De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), sete pessoas foram denunciadas por integrar a organização, que oferecia um “pacote completo” para obtenção de visto americano. Uma mulher foi apontada como líder e teve a prisão preventiva solicitada, mas teria fugido para os Estados Unidos e pode ser incluída na lista de procurados da Interpol.
A organização criminosa atuava em Goiás e cobrava até R$ 10 mil pelas fraudes. O serviço incluía a inserção de informações falsas em formulários oficiais do governo americano, como o DS-160, e a produção de documentos fraudulentos para simular vínculos empregatícios e capacidade financeira no Brasil.
Entre os materiais falsificados estavam contracheques, declarações de trabalho e registros que indicavam ligação com órgãos públicos — elementos que aumentam as chances de aprovação em processos consulares. Uma conta ligada ao grupo movimentou mais de R$ 5 milhões, o que reforça suspeitas de lavagem de dinheiro. A denúncia também aponta episódios de intimidação de testemunhas, o que levou à inclusão do crime de coação no curso do processo.
Apesar de os fatos investigados remontarem ao período de atuação do grupo — entre 2017 e 2019 —, a denúncia só foi apresentada agora porque o caso envolveu uma apuração complexa, com necessidade de análise detalhada de documentos, cruzamento de dados bancários e cooperação entre diferentes órgãos. Segundo fontes ligadas à investigação, houve ainda dificuldade em rastrear a extensão da atuação do grupo e identificar todos os beneficiários do esquema.
