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Brasileiro que viveu 15 anos sem documentos nos EUA disputa vaga no Parlamento da Flórida

Naturalizado americano, Felipe Sousa-Lazaballet concorre pelo Partido Democrata e pode se tornar o primeiro ex-beneficiário do DACA a integrar o Legislativo estadual

Felipe participou da articulação de serviços de assistência às vítimas e familiares do massacre da boate Pulse, ocorrido em junho de 2016 na cidade de Orlando (Foto: Redes sociais)
Felipe participou da articulação por serviços de assistência às vítimas e familiares do massacre da boate Pulse, ocorrido em junho de 2016 na cidade de Orlando (Foto: Redes sociais)

Depois de viver cerca de 15 anos em situação migratória irregular nos Estados Unidos, Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, disputa uma vaga na Câmara dos Representantes da Flórida pelo Partido Democrata. Naturalizado americano em 2021, ele concorre nas eleições de 3 de novembro pelo Distrito 42, na região metropolitana de Orlando, e, se eleito, poderá se tornar o primeiro ex-beneficiário do programa federal DACA a integrar o Legislativo estadual.

Natural de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o brasileiro chegou ao país aos 14 anos e passou parte da juventude sem documentação. Em janeiro de 2010, ganhou projeção nacional ao participar, com outros três jovens imigrantes, de uma caminhada de cerca de 2.400 quilômetros entre Miami e Washington, D.C. A manifestação buscava pressionar o governo do então presidente Barack Obama a promover mudanças na legislação migratória.

Conhecida como Caminhada dos Sonhos, a mobilização durou cerca de quatro meses e integrou um movimento nacional em defesa dos chamados Dreamers, jovens que chegaram ao país ainda crianças e cresceram sem autorização legal de permanência. A pressão exercida pelo movimento contribuiu para a criação, em 2012, do Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA), programa que passou a oferecer proteção temporária contra a deportação e autorização de trabalho a determinados imigrantes que atendiam aos critérios estabelecidos pelo governo federal.

Sousa-Lazaballet foi beneficiado pelo programa, que lhe permitiu obter autorização para trabalhar legalmente aos 26 anos. Posteriormente, conseguiu o green card por meio de uma petição familiar. Em 2020, quando se casou com Luis Sousa-Lazaballet, já possuía o documento. No ano seguinte, conquistou a cidadania americana.

Ao longo desse período, construiu carreira em organizações de defesa dos direitos dos imigrantes e da comunidade LGBTQ+, com passagens pela United We Dream e pela GetEQUAL. Também trabalhou durante cinco anos na administração do prefeito de Orlando, Buddy Dyer, participando de iniciativas voltadas à integração de comunidades multiculturais.

Em setembro, anunciou seu afastamento temporário da diretoria executiva do Hope CommUnity Center, organização sem fins lucrativos dedicada ao atendimento de imigrantes, refugiados e famílias em situação de vulnerabilidade.

Na disputa pelo Distrito 42, Sousa-Lazaballet enfrenta a republicana Bonnie Jackson. A cadeira é atualmente ocupada pela democrata Anna Eskamani, impedida de concorrer a um novo mandato consecutivo devido aos limites estabelecidos pela legislação estadual. A parlamentar apoiou a candidatura do brasileiro, que chegou à eleição geral sem enfrentar adversários nas primárias democratas.

Entre as principais propostas do brasileiro estão medidas para enfrentar o aumento do custo de vida, ampliar a oferta de moradias acessíveis, fortalecer o financiamento das escolas públicas e melhorar o acesso aos serviços de saúde.

Com informações da Folha de S.Paulo, Orlando Weekly e ClickOrlando.

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