No sábado (28), cerca de 8 milhões de pessoas foram às ruas em todo o país em protestos em defesa dos direitos civis e contra o endurecimento das políticas migratórias e as ações militares recentes. O ator Robert De Niro e a atriz Jane Fonda participaram das manifestações e fizeram críticas contundentes ao presidente Donald Trump, reforçando seu posicionamento de oposição às políticas adotadas pelo governo.
Além dos tradicionais polos urbanos, os atos também ocorreram em regiões suburbanas e até em áreas historicamente conservadoras, totalizando mais de três mil manifestações simultâneas. O epicentro simbólico foi a região de Minneapolis e Saint Paul, em Minnesota, onde operações recentes de imigração resultaram na morte de dois cidadãos americanos.
Em Nova York, as concentrações foram registradas em áreas como Manhattan, com manifestantes carregando cartazes com frases como “Democracy, not monarchy” e “No Kings in America”. Já na cidade de Boston, polo de uma das maiores concentrações de brasileiros nos EUA, os atos ocorreram principalmente em áreas centrais e simbólicas, como o entorno do Boston Common e da sede do governo estadual. O movimento contou com a participação expressiva de estudantes de instituições como Harvard University e Massachusetts Institute of Technology (MIT), além de professores, pesquisadores e organizações civis ligadas à defesa de direitos humanos.
A mobilização também teve alcance internacional. Cidades europeias como Paris, Londres e Roma registraram atos organizados por americanos no exterior e grupos de solidariedade, evidenciando o impacto global da política dos Estados Unidos.
Manifestações do movimento “No Kings” na Flórida
Tradicional reduto conservador e decisivo em eleições nacionais, o estado apresentou um cenário de mobilização mais heterogêneo do que o esperado, com atos espalhados por diferentes regiões. Em Miami, milhares de pessoas participaram de marchas que reuniram desde ativistas pelos direitos de imigrantes até organizações comunitárias e lideranças locais. A pauta migratória foi o principal destaque na cidade, que possui forte presença de comunidades latino-americanas, com discursos que enfatizaram o impacto direto das políticas federais sobre famílias imigrantes e trabalhadores.
O mesmo ocorreu em Orlando, onde cartazes e palavras de ordem refletiram preocupações com direitos civis, custo de vida e acesso a serviços públicos, ampliando o escopo das reivindicações. Na região de Tampa e St. Petersburg, na costa oeste, os atos também reuniram de centenas a milhares de pessoas, em manifestações majoritariamente pacíficas, com marchas organizadas e presença de famílias.
Em West Palm Beach, por outro lado, foram registradas contramanifestações de apoiadores do governo, o que levou a episódios de confrontos verbais e exigiu maior atuação das forças de segurança para evitar escaladas.
Um dos aspectos mais simbólicos foi a realização de atos em áreas tradicionalmente conservadoras do estado, o que sugere que, mesmo em regiões historicamente alinhadas ao governo, há sinais de insatisfação e maior disposição para o engajamento político nas ruas. Em um cenário eleitoral sempre decisivo, o que se viu nas ruas pode antecipar disputas ainda mais intensas nos próximos meses.
