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Universidade da Flórida realiza testes com casas pré-fabricadas para avaliar resistência a furacões

O objetivo é verificar quais sistemas de instalação e ancoragem oferecem maior proteção aos moradores

Nos últimos anos, tempestades como Ian, Idalia e Helene expuseram fragilidades em diferentes tipos de moradia, especialmente entre famílias de baixa renda (Foto: Julie Joseph/Wikimedia Commons)
Nos últimos anos, tempestades como Ian, Idalia e Helene expuseram fragilidades em diferentes tipos de moradia, especialmente entre famílias de baixa renda (Foto: Julie Joseph/Wikimedia Commons)

Cientistas da Florida International University (FIU), em parceria com a University of Kansas e a University of Alabama, iniciaram uma série de testes inéditos para avaliar como casas pré-fabricadas respondem aos ventos extremos de furacões. O objetivo é verificar quais sistemas de instalação e ancoragem oferecem maior proteção aos moradores desse tipo de residência, amplamente utilizada em estados como Flórida, Texas e Louisiana.

Os experimentos são realizados no laboratório “Wall of Wind”, em Miami, referência internacional em estudos sobre resistência estrutural a furacões. Criado há duas décadas na FIU, o centro é o único laboratório universitário dos Estados Unidos capaz de simular ventos equivalentes aos de um furacão de categoria 5. A estrutura utiliza 12 ventiladores industriais que geram rajadas de até 150 milhas por hora, além de reproduzir chuva intensa e turbulência atmosférica semelhantes às registradas em tempestades reais.

Os primeiros resultados mostram que casas instaladas com sistemas modernos de reforço estrutural e ancoragem metálica permaneceram relativamente estáveis, mesmo sob ventos extremos. Já estruturas montadas sob padrões mais antigos se deslocaram, inclinaram e até se levantaram parcialmente do solo durante as simulações.

Além de avaliar os danos estruturais, os cientistas também monitoram o comportamento de telhados, janelas, portas, sistemas de fixação e conexões metálicas. Os dados coletados poderão influenciar futuras atualizações nos códigos de construção americanos. Ao longo dos anos, o “Wall of Wind” já testou arranha-céus, painéis solares, turbinas eólicas, pontes, fachadas comerciais, postes de energia e sistemas de cobertura. Pesquisas conduzidas no local contribuíram para mudanças em normas de engenharia adotadas em diversos estados americanos.

Segundo estimativas das autoridades habitacionais dos Estados Unidos, cerca de 22 milhões de pessoas vivem atualmente em moradias pré-fabricadas no país. Muitas dessas estruturas foram construídas sob normas antigas de segurança e acabam ficando mais expostas durante eventos climáticos severos.

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