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Cão volta a andar após terapia experimental com polilaminina

Ele recebeu aplicações da substância diretamente na região lesionada da medula, associadas a um protocolo intensivo de fisioterapia

A recuperação parcial da locomoção em cães traz novas perspectivas de tratamento para pessoas e animais com lesões medulares graves. (Foto: Reprodução/TV)
A recuperação parcial da locomoção em cães traz novas perspectivas de tratamento para pessoas e animais com lesões medulares graves. (Foto: Reprodução/TV)

Um cachorro com paralisia voltou a andar após ser submetido a uma terapia experimental com polilaminina, uma proteína sintética estudada por seu potencial de estimular a regeneração da medula espinhal. Teodoro havia perdido os movimentos das patas traseiras em razão de uma lesão grave na coluna. Ele recebeu aplicações da substância diretamente na região lesionada da medula, associadas a um protocolo intensivo de fisioterapia. Ao longo das semanas, começaram a surgir sinais de resposta neurológica, como reflexos mais intensos, tentativas de apoio das patas e, posteriormente, o retorno parcial da marcha — fato que chamou a atenção da equipe médica e do público.

A pesquisa foi desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e envolveu seis cães com paralisia causada por lesão medular crônica, condição considerada irreversível pela medicina convencional. De acordo com os pesquisadores, quatro dos seis animais apresentaram melhora motora significativa, incluindo a recuperação parcial da capacidade de locomoção.

O trabalho foi publicado em uma revista científica especializada, a Frontiers in Veterinary Science, e descreve os resultados observados ao longo do acompanhamento dos animais. A publicação ressalta que o tratamento se mostrou seguro no contexto experimental, mas reforça que os dados ainda são iniciais.

A polilaminina é um biomaterial inspirado na laminina, proteína naturalmente presente no organismo e fundamental para a organização dos tecidos. Segundo a coordenadora da pesquisa, a neurocientista Tatiana Sampaio, a substância não regenera diretamente os neurônios, mas atua modificando o ambiente celular da medula espinhal. Ela funciona como uma espécie de ponte biológica, permitindo que sinais nervosos voltem a circular.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou recentemente o início de ensaios clínicos formais (fase 1) para avaliar a segurança da polilaminina em seres humanos. A terapia já foi testada, de forma experimental, em oito pacientes com lesão medular completa e mostrou que seis deles (75%) apresentaram melhora motora significativa, ou seja, recuperaram algum controle de movimentos após o tratamento experimental. A melhora incluiu o controle de movimentos voluntários, ainda que não necessariamente total ou com capacidade plena de andar em todos os casos.

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