O crescimento do uso de bicicletas e patinetes elétricos no sul da Flórida vem acompanhado de aumento expressivo nos acidentes. O Memorial Healthcare System, em Broward, registrou alta de 178% em atendimentos graves relacionados a esses veículos desde 2024.
No Nicklaus Children’s Hospital, casos graves com crianças e adolescentes saltaram de seis, em 2021, para 37, em 2025, aumento de 500%. Até maio deste ano, o hospital já havia contabilizado 46 ocorrências. Entre as lesões mais frequentes estão traumatismos na cabeça e no rosto, fraturas e danos a órgãos internos.
A velocidade explica a gravidade dos acidentes. Dependendo do modelo, uma e-bike chega a 28 milhas por hora, cerca de 45 km/h. Segundo o Memorial, 82% dos pacientes atendidos depois de acidentes não usavam capacete e 44% dos casos registrados em 2025 envolveram menores de 18 anos.
Com o avanço de ocorrências, cidades de Miami-Dade começaram a endurecer as regras. Em Sunny Isles Beach, menores de 16 anos não podem conduzir e-bikes, o uso nas calçadas foi proibido e as multas começam em $250. Pinecrest exige curso de segurança para menores de 16 anos com determinados modelos, e Miami Beach proibiu esses veículos em calçadas, no Beachwalk, em Lincoln Road e outras áreas de grande circulação.
Mas as normas mudam de uma cidade para outra. A lei da Flórida trata e-bikes como bicicletas convencionais, dispensa carteira de motorista e registro e permite que governos locais definam restrições próprias. O resultado é que uma prática permitida em um município pode render multa poucos quilômetros adiante.
