Avião com brasileiros deportados sofre pane a caminho de Confins

Segundo relatos, passageiros foram mantidos algemados por 72 horas e entraram em pânico

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Na última quinta-feira (15), 110 brasileiros deportados dos Estados Unidos embarcaram de Houston, no Texas, com destino ao aeroporto de Confins, em Belo Horizonte. Durante o voo, a aeronave sofreu uma série de problemas técnicos, sendo forçada a pousar em Miami, na Flórida, e em San Juan, em Porto Rico, retornando aos Estados Unidos na segunda-feira (19). Segundo informações obtidas pela reportagem do AcheiUSA, os passageiros ficaram cerca de 72 horas algemados dentro do avião. “Por motivos de segurança operacional, a ICE não comentará ou detalhará os cronogramas associados às operações de transporte projetadas”, respondeu o Immigration and Customs Enforcement (ICE), agência de imigração norte-americana, na noite de quinta-feira (22). 

De acordo com o depoimento de brasileiros que estavam no voo, a aeronave começou a apresentar problemas técnicos ainda em terra, no Texas, obrigando os passageiros a aguardarem a bordo por cerca de duas horas, com mãos e pés algemados, até que o avião estivesse em condições para decolar. No trajeto, a aeronave apresentou novamente problemas técnicos e parou em Miami, na Flórida, com suspeita de vazamento de combustível. Os passageiros foram mantidos a bordo por mais um longo período até o avião ser liberado.

Saindo da Flórida com destino ao Brasil, a aeronave perdeu velocidade, chegando perto de cair no oceano Atlântico, segundo relatos. “O avião chegou muito perto da água. A gente pensou que iria morrer”, disse Felipe Augusto, em áudio enviado para a redação.

“Todo mundo entrou em pânico, inclusive pessoas da tripulação”, contou Hacalias Barbosa da Silva, brasileiro capturado na fronteira de Ciudad Juárez, no México. “Mesmo com todo mundo em pânico e mulheres chorando, os agentes mantiveram a gente algemado o tempo todo”, afirmou.

Em San Juan, os passageiros não foram autorizados a sair do avião e presenciaram conflitos entre o piloto e agentes de imigração do ICE. “Ficamos muitas horas presos dentro do avião, sem ar condicionado, enquanto eles tentavam resolver o problema”, contou Felipe Araújo do Nascimento, que estava a bordo. “A gente viu os agentes de imigração discutindo com pessoas da tripulação, tinha até uma aeromoça chorando”, contou. O piloto foi substituído e, em vez de seguir com destino ao Brasil, o voo retornou para os Estados Unidos, dessa vez para o Arizona. Até a publicação desta matéria, não haviam informações oficiais sobre uma nova data de deportação para os brasileiros que estavam no avião.

A reportagem do AcheiUSA entrou em contato com o a assessoria de imprensa da ICE em Houston, de onde partiu o voo, que respondeu com a seguinte nota:

“Em 15 de setembro, um voo de remoção fretado pela IAO apresentou pequenos problemas mecânicos durante a rota para seu destino no Brasil. Com muita cautela, a tripulação tomou medidas imediatas para pousar o voo com segurança no aeroporto mais próximo em San Juan, Porto Rico. Depois de realizar uma inspeção completa, o avião foi liberado para o voo; no entanto, por motivos operacionais, não era mais viável continuar até seu destino. O voo foi devolvido aos EUA e a remoção dos migrantes a bordo será remarcada.

Não houve relatos de feridos e todos os 110 não-cidadãos a bordo estão atualmente detidos no Centro de Processamento de Serviços de Florence, no Arizona, onde têm recursos para entrar em contato com familiares e amigos. Familiares e amigos também podem entrar em contato com a instalação pelo telefone 520-868-5862 entre as 8 a.m e 4 p.m para obter mais informações sobre um indivíduo específico sob custódia – tenha em mãos as informações biográficas do indivíduo, incluindo nome completo, data de nascimento e país de origem (cidadania).

Por motivos de segurança operacional, a ICE não comentará ou detalhará os cronogramas associados às operações de transporte projetadas.

A IAO opera seus horários de voos internacionais e domésticos de acordo com os horários de partida/chegada estabelecidos, conforme as necessidades operacionais ditam.”