Comunidade Local

Brasileiro preso por morte de ex-namorada na Flórida entra na mira da imigração dos EUA

Caso seja condenado ou liberado pela Justiça estadual, o acusado poderá permanecer sob custódia federal enquanto responde a um eventual processo de deportação

A audiência do acusado foi realizada por videoconferência, diretamente do Lee County Jail, com o auxílio de um intérprete de português (Foto: Reprodução Redes sociais)
A audiência do acusado foi realizada por videoconferência, diretamente do Lee County Jail, com o auxílio de um intérprete de português (Foto: Reprodução Redes sociais)

Willian Rosa Do’Amaral, 26, que confessou ter matado a tiros a ex-namorada Júlia Pereira Caldeira Lima, 21, passou a ser alvo das autoridades federais de imigração dos Estados Unidos. Durante a audiência inicial do caso, um juiz do Condado de Lee determinou a emissão de um detainer do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) após o acusado informar que tinha uma audiência marcada na Corte de Imigração para o próximo ano.

Esse tipo de ordem determina que a agência federal seja comunicada antes de uma eventual soltura do acusado para avaliar sua transferência à custódia das autoridades de imigração. Na prática, a medida não interfere no andamento do processo criminal, que continuará sendo conduzido pela Justiça da Flórida. Caso seja condenado ou venha a ser liberado pela Justiça estadual, o brasileiro poderá permanecer sob custódia federal enquanto responde a um eventual processo de remoção do território americano.

Do’Amaral permanece preso sob acusação de homicídio de segundo grau pela morte da brasileira, ocorrida na manhã de segunda-feira (27), em um apartamento do condomínio Village Creek Apartments, em Fort Myers, na Flórida. Ele se apresentou voluntariamente às autoridades poucas horas após o crime.

Pouco antes de se entregar, Do’Amaral gravou um vídeo destinado a familiares e amigos. Segundo pessoas que tiveram acesso ao conteúdo, ele afirma ter cometido “uma besteira” e informa que pretendia se apresentar à polícia.

Júlia Pereira Caldeira Lima nasceu nos Estados Unidos, era filha de brasileiros e tinha dupla cidadania. Passou parte da adolescência na Bahia antes de retornar à Flórida com a família, há cerca de 11 anos.

Em entrevista ao portal de notícias G1, o avô da jovem, Luiz Carlos Gantois Santos, contou que os pais dela são baianos e emigraram para os Estados Unidos antes do nascimento da filha. Durante uma crise econômica, a família retornou ao Brasil e passou a viver em Guarajuba, na Região Metropolitana de Salvador. Após a separação dos pais, Júlia morou por um período com os avós.

Ela havia concluído a faculdade e trabalhava como assistente médica. A jovem tinha viagem marcada para a Bahia entre o fim de julho e o início de agosto, quando pretendia passar férias com a família e iniciar um tratamento odontológico. Agora, os familiares aguardam a liberação do corpo pelas autoridades americanas para realizar a cremação nos Estados Unidos.

Relato da família aponta ciúmes e perseguição após o término

Embora a polícia ainda não tenha divulgado a motivação do crime, familiares de Júlia afirmam que o relacionamento dela com Do’Amaral havia terminado poucos dias antes do assassinato. Segundo os relatos, o namoro durou cerca de dois meses e passou a ser marcado por episódios de ciúmes excessivos, comportamento controlador e insistência para que a relação evoluísse rapidamente.

De acordo com a família, o acusado não aceitou o fim do relacionamento e passou a perseguir a vítima e a fazer ameaças. Na manhã do crime, Júlia teria percebido a aproximação do ex-namorado armado quando deixava o apartamento. Ela tentou retornar ao prédio e correu em direção às escadas. Em seguida, moradores acionaram a polícia após ouvirem diversos disparos.

Com informações do G1.

Compartilhar Post: