Mais de um terço das cerca de 220 mil pessoas presas pelo ICE (Immigration and Customs Enforcement) nesses primeiros nove meses de governo não tinha nenhum antecedente criminal, segundo dados obtidos pelo Deportation Data Project da UC Berkeley. São quase 75 mil pessoas que foram alvo de operações que o governo dizia serem para “os piores criminosos”.
O levantamento cobre prisões entre 20 de janeiro e 15 de outubro de 2025, mas não inclui ações da Border Patrol, que tem intensificado operações em cidades como Chicago, Los Angeles e Charlotte. Em New Orleans, as buscas seguem ativas.
A maioria dos presos pelo ICE são homens, principalmente mexicanos, seguidos por guatemaltecos e hondurenhos. Mais de 60% tinham entre 25 e 45 anos. Especialistas em imigração alertam que essas prisões estão prejudicando empresas que dependem de trabalhadores migrantes, mostrando que a política de “mão dura” tem custo econômico real.
Atualmente, o ICE mantém cerca de 65 mil migrantes detidos, e quase 23 mil saíram do país por “partida voluntária”. Para críticos, os dados confirmam que a narrativa do governo sobre perseguir somente criminosos graves não se sustenta na prática.
