Negócios

EUA têm maior valor de inflação em quatro décadas

Analista prevê que recessão econômica no país é inevitável

Resultado surpreendeu o mercado, que esperava aumento de preços na faixe de 8.8% (Foto: Nick Youngson, Pix4free)
Resultado surpreendeu o mercado, que esperava aumento de preços na faixe de 8.8% (Foto: Nick Youngson, Pix4free)

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos EUA apontou que a inflação no país bateu 9.1% (ante 8.8% esperados pelo mercado), no acumulado de 12 meses encerrados em junho. Foi o maior nível para o período em 41 anos. Ante maio, a alta foi de 1.3% (mais que o 1.1% esperado pelo mercado). Para Felipe Sichel, sócio e economista-chefe do Banco Modalmais, o índice teve leitura acima do esperado: “Tanto o headline como a composição do índice são bastantes negativas para a trajetória da inflação nos EUA.”


Resultados preliminares do PIB americano entre os meses de abril a junho apontam para uma contração da atividade econômica. Enquanto isso, o Fed está considerando que taxas acentuadamente mais altas podem ser necessárias para conter a inflação. O Fundo Monetário Internacional (FMI) espera que a inflação caia para 2% apenas no final de 2023, e que a atividade econômica desacelere de 3.5% no primeiro trimestre deste ano para 0.6% no final de 2023.

Na visão de Fábio Fernandes, diretor de Comunicação da Consumer Choice Center, uma recessão nos EUA nos próximos meses é inevitável visto os indicadores econômicos. “O primeiro indicador é o preço do combustível, que vêm subindo todos os meses e, embora os preços variem de acordo com o estado, alguns consumidores estão gastando mais que o dobro na hora de abastecer seus veículos. Cerca de 30% dos postos nos EUA estão vendendo gasolina com preço acima de $5 por galão. Nós sabemos que toda vez que o preço do combustível nos EUA subiu duas vezes no mesmo ano, o país enfrentou uma recessão dentro de 12 ou 18 meses”, disse.

Ainda de acordo com o analista, outro indicador importante é o Produto Interno Bruto, e, de acordo com algumas estimativas iniciais, a economia dos EUA encolheu nos três meses de abril a junho. “Adicione isso ao declínio de janeiro a março, e temos uma contração por dois trimestres seguidos, o que tecnicamente caracteriza uma recessão”, concluiu.

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