As afirmações foram feitas na terça-feira (20), enquanto o presidente Donald Trump detalhava seu projeto de criação de um Conselho de Paz, que teria como objetivo atuar na mediação de conflitos internacionais, com atenção inicial voltada à Faixa de Gaza. Ele sugeriu que o órgão poderia funcionar como um fórum alternativo de negociação e reconstrução, reunindo líderes considerados influentes fora do eixo tradicional europeu. Nesse contexto, Lula foi citado nominalmente. “Eu gosto dele”, afirmou Trump, ao dizer que o brasileiro teria um “grande papel” na iniciativa.
Embora Trump e Lula mantenham posições divergentes em temas como meio ambiente, comércio internacional e multilateralismo, o presidente americano destacou a capacidade do líder brasileiro de dialogar com diferentes blocos políticos e com países em desenvolvimento — uma característica que, segundo ele, seria essencial para o funcionamento do novo conselho.
O governo brasileiro confirmou que recebeu formalmente o convite para que Lula integre o Conselho de Paz, mas ressaltou que nenhuma decisão foi tomada até o momento. De acordo com informações do Palácio do Planalto, o presidente e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, estão avaliando internamente os impactos diplomáticos, políticos e institucionais de uma eventual participação.
Fontes do governo indicam que o Brasil analisa não apenas o escopo do conselho proposto por Trump, mas também sua legitimidade internacional e sua relação com organismos multilaterais já existentes, como a Organização das Nações Unidas (ONU).
A iniciativa do presidente dos EUA surge em um momento delicado da política externa americana, no qual o presidente enfrenta desgastes com aliados europeus em diversas frentes. Além disso, seu posicionamento em relação à Groenlândia provocou desconforto dentro da Otan.
Em entrevistas, Trump sugeriu explicitamente que o Conselho de Paz poderia, no futuro, assumir funções semelhantes às da ONU na mediação de conflitos. Ele criticou a Organização das Nações Unidas por não ter sido “útil o suficiente” em várias situações e deixou em aberto a possibilidade de que sua iniciativa seja vista como uma alternativa ou complemento ao órgão.
