Histórico

Sinal verde para Cuba: comércio e viagens já podem ser feitos

Viajar para a ilha sem autorização, trazer charutos, rum e usar cartão por lá estão entre as medidas

DA REDAÇÃO COM AGÊNCIAS

RAMON ESPINOSA

Mulher anda de bicicleta em Cuba

O fim do embargo a Cuba depois de mais de 50 anos, anunciado pelo presidente Barack Obama em dezembro, já está em vigor a partir desta sexta-feira (16). Os famosos charutos cubanos já podem ser trazidos de souvenir de viagem e quem nasceu aqui já pode conhecer as belezas e a cultura de Havana sem pedir autorização prévia. O anúncio foi feito na quinta-feira (15) pelo Departamento do Tesouro.

“O anúncio nos deixa um passo mais próximos de substituir políticas obsoletas que não funcionavam e estabelece uma política de ajuda para promover as liberdades econômicas e políticas para o povo cubano”, disse o secretário do Tesouro, Jacob Lew.

Os Estados Unidos e Cuba surpreenderam o mundo no dia 17 de dezembro ao anunciar que deixavam para trás meio século de confrontos para iniciar negociações para a normalização plena das relações diplomáticas. O acordo foi selado definitivamente com uma histórica conversa telefônica de quase uma hora entre Obama e o líder cubano Raúl Castro.

A primeira rodada de negociações para iniciar o processo de normalização das relações diplomáticas ocorrerá em Havana nos dias 21 e 22 de janeiro. A delegação americana estará liderada pela vice-secretária de Estado para o Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson.

Principais medidas
Os americanos já não terão necessidade de obter a aprovação do governo antes de viajar para Cuba. Eles poderão ir livremente à ilha caso se enquadrarem em uma de 12 categorias aprovadas — que incluem viagens educacionais, religiosas e humanitárias. Outra medida é o fim da restrição de gastos de $188 por dia em Cuba para hotel, refeições e outras necessidades eventuais. Pela primeira vez, os americanos também podem voltar para os EUA com até $100 em rum e charutos cubanos e um total de $400 em mercadorias.

O montante das remessas que os cubanos podem receber de seus familiares nos Estados Unidos aumenta de $500 para $2 mil por trimestre. Além disso, os residentes dos EUA poderão usar seus cartões de crédito e débito na ilha, o que era proibido e obrigava os americanos a pagarem por toda as suas viagens em dinheiro.

Companhias dos EUA também poderão vender mais produtos diretamente ao setor de pequenas empresas de Cuba. Mais de 500 mil cubanos agora trabalham fora do sistema estatal e as novas regras permitem que os americanos ofereçam microfinanciamento para as empresas e vendam para elas uma grande variedade de materiais, equipamentos e ferramentas.

Os regulamentos também abrem as portas para as empresas americanas para ajudar a recuperar a indústria de telecomunicações da ilha. Empresas americanas terão permissão para vender dispositivos de comunicação, software, hardware e serviços para melhorar a infraestrutura de comunicações de Cuba, incluindo serviços baseados na internet.

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