No recurso protocolado em 17 de junho, o governo federal tenta impedir, na Justiça, a restauração de informações sobre mudanças climáticas, direitos civis, escravidão e diversidade, cuja retirada de parques nacionais e monumentos históricos foi determinada por Donald Trump. As remoções decorrem de uma ordem executiva assinada pelo presidente em março de 2025, que estabeleceu a revisão dos conteúdos exibidos em parques nacionais, memoriais e monumentos federais.
Dois dias depois, no dia 19, a administração foi obrigada a divulgar, pela primeira vez, um inventário detalhando o que havia sido removido dos parques nacionais. Exposições sobre direitos civis no National Mall, em Washington; e conteúdos sobre escravidão na histórica President’s House, na Filadélfia, foram retirados. Materiais relacionados aos direitos das mulheres, aos povos indígenas e a outras comunidades historicamente marginalizadas também constam da relação.
Os documentos judiciais revelam ainda as justificativas adotadas pelo governo Trump para as exclusões. Nos casos envolvendo direitos civis, escravidão, diversidade e populações indígenas, o motivo alegado foi que os conteúdos “desprestigiam americanos do passado ou do presente”. Já os materiais relativos à ciência e ao meio ambiente foram classificados como “não relacionados à beleza, abundância e grandiosidade da paisagem nacional”.
O recurso foi motivado pela decisão da juíza federal Angel Kelley, que concluiu que a retirada das informações violou leis federais que regulam o funcionamento do sistema de parques nacionais. Segundo ela, a legislação exige que esses locais preservem e apresentem ao público a história e os recursos naturais do país de maneira fiel e abrangente.
Ao determinar a restauração dos conteúdos, Kelley afirmou que excluir essas referências, bem como as contribuições de diferentes grupos sociais, impede que a história americana seja apresentada de forma completa. A decisão determinou que todo o material fosse restaurado antes das comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, previstas para 4 de julho.
Governo defende nova abordagem
O Departamento do Interior rejeita as acusações de censura. Em nota enviada à imprensa, afirmou que conteúdos considerados “politicamente carregados” ou que “denegririam os Pais Fundadores” não deveriam ocupar espaço em áreas administradas pelo governo federal.
Segundo a administração, o objetivo é fortalecer uma compreensão comum da história dos Estados Unidos e incentivar os visitantes a conhecer os parques nacionais sob uma perspectiva que valorize os feitos do país.
Com informações da Reuters.
