Din Don ! É o entregador de pizzas
Eles não são pilotos de corrida mas vivem de olho no
velocímetro e no relógio. No Brasil são conhecidos pelo atrevimento no
trânsito, pois quase sempre vivem furando o trânsito com suas motos
destemidas. O tempo é fundamental para que exerçam bem sua profissão e
alguns minutos de atraso podem significar a morte. Ou pelo menos uma
grande chateação já que fatalmente ouvirão reclamação do cliente e do
patrão.
E se tiverem azar ainda encontrarão pelo caminho um policial atento ao
excesso de velocidade e aí é multa na certa. Eles são os entregadores de
pizzas! Aqui o trabalho é menos perigoso que no Brasil. Ao invés das motos
eles pilotam carros e o trânsito é mais organizado.
A rotina deles começa dentro da pizzaria. Porque delivery também faz pizza
- abre massa, põe cobertura, leva e tira do forno, corta, embala e leva ao
cliente. "A gente também pega ordem, limpa o chão - quando chega e quando
sai- e faz tudo que precisar", conta José Augusto Bijos, que hoje atua
mais como gerente da Dominos Pizza da Sample Road, mas também faz entregas.
O trabalho é muito mas o salário e a diversão compensam. "Para quem gosta
de dirigir a profissão é ótima. Você tá sempre na rua, vendo movimento. E
também dá para fazer bom tip", opina Augusto. Os drivers fazem cerca de 40
entregas em um dia de bom movimento, e de 20 a 30 em dias fracos. Ganham
em média 5 dólares por hora mais a gorjeta. "Dependendo do cliente você
ganha bom tip. Os bêbados e os mais jovens são melhores. Os ricos
geralmente são tacanhas e os brasileiros até que não são ruins não", diz
José Augusto, fazendo um pequeno perfil dos consumidores.
Pizza por bijouteria
Mas tip não é o único problema dos drivers. Às vezes o cliente não tem
como pagar. Alguns usam a criatividade para pagar a conta. Uma jovem, um
certo dia dia, tentou pagar sua pizza com uma bijouteria. parece
brincadeira, mas é verdade. "Quando eu entreguei a pizza ela quis me dar
uma corrente de bijouteria. Eu não aceitei e ela insistiu dizendo que
valia 20 dólares. Talvez até valesse", diz Sandro Passos.
Outra vez chegou em uma casa onde o cliente só tinha 10 dólares para pagar
a pizza, que devia valer cerca de 12 dólares. Ele alegava que estava como
fome e fez o pedido, mesmo sem ter dinheiro. Dessa vez ele fez uma
concessão e aceitou só os 10 dólares. Mas em outra ocasião não pôde fazer
o mesmo. Diante da falta de dinheiro voltou para a pizzaria com as pizzas.
Mas essa situação já é mais comum.
O drama do endereço perdido
Incomum são as formas que algumas pessoas encontram para justificar os
enganos ou o fato de não encontrarem os endereços. O marketing
representative e colunista do Achei, Luciano Berlanga hoje se diverte
lembrando das três semanas que viveu como delivery boy. Recém chegado do
Brasil não sabia que os endereços dos Estados Unidos são organizados
numericamente. Assim, chegava a dispender horas para ir numa rua por trás
da pizzaria. Tirando o exagero lingüístico, ele não era mesmo dos mais
rápidos na casa. "Eu não conhecia nada. Demorava para achar os endereços e
quando não achava ia para casa e comia a pizza", conta Luciano.
Acreditem se quiser mas ele pagava as pizzas com seu dinheiro para não ter
que revelar que havia falhado. E o chefe não descobria? "O cliente ligava
e dizia que não tinha recebido a pizza. Mas eu dizia que tinha entregado e
insinuava que talvez tivesse entregue no lugar errado", conta o colunista,
hoje rindo fácil com a situação.
Pizza de graça
O drama do endereço "perdido" persegue todos que trabalham como delivery.
O problema mais comum é se enganar de endereço, de rua, ou dar voltas e
voltas sem encontrar a casa que precisa. "Isso é muito comum. Tem pessoas
que até conhecem a área mas não têm o menor senso de direção. Uma vez eu
treinei uma menina que não achava o endereço de jeito nenhum. Ela me
ligava o tempo todo para perguntar", lembra Sandro, que também já passou
por esse problema no início de carreira, se enganando de rua. "Eu tinha
que ir na 9 Av e ia na 9 Terrace, por exemplo".
Para dar margem a esses enganos é que a casa geralmente dá perspectiva de
40 a 45 minutos para o cliente. Se o driver se enganar, há tempo para
corrigir. Muitas vezes, entretanto, as reclamações dos clientes são
propositais. Como o cliente sempre tem razão acaba ganhando uma pizza de
graça para compensar transtornos. "Tem gente que reclama só para ganhar
outra pizza; eles ligam, dizem que a outra fria estava, ou reclamam de
qualquer coisa", conta Augusto.
Risco de assalto
E para quem pensa que, ao cotrário do Brasil a profissão não tem riscos,
uma surpresa: driver também é assaltado nos EUA. Outro dia um dos rapazes
foi fazer o delivery e teve todas as caixas de pizza foram roubadas.
"Ele foi entregar e quando chegou no endereço tinha uma turma na frente da
casa. Os rapazes se apresentaram como autores do pedido e, enquanto
discutiam quem iria pagar, um deles foi disfarçadamente e roubou a bolsa
térmica - onde fica as caixas de pizza. A sorte é que ele já tinha
entregue todas as pizzas e que eles nnao levaram o dinheiro", relata
Sandro. E, coincidentemente, no mesmo dia o departamento de Polícia ligou
para a pizzaria avisando que uma turma armada vem assaltando entregadores
de pizza em uma determinada área de Pompano Beach. E no final das contas,
entre todas as dificuldades, o que importa mesmo é voltar para casa são e
salvo.
Vanuza Ramos - AcheiUsa