Imigração

Custo de vida elevado leva brasileiros no exterior a reconsiderar volta ao país

Interesse pelo retorno teria aumentado até 50% entre profissionais no exterior, segundo estimativa do setor de recrutamento; Itamaraty também identifica crescimento desse movimento.

Custos elevados e questões familiares estão entre os fatores que levam brasileiros a considerar o retorno ao país. Foto: Wikimedia Commons

O aumento do custo de vida no exterior, a distância da família e, em alguns casos, o medo da deportação nos EUA têm levado brasileiros que vivem há anos fora do país a reconsiderar os planos. Profissionais que construíram carreiras nos Estados Unidos e na Europa avaliam a possibilidade de voltar ao Brasil diante de aluguéis elevados, da perda de poder de compra e de incertezas sobre o futuro.

Segundo estimativas do setor de recrutamento executivo, o interesse de profissionais que vivem no exterior em retornar ao Brasil aumentou entre 30% e 50% nos últimos 12 a 18 meses. O Itamaraty reconheceu, em fevereiro de 2026, um aumento no retorno de brasileiros, associado às mudanças nas políticas migratórias e à melhora do mercado de trabalho brasileiro.

Nos EUA, onde vivem cerca de 2,1 milhões de brasileiros, pesam principalmente os custos de moradia e serviços, além da distância dos familiares, especialmente dos pais idosos. O endurecimento da fiscalização migratória acrescenta outra preocupação. Entre os indocumentados, há relatos de pessoas que consideram voltar ao Brasil para evitar uma possível deportação.

Em Portugal, o movimento já aparece em números oficiais. Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) mostram que os pedidos de brasileiros por assistência ao retorno voluntário cresceram 52% entre janeiro e julho de 2026, em comparação com 2025. Foram 470 solicitações nos primeiros sete meses do ano.

Apesar desses sinais, ainda não há dados nacionais consolidados que permitam medir quantos brasileiros estão deixando o exterior voluntariamente. A decisão de voltar envolve questões financeiras, perspectivas profissionais e vínculos familiares.

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