Brasileiro é detido pela Imigração por estar matriculado em escola pública com visto de turista

Departamento de Educação americano alerta que prática é ilegal

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Adolescente foi detido em um abrigo em Chicago
Adolescente foi detido em um abrigo em Chicago

DA REDAÇÃO, COM UOL – O adolescente brasileiro Vitor Fraga, de 15 anos, está detido em um abrigo em Chicago (IL), após ser barrado no aeroporto de Houston (TX), no último dia 9. Assim como Vitor, outros adolescentes brasileiros já ficaram detidos neste abrigo.

De acordo com o portal UOL, Vitor viajava com a avó, carregava uma autorização dos pais para viajar desacompanhado e tinha visto de turismo nos Estados Unidos. Segundo a imigração americana, em explicação levada aos pais, ele foi detido porque estava matriculado em uma escola pública dos Estados Unidos com visto de turista. Essa prática é ilegal. “Visto de turista é para turismo, visto de estudante é para estudar”, alerta Scott D. Howat, diretor de comunicação do Orange County Public Schools. O Condado já impediu a matricula do filho de uma brasileira por portar visto de turista em Orlando.

De acordo com a família de Vitor, o adolescente e sua avó desembarcaram em Houston para pegar um voo a San Francisco, onde mora a madrinha do adolescente –a tia que fez a matrícula do adolescente na escola. “Nós [pais] não sabíamos que era uma escola pública, achamos que era um curso de inglês. Não nos atentamos a isso”, lamenta. “O objetivo dele não era o estudo, era a visita mesmo. Ele só aproveitaria para fazer algumas aulas de inglês”, disse o pai do jovem, Renato Fraga, que está nos EUA para buscar o filho.

Eles foram levados a uma sala da imigração no início da manhã de quarta, e horas depois Renato foi avisado no Brasil. “Me falaram que eu tinha que estar lá no mesmo dia, mas era impossível porque não havia voo. Comprei a primeira passagem e embarquei para Houston à noite. Mas nesse meio tempo eles separaram o Vitor da avó e liberaram ela. Desembarquei em Houston às 5h e às 5h15 ele embarcou para Chicago. Se eu tivesse conseguido chegar antes, a gente teria voltado.”

Renato seguiu para Chicago, onde procurou a imigração imediatamente. “Perguntei onde meu filho estava e o atendente simplesmente respondeu: ‘não falo com passageiro’. Eu disse que era um pai procurando o filho detido, mas o atendente falou que, ainda assim, eu era um passageiro. Virou as costas, e eu me senti um zé-ninguém ali.”

O contato do pai com a imigração passou a ser feito pelo consulado brasileiro em Chicago –que, por sua vez, entrou em contato com uma ONG que cuida dos adolescentes no abrigo. Essa ONG, chamada Heartland Alliance, destinada ao combate do tráfico infantil, é quem faz a intermediação entre consulado e imigração americana.

Foi em um escritório da ONG que Renato conseguiu encontrar o filho, na sexta-feira, conversando com Vitor por uma hora. Um representante da agência, “super-educado, sem armas nem nada”, segundo o pai, levou o adolescente para o encontro, acompanhou a conversa e depois o levou de volta para o abrigo. “Eu e o Vitor não podíamos nem nos tocar”, relata.

Renato conta que teve todo o apoio possível do consulado brasileiro em Chicago e também da companhia aérea, que avisou a Imigração americana que ele estava a caminho dos Estados Unidos para buscar o filho. “A Imigração sabia o tempo todo que eu estava indo para lá. A companhia aérea, a United Airlines, avisou eles que eu tinha embarcado, mas ignoraram essa informação.”

O Itamaraty afirmou que está acompanhando o caso do Vitor e que o Consulado do Brasil em Chicago já está em contato tanto com a família quanto com a direção do abrigo. Segundo o Itamaraty, o caso está sendo tratado como prioridade e que a liberação do rapaz, para retorno ao Brasil, depende de uma decisão final do ICE (órgão responsável pelo controle de imigração e alfândega dos EUA).

Departamento de Educação da Flórida

A porta-voz do Florida Department of Education, Audrey Walden, disse em comunicado enviado ao AcheiUSA, que as escolas matriculam todos os alunos que residem nos condados, mas podem negar a matrícula de crianças que estejam portando vistos de turista. Elas não podem, entretanto, exigir provas de que a criança está legal no País. “Apesar de não poder exigir status imigratório para a matrícula, a escola pode negar que uma pessoa que esteja portando visto de turista se matricule, já que visto de turista é para turismo e não para estudar”.