O governador da Flórida, Ron DeSantis, comparou o resultado das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos a um evento de extinção para o Partido Republicano, após o avanço democrata que garantiu à oposição o controle da Câmara dos Representantes e do Senado. Em entrevista coletiva realizada na quarta-feira (4), em Tallahassee, ele afirmou que a dimensão das derrotas poderá comprometer a presença política da legenda em diversas regiões do país por uma década ou mais e que os resultados refletem uma insatisfação generalizada com a atuação do partido em âmbito federal.
“Isso não foi uma avaliação positiva dos democratas. Foi uma rejeição aos republicanos em Washington, e os democratas simplesmente acabaram sendo os beneficiários. Vimos o eleitorado mudar 20 pontos em algumas regiões do país. Vimos disputas serem perdidas que nunca imaginamos que poderíamos perder”, ressaltou.
Entre os principais problemas apontados pelo governador está a desconexão entre as mensagens das campanhas e as preocupações econômicas dos americanos. DeSantis criticou a concentração de recursos em propagandas sobre questões culturais e identidade de gênero, enquanto temas como o custo de vida, os preços dos alimentos e o encarecimento dos financiamentos imobiliários permaneciam entre as principais dificuldades enfrentadas pelas famílias.
Já o vice-presidente JD Vance atribuiu as perdas à guerra dos Estados Unidos contra o Irã, iniciada em fevereiro, que pressionou os preços dos combustíveis e ampliou o descontentamento com o custo de vida. O presidente Donald Trump também reconheceu que a guerra prejudicou o partido, embora tenha citado outros fatores para explicar o desempenho nas urnas.
A mudança no equilíbrio de forças atingiu estados tradicionalmente associados ao conservadorismo, com resultados expressivos para os democratas em disputas no Texas, Ohio, Iowa e Kansas. Além disso, terá consequências diretas para os dois últimos anos do mandato de Trump. Com maioria nas duas Casas, os democratas poderão ampliar a fiscalização sobre o Executivo, conduzir investigações e dificultar a aprovação de propostas do governo. A nova composição também afeta as indicações presidenciais que dependem da aprovação do Senado, incluindo integrantes do gabinete federal e magistrados da Suprema Corte.
Apesar do resultado nacional, a Flórida permaneceu sob controle republicano. O deputado federal Byron Donalds venceu a disputa pelo governo estadual e sucederá DeSantis, impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo. A senadora Ashley Moody também conquistou a reeleição, enquanto o partido preservou os demais principais cargos estaduais.
O cenário político também reacendeu discussões sobre o futuro de DeSantis, que encerra seu segundo mandato em janeiro de 2027 e já disputou a indicação republicana à Presidência em 2024. Segundo o New York Post, integrantes do partido voltaram a mencionar seu nome entre os possíveis participantes da disputa presidencial de 2028, embora o governador não tenha anunciado uma nova candidatura.
Com informações da Associated Press, FOX 13 Tampa Bay e New York Post.
