Brasileiros desaparecem tentando entrar ilegalmente nos EUA pelas Bahamas

Família há mais de um mês não tem contato com grupo que tentava fazer a travessia das Bahamas para o Sul da Flórida

0
12238
Renato Soares de Araújo, da cidade mineira de Sardoá, está entre os desaparecidos (reprodução)

Dezenove brasileiros que tentavam emigrar para os Estados Unidos através das Bahamas estão desaparecidos, segundo o jornal Diário do Rio  Doce, da cidade mineira de Governador Valadares. O barco que os levaria das Bahamas para o Sul da Flórida teria naufragado na travessia. A maioria dos brasileiros são de Minas Gerais e do Pará.

Segundo o DRD, o barco teria saído de Nassau, capital das Bahamas, no dia 6 de dezembro, e desde então nenhum dos passageiros fez contato com as respectivas famílias. Entre os desaparecidos estão Márcio Pinheiro de Souza, natural de Sardoá, (MG); Renato Soares de Araújo, de Sardoá (MG); Arlindo de Jesus Santos, de Rondon do Pará (PA); além de Bruno Oliveira Souza, Reginaldo Ferreira Martins, Diego. Os nomes de outros treze brasileiros que estariam no barco não foram divulgados.

Também o website Brazilian News Agency, da cidade de Framingham (MA), divulgou que os familiares dos desaparecidos disseram que a Guarda Costeira teria feito buscas na área, mas sem sucesso. Há também a possibilidade de o barco ter sido interceptado por autoridades das Bahamas e seus ocupantes estarem detidos em um presídio de Fox Hill, no pais caribenho.

Segundo o DRD, um dos desaparecidos, Márcio de Souza, saiu da cidade de Sardoá (MG) para tentar entrar nos Estados Unidos atravessando a fronteira com o México, para reunir-se com parentes que moram nos EUA. Por razões desconhecidas, Márcio acabou em Nassau, nas Bahamas, de onde teria seguido para o México. O último contato com a família foi no dia 5 de novembro.

Jeniffer, prima de Márcio, fez contato com o DRD e disse que “O Márcio fez o último contato com a família no sábado, dia 5 de novembro, dizendo que faria a travessia para os EUA no domingo. Depois disso ele sumiu e ninguém mais dá notícia de seu paradeiro. Já fiz contato também com a polícia de fronteira dos EUA, com o Departamento de Imigração, com o consulado brasileiro, mas ninguém sabe de nada. Não falam se ele foi morto ou preso, e isso faz aumentar nossa agonia”.

Jeniffer disse também ao jornal valadarense que eles perderam o contato com os ‘coiotes’ (traficantes de imigrantes ilegais) contratados para fazer a travessia. “A família estava acompanhando a viagem através dos ‘coiotes’ que residem na região de Governador Valadares, mas depois que o Márcio foi atravessar eles bloquearam os números, e ninguém mais consegue falar com eles”, disse Jeniffer ao DRD.

O Itamaraty já está a par do caso, mas não pode divulgar legalmente os nomes envolvidos enquanto o caso estiver em aberto. Participa, entretanto, dos esforços para ajudar na busca dos desaparecidos.

A rota de entrada de imigrantes ilegais no país através das Bahamas tem se tornado popular depois que aumentou a vigilância na fronteira com o México. Menos de 100 milhas separam as Bahamas de Miami, e as rotas de tráfico humano usam essa facilidade para contrabandear imigrantes, cobrando me média $8 mil pela travessia.

No começo do ano, um grupo de dez brasileiros foi preso em um resort das Bahamas, de onde pretendiam entrar ilegalmente no país. Cinco já haviam tentado antes e foram deportados dos Estados Unidos.

No mês passado, a polícia desbaratou uma rede de tráfico ilegal de pessoas que trazia brasileiros pela mesma rota.