O delegado da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, apresentou atualizações sobre a investigação de maus-tratos contra o cão Orelha e explicou que a atuação da Polícia Civil prioriza a causa animal. Ele também ressaltou que o sigilo sobre a identidade dos suspeitos respeita a legislação vigente.
“É importante esclarecer que é vedada a divulgação de imagens, fotos e nomes dos investigados e que a responsabilização se dá perante a autoridade judicial, que vai, de acordo com as medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, impor uma sanção penal a eventuais autores dessa prática delitiva”, afirmou.
Foram abertos dois inquéritos: um para apurar a morte do animal e outro pelo crime de coação. Mais de 20 pessoas já foram ouvidas pelas autoridades, que apreenderam celulares e outros equipamentos eletrônicos dos jovens, os quais ainda devem ser analisados pelos agentes.
A polícia indiciou três familiares — entre eles os pais e um tio — acusados de coagir uma testemunha no inquérito que investiga a morte do animal. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.
Na segunda-feira (26), agentes cumpriram mandados de busca e apreensão nas residências dos adolescentes citados no caso e em outros endereços relacionados a atos ilícitos na Praia Brava, além de imóveis ligados a adultos que teriam coagido testemunhas. A polícia procurava uma arma de fogo supostamente utilizada nas ameaças, mas o objeto não foi localizado.
As famílias de dois dos adolescentes citados no inquérito divulgaram notas públicas negando a participação dos filhos no caso. Elas afirmam que os jovens são alvo de acusações injustas nas redes sociais, que vêm sofrendo ameaças e exposição de dados pessoais, e reforçam que repudiam qualquer forma de maus-tratos a animais.
Em uma das manifestações, os pais sustentam que o filho “não tem qualquer relação com o fato” e destacam que um vídeo que circula nas redes sociais não mostraria o adolescente. Os familiares dizem confiar no trabalho das autoridades e que estão colaborando com a investigação.
Repercussão do crime e reforço policial
A morte de Orelha ultrapassou as fronteiras brasileiras após a confirmação de que dois dos adolescentes investigados estão na Flórida, participando de uma viagem que, segundo as autoridades, já estava programada antes do início das investigações. A presença dos jovens nos Estados Unidos gerou manifestações de cidadãos locais, com pedidos de expulsão e questionamentos sobre a manutenção dos vistos das famílias.
A expectativa é que eles retornem ao Brasil na próxima semana, mas a data e o horário exatos não foram divulgados. A polícia está organizando um esquema especial de segurança para evitar conflitos, protestos ou tumultos no momento do desembarque. A medida visa preservar a integridade dos investigados e de cerca de 113 outros jovens que participam da mesma excursão e não têm relação com o caso, além de passageiros e trabalhadores do terminal.
Por serem menores de idade, os responsáveis pela morte de Orelha não podem ser presos e estão sujeitos à aplicação de medidas socioeducativas, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
