha jovem, abusa de materiais reciclados baratos, enquanto a
Platinum utiliza corais e cristais, materiais mais valorizados. “Meu
objetivo não é ganhar dinheiro, mas sentir que uma peça minha provoca
uma satisfação na pessoa que a adquire”, resume. É claro que ela vende
suas peças, afinal vivemos num regime capitalista...
Miss
Venezuela - Aliás, ela foi contratada pela organização do Miss
Venezuela 2005 para desenhar as peças usadas pelas candidatas. No total,
Vicky criou cerca de 200 peças exclusivas entre brincos, colares e
pulseiras. Para identificar as personalidades das garotas, entrevistou-as
pessoalmente. Após a realização do concurso, doou quatro peças para
quatro participantes, e desmontou as demais. “Foi bom ter feito este
trabalho porque me testei como designer de jóias”, diz Vicky.
Mas, seguindo sua tendência de sempre criar peças novas e inusitadas,
ela já está preparando uma nova exposição, desta vez baseada em obras de
cerâmica. “As minhas esculturas são criadas simbolizando as mulheres
grávidas”, afirma Vicky, enfatizando seu fascínio com a cerâmica. No
entanto, ela vem incorporando novos materiais ao processo, tais como
madeira e couro – já usados nas peças da Exposição Sculpture to Wear -,
arame e sementes.
“O segredo é saber usar de maneira adequada tudo o que a natureza nos
oferece”, finaliza Vicky. E o resultado de seu trabalho está na cara – e
também está na orelha, no pescoço, no pulso, mas, sobretudo, no coração
das pessoas que sabem apreciar uma arte inovadora.

Por Antonio Tozzi - AcheiUSA Newspaper
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