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Operações do ICE provoca aumento de até 40% no volume de animais abandonados na Flórida, Califórnia e Nova York

Frequentemente, vizinhos entram em casas de pessoas detidas após perceberem a ausência prolongada dos moradores, encontrando animais sem alimento ou água

O Department of Homeland Security (DHS) não reconhece o abandono de animais como parte de suas práticas operacionais (Foto: Freepik)
O Department of Homeland Security (DHS) não reconhece o abandono de animais como parte de suas práticas operacionais (Foto: Freepik)

As operações do Immigration and Customs Enforcement (ICE) têm trazido reflexos que vão além das questões políticas e humanitárias, impactando diretamente o número de animais domésticos abandonados. Estados como Flórida, Califórnia e Nova York relatam crescimento de até 40% na entrada de pets em abrigos em determinadas localidades.

Com a elevação da demanda, abrigos municipais e organizações não governamentais enfrentam dificuldades para acolher e cuidar desses animais. Muitos imigrantes são detidos de forma repentina e não conseguem avisar familiares ou amigos que poderiam assumir temporariamente o cuidado de seus pets. Como resultado, cães, gatos e outros animais acabam permanecendo sozinhos em residências vazias ou sendo encontrados vagando pelas ruas.

Frequentemente, vizinhos entram em casas de pessoas detidas após perceberem a ausência prolongada dos moradores, encontrando animais sem alimento ou água. Em outros casos, os próprios agentes públicos acionam serviços de controle animal após identificarem situações de abandono involuntário.

Além do resgate emergencial, há também o desafio de localizar os tutores — muitos dos quais ainda sob custódia ou até mesmo deportados — ou encontrar novos lares para os animais. Atualmente, não há uma diretriz federal clara que determine procedimentos para garantir o cuidado imediato desses pets no momento da detenção de seus tutores. Diante dessa lacuna, a responsabilidade acaba recaindo sobre redes informais de apoio ou serviços locais, o que contribui para respostas desiguais de acordo com a região.

Nesse cenário, cresce a pressão para que autoridades adotem medidas que minimizem o problema, como a criação de protocolos para identificar e encaminhar animais no momento da detenção, parcerias com abrigos e ONGs e a garantia de tempo mínimo para que detidos possam indicar responsáveis pelos pets. Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes destacam que a perda ou separação forçada de um animal de estimação agrava o sofrimento emocional de famílias detidas, especialmente de crianças. Em alguns casos, há tentativas de reencontro após a liberação dos imigrantes, nem sempre bem-sucedidas.

Com informações do The Washington Post, Axios e The Week.

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