Biden ordena punição contra organização brasileira de tráfico de drogas

Presidente relacionou grupos de tráfico internacional de drogas à crise de opioides que os EUA enfrentam

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O presidente deixou claro que forçar uma legislação por meio do bloqueio da oposição republicana não é viável no momento (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)
Joe Biden (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

A facção criminosa brasileira PCC -Primeiro Comando da Capital- é alvo de uma ordem executiva assinada pelo presidente Joe Biden na quarta-feira (15) que impõe sanções econômicas a pessoas e entidades ligadas ao tráfico internacional de drogas. No total, 15 organizações e 10 indivíduos entraram na lista do U.S. Treasury por ‘estarem envolvidos em transações que podem contribuir materialmente para a proliferação de drogas ilícitas nos EUA’.

 “O PCC, uma das maiores redes de tráfico de cocaína do mundo, foi a entidade brasileira designada nesta ação. Ele está envolvido principalmente no tráfico de drogas, mas também em lavagem de dinheiro, extorsão, assassinato por aluguel e cobrança de dívidas de drogas. Também atua fora do Brasil em toda a América do Sul e sua presença e rede financeira chega aos EUA, Europa, África e Ásia”, justificou o Tesouro americano em nota.

A ordem determina que todos os bens desses indivíduos ou entidades nos EUA sejam bloqueados imediatamente e reportados ao Office of Foreign Assets Control (OFAC). Os sancionados também estão proibidos de efetuar transações econômicas com cidadãos americanos. Empresas que tiverem qualquer ligação com esses grupos ou que se beneficiam de receita proveniente do tráfico também ficaram impedidas de acessar o sistema financeiro do país.

Em uma carta enviado ao Congresso dos EUA, o presidente Biden relacionou esses grupos criminosos à crise de opioides que o país enfrenta e que levou a morte de mais de 100 mil pessoas por overdose entre abril de 2020 e abril de 2021. “Essa séria ameaça requer que nosso país se modernize e atualize a resposta contra o tráfico”, destacou o democrata. Em 2019, o Departament of Homeland and Security (DHS) já havia incluído pessoas suspeitas de integrarem o PCC a uma lista de organizações inelegíveis a um visto americano. Além do Brasil, há sanções a grupos da Colômbia, China e México.

A embaixada dos EUA em Brasília afirmou que o Palácio do Planalto, a Polícia Federal e o Ministério da Justiça e da Segurança Pública foram informados da medida pelas autoridades norte-americanas.