Opinião

Porta-voz da comunidade

O avanço tecnológico deixa ainda mais clara a importância dos jornais comunitários para os imigrantes estrangeiros

Heliana Deweese*

Num momento em que a mídia impressa encolhe – com alguns fechando as portas, outros as janelas, e para sobreviverem aos ajustes da nova era tecnológica enxugando quadros de funcionários e se espremendo no concorrido mercado – é um grande feito completar quinze anos de jornal comunitário num país onde a maioria dos imigrantes sequer fala português. Pois aqui no sul da Flórida, mais precisamente em Deerfield Beach, pertinho de Miami, onde a presença de imigrantes de origem hispânica é dominante, o fuçado publicitário carioca Jorge Moreira Nunes lançou a ideia de uma publicação quinzenal em português. A princípio era um jornal de classificados gratuitos, que acabou vingando, até porque o nome sugestivo incitava o sucesso: AcheiUSA.

E não é que deu certo? Hoje, após quinze anos, é um indispensável semanário que informa, promove, ajuda, compartilha, colabora, e mais do que isso, tornou-se uma referência para a comunidade brasileira. Coloque aí uma certa dose de teimosia do carioca, que não nega a veia publicitária herdada do pai jornalista e professor universitário. Assim começou o primeiro tempo do jogo e o AcheiUSA saiu em campo.

Vai daqui, vem de lá. Aumenta aqui, retira ali, e a publicação foi vencendo as barreiras, conquistando os leitores e anunciantes. Ganhou espaço e acima de tudo o mais importante para a sobrevivência da mídia: credibilidade. O critério jornalístico aliado à disposição de abrir as portas para a comunidade, fazendo-se porta voz dela, fez do AcheiUSA um jornal comunitário confiável para a leitura. Uma boa combinação para a proposta.

O comportamento usual de todo estrangeiro ao chegar em um país é procurar integrar-se à comunidade local através de um informativo na língua mãe. É assim que a banda toca fora de casa. O amparo vem se for buscado. E é aí que entra a importância das publicações no próprio idioma. É nelas que o recém-chegado se apoia para informações sobre onde morar, encontrar trabalho, comprar ou vender, a quem recorrer e ficar por dentro do que está acontecendo na nova área que escolheu para viver. Em resumo, o jornal comunitário tem um papel social e agregador fundamental para os brasileiros que vivem fora de casa. Voz da comunidade já estabelecida, é quase que um socorro imediato para quem chega. O jornal não ficou na volta de fora do imediatismo da era tecnológica. As edições online hoje são lidas por milhares de brasileiros. Os números dão uma boa ideia da presença da mídia digital comunitária na vida dos imigrantes. Segundo seu idealizador, “os acessos à página do AcheiUSA ultrapassam a marca de 200 mil mensais. No Facebook, reúne 41 mil fãs e 11 mil membros em seu grupo. São 27 mil usuários cadastrados e 200 novos anúncios classificados grátis por dia. No ranking do indexador Alexa.com, afiliado à Amazon, é o portal em português mais acessado no concorrido universo da internet fora do Brasil e de Portugal”, comemora ele.

A mídia e o conceito de jornalismo mudaram e os ajustes fazem parte das mudanças. A abrangente agilidade das ferramentas disponíveis interage com rapidez e aproxima o contato entre o veículo e seus leitores. Assim, o AcheiUSA vem cumprindo seu duplo papel na comunidade. Ao mesmo tempo que endossa a presença verde-amarela, está também registrando a história da imigração brasileira nos EUA.

*Jornalista

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