A Suprema Corte dos Estados Unidos suspendeu uma decisão do Tribunal Federal de Massachusetts que havia barrado a política do governo Trump de deportar imigrantes para países diferentes dos seus locais de origem. Com isso, essas deportações podem ser retomadas enquanto o caso continua na Justiça. A Suprema Corte deve analisar a disputa em dezembro.
Na prática, quando uma pessoa com ordem de deportação não pode ser enviada ao país de origem, o governo pode buscar um terceiro país disposto a recebê-la. Isso significa que um brasileiro, por exemplo, pode acabar enviado para um país onde nunca viveu.
O governo sustenta que, quando recebe garantias consideradas confiáveis de que a pessoa não sofrerá perseguição ou algum perigo no destino, a deportação pode ocorrer sem procedimentos adicionais. Na ausência dessas garantias, o imigrante deve ser informado e pode manifestar temor de sofrer violência no país para o qual será enviado.
Levantamento da Forbidden Stories aponta que mais de 25 mil pessoas já foram deportadas pelos EUA para terceiros países, a maioria para o México. Entre elas estão mais de 40 brasileiros levados à Costa Rica, Libéria e Guiné Equatorial.
Grupos de defesa contestam o procedimento e defendem que os deportados sejam informados com antecedência e tenham oportunidade de apresentar possíveis riscos. Relatores de direitos humanos da ONU também pediram aos Estados Unidos que interrompam essas remoções, citando preocupações com perseguição e tortura.
