Brasil Estados Unidos

EUA avaliam classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

A designação facilitaria operações de inteligência contra redes de lavagem de dinheiro

A legislação brasileira estabelece que a classificação como terrorismo exige motivação política, ideológica ou religiosa, o que não caracteriza as atividades dessas organizações (Foto: Freepik)
A legislação brasileira estabelece que a classificação como terrorismo exige motivação política, ideológica ou religiosa, o que não caracteriza as atividades dessas organizações (Foto: Freepik)

A inclusão de duas das maiores facções criminosas do Brasil na lista de Foreign Terrorist Organizations (FTO) poderá provocar repercussões diplomáticas entre Estados Unidos e Brasil. A possibilidade foi revelada em reportagem do UOL, baseada em fontes diplomáticas e autoridades envolvidas nas discussões dentro do governo americano. Segundo a apuração, a proposta estaria sendo analisada por diferentes órgãos da administração do presidente Donald Trump e faz parte de uma estratégia mais ampla adotada pelo governo dos Estados Unidos para ampliar o combate ao crime organizado transnacional.

De acordo com o portal de notícias, autoridades brasileiras teriam sido informadas previamente sobre a iniciativa. O chanceler Mauro Vieira foi comunicado por interlocutores em Washington e buscou contato com o secretário de Estado Marco Rubio no sábado, 7 de março. No entanto, até o momento, não há registro de anúncio oficial ou declaração pública de Trump confirmando a medida.

Além da ampliação das ferramentas de investigação e cooperação internacional, essa designação produz efeitos legais imediatos, como o congelamento de ativos financeiros ligados às organizações em território americano, a proibição de apoio material ou financeiro por cidadãos ou empresas dos EUA e restrições de visto e imigração a pessoas associadas aos grupos.

Especialistas em segurança internacional apontam que a classificação também facilita operações financeiras e de inteligência contra redes de lavagem de dinheiro, além de ampliar a cooperação entre agências de segurança de diferentes países.

A discussão ocorre em meio à crescente preocupação internacional com a expansão das facções criminosas brasileiras. Analistas apontam que essa medida, associada ao alto grau de organização e à capacidade de atuação em diversos países, passou a ser visto por autoridades americanas como uma ameaça crescente à segurança regional e internacional. Apesar da preocupação compartilhada com o avanço do crime organizado, a proposta enfrenta resistência do governo brasileiro, que considera que as facções se enquadram juridicamente como organizações criminosas, mas não como grupos terroristas.

Com informações do UOL.

Compartilhar Post: