A Anistia Internacional está pedindo a extinção do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) após investigar a atuação de agentes federais em operações migratórias realizadas em diferentes partes do país.
O relatório reúne entrevistas com 154 pessoas e analisa ações realizadas em Chicago, Minneapolis–St. Paul, Nova Orleans e Washington, D.C. A investigação também inclui a atuação de agentes da Patrulha de Fronteira e de outras forças federais.
Entre os problemas apontados estão detenções arbitrárias ou discriminatórias, uso excessivo da força, repressão a protestos, vigilância de moradores e condições inadequadas nos centros de detenção. A organização afirma ainda ter identificado abordagens contra cidadãos americanos e pessoas com situação migratória regular.
Segundo a Anistia, os episódios não são casos isolados, mas fazem parte de um padrão de atuação que não seria resolvido apenas com mudanças internas. Por isso, a entidade defende o fim do ICE e a criação de um sistema de fiscalização migratória que respeite as normas internacionais de direitos humanos.
O relatório também questiona o uso de reconhecimento facial durante as operações e relata dificuldades enfrentadas por pessoas detidas para entrar em contato com advogados e familiares.
O Departamento de Segurança Interna (DHS), por sua vez, defendeu a atuação do ICE e destacou prisões de pessoas com antecedentes criminais realizadas em Chicago.
Para a Anistia Internacional, porém, as denúncias revelam problemas que vão além de episódios isolados. A organização afirma que as operações colocam em risco não apenas os imigrantes, mas também cidadãos americanos e comunidades inteiras, e defende que a fiscalização migratória seja conduzida por um sistema que respeite os direitos humanos.
