Com mais de 130 confirmações até o início de março, a Flórida ocupa a terceira posição no ranking nacional. No ano passado, foram registrados menos de dez casos ao longo de todo o ano. A maior concentração de ocorrências está no condado de Collier County, responsável por cerca de três quartos das infecções confirmadas.
Dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) indicam que o país registrou 1.281 casos de sarampo até 5 de março, distribuídos por mais de 30 estados. O número sinaliza uma escalada precoce em 2026, com múltiplos surtos simultâneos — um padrão que não era observado com essa intensidade há anos.
O avanço da doença ocorre em paralelo à redução da cobertura vacinal. Segundo o CDC, apenas 92,5% das crianças em idade escolar receberam a vacina tríplice viral (MMR) no último ciclo analisado. O necessário para garantir a imunidade coletiva é um mínimo de 95% de vacinados. Embora a diferença aparente ser pequena, ela é suficiente para reabrir espaço para a circulação do vírus.
Em doenças altamente contagiosas, como o sarampo, pequenas quedas na taxa de imunização ampliam de forma desproporcional o risco de surtos. Os dados mais recentes reforçam essa relação: entre 92% e 95% dos infectados não estavam vacinados ou tinham histórico vacinal desconhecido. A transmissão, portanto, concentra-se principalmente em grupos não imunizados, onde o vírus encontra menor resistência.
O sarampo é uma das doenças infecciosas mais transmissíveis conhecidas. O vírus pode permanecer suspenso no ar por até duas horas e infectar até 90% das pessoas não vacinadas que entram em contato com um paciente contaminado.
A infecção começa com febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, e evolui para manchas vermelhas que se espalham pelo corpo. Pessoas com suspeita de sarampo devem adotar medidas imediatas para mitigar a propagação, como manter isolamento, evitar contato com outras pessoas, procurar orientação médica antes de se deslocar a uma unidade de saúde e seguir rigorosamente as recomendações clínicas.
O CDC também orienta que indivíduos não vacinados expostos ao vírus procurem imunização em até 72 horas, o que pode reduzir o risco de desenvolvimento da doença. Estimativas do órgão indicam que, em caso de contaminação, uma em cada cinco pessoas não vacinadas poderá necessitar de hospitalização, e uma a cada mil evoluirá para encefalite. Além disso, de uma a três pessoas a cada mil infectados podem morrer, mesmo com assistência médica adequada.
Na Flórida, a vacina tríplice viral está disponível em departamentos de saúde dos condados, consultórios médicos e pediátricos, redes de farmácias habilitadas, bem como em programas públicos voltados a pessoas sem seguro. O esquema recomendado prevê duas doses: a primeira entre 12 e 15 meses de idade e a segunda entre 4 e 6 anos. Em adultos não imunizados, a vacinação também é indicada. Duas doses garantem cerca de 97% de proteção.
