O aumento atípico da temperatura das águas costeiras acendeu um alerta sanitário grave em razão da proliferação da Vibrio vulnificus, bactéria conhecida popularmente como “comedora de carne”. O micro-organismo é responsável por uma onda atípica de infecções que já deixou ao menos sete mortos no litoral do Golfo do México. Na Flórida, onde as autoridades de saúde contabilizam ao menos 14 contaminações e dois óbitos, uma das vítimas fatais era um idoso com mais de 80 anos, morador do condado de Palm Beach.
O cenário mais crítico concentra-se na Louisiana, onde o departamento estadual de saúde confirmou nove casos graves este ano, todos com necessidade de internação hospitalar. O número de cinco mortes representa um salto expressivo em relação à média histórica registrada pelo estado na última década, que era de sete infecções e apenas uma morte por ano no mesmo período.
Apesar do apelido popular, a bactéria não consome os tecidos humanos diretamente. Ela atua liberando toxinas agressivas que destroem as camadas superficiais e profundas da pele e dos músculos, provocando um quadro de extrema gravidade conhecido na medicina como fascite necrosante.
De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), cerca de um em cada cinco infectados morre, muitas vezes em um intervalo de apenas 24 a 48 horas após a proliferação do agente no organismo. O risco de complicações sistêmicas e choque séptico é drasticamente maior em idosos e indivíduos com condições subjacentes, como hepatopatias, diabetes ou sistema imunológico debilitado.
A transmissão ocorre por meio da exposição de feridas, arranhões, cortes cirúrgicos ou tatuagens recentes à água do mar, ou ainda pela ingestão de frutos do mar crus ou malcozidos. A restrição alimentar é uma das frentes mais enfatizadas pelas autoridades sanitárias, com destaque absoluto para as ostras. Por serem organismos filtradores, esses moluscos aspiram grandes volumes de água do mar e acabam retendo e concentrando a bactéria em seus tecidos.
A Vibrio vulnificus pertence ao mesmo gênero microbiológico causador da cólera e habita águas salgadas e salobras quentes. Embora os registros históricos se concentrassem no Sul, pesquisadores alertam que a elevação das temperaturas expandiu a presença do patógeno para latitudes bem mais ao norte. Amostras recentes de água já detectaram a presença da bactéria em trechos litorâneos de Long Island, no estado de Nova York, e na Baía de Chesapeake, em Maryland.
