Câmara de Comércio organiza sua 11ª edição do seminário para investidores brasileiros

Brazilian American Chamber of Commerce terá 16 palestrantes falando a brasileiros sobre a melhor forma de investir nos Estados Unidos

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DA REDAÇÃO – O cenário nebuloso da economia no Brasil – e a ausência de perspectivas de uma melhora a médio prazo – vem fazendo com que brasileiros com dinheiro no banco para investir procurem outros países. Dentre os favoritos, estão os Estados Unidos. Porém, como saber que se está fazendo a coisa certa quando o assunto é converter seus reais para dólar e empregá-los na terra do Tio Sam? Respostas para essa pergunta nada simples podem ser encontradas, sendo dadas por especialistas, no 11º Seminário Como Ingressar no Mercado Americano, que a Brazilian American Chamber of Commerce (BACCF) organiza, em Miami, entre os dias 28 e 30 de setembro.

Interessados em participar do evento têm até o dia 21 para se inscrever, pelo e-mail business@brazilchamber.org. O evento contará com 16 palestras, divididas em três dias e com intervalos para networking e confraternização entre os participantes. O consultor empresarial Carlos Mariaca, que além de organizador do evento também é um de seus palestrantes, falou ao AcheiUSA sobre o seminário.

AcheiUSA – Qual será o tema da sua palestra?
Carlos Mariaca – O conteúdo da minha palestra, “Como Operacionalizar Uma Empresa e Fazer Negócios nos EUA”, contém detalhes dos procedimentos para a constituição de uma empresa na Flórida com donos estrangeiros e a diferença entre os tipos societários, o processo de abertura da conta bancária dessa pessoa jurídica, os procedimentos para se estabelecer um escritório, as normas e práticas para a contratação de pessoas, uma explicação e exemplo dos impostos sobre a folha de pagamentos, impostos sobre vendas, e o imposto de renda da pessoa jurídica, orientação dos requerimentos dos vistos de trabalho mais usados (L1A, H1B, L1B, E2, e EB5), e os procedimentos para se obter o Social Security (CPF americano), a carteira de motorista e como estabelecer crédito nos EUA.

AU – Há mais e mais brasileiros querendo vir aos Estados Unidos. Muitos não têm a informação correta sobre como chegar aqui e se estabelecer. Qual o equívoco mais frequente que você ouve de brasileiros interessados em vir aos EUA?
CM – Além do trabalho voluntário que exerço como membro do conselho da BACCF, também sou Sócio-Diretor da Center Group, uma empresa de consultoria com mais de 20 anos no mercado internacional com escritórios no Brasil, Argentina, Austrália, México e Estados Unidos. O foco do nosso escritório em Miami, onde sou o Sócio-Diretor desde 2004, é assessorar executivos, empresários e empreendedores da América Latina com seus processos de aprendizagem do mercado americano assim como na implementação e expansão de seus projetos no país, incluindo o gerenciamento administrativo e financeiro de suas operações nos Estados Unidos.
Portanto, tanto como membro do conselho da BACCF como profissionalmente, estou acostumado a trabalhar com pessoas que desejam vir para os EUA, e sua pergunta, de certa forma, já incluiu a resposta. O maior equivoco é não se informar da forma correta e de fontes sólidas, profissionais e confiaveis. Infelizmente o brasileiro tem uma tendência de querer fazer negócios com quem lhe diz o que quer ouvir e não com quem lhe diz o que precisa ouvir, e isso aqui é muito perigoso. As regras e regulamentos governamentais nos Estados Unidos são formatados para facilitar a geração de novos negócios, porém estes devem ser seguidos à risca. O governo americano não controla e monitora as empresas da forma que o governo brasileiro faz. Faturas não são registradas, o governo não monitora todas as entras e saídas das empresas, e muito funciona na base da confiança, portanto, quando se comprova que algo saiu fora da norma, as punições são bem severas, e por isso existe a importância de ser bem assessorado.

AU – Qual a dica mais valiosa que você pode dar a um brasileiro que planeja investir nos EUA?
CM – Invista o tempo e dinheiro necessário no início do projeto para entender o mercado americano e criar um plano de negócios, ou mesmo um plano de ação, que seja realista no mercado americano com o mínimo de “achismo” e sem assumir que certas coisas são iguais aqui e no Brasil. É um jogo complexo de obter as peças do quebra-cabeças de várias fontes (advogados, contadores, consultores, financeiros etc) e entender como as peças se encaixam. Além disso, é muito importante identificar qual o nicho de mercado em que você é competitivo. Os EUA é o maior mercado do mundo, e consomem de tudo. Se você identificar um nicho onde seu produto ou serviço for competitivo, sua probabilidade de sucesso é muito maior.