Brasil fechará 2015 fora das oito maiores economias globais

Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que Itália e Índia ultrapassem o Brasil, prejudicado pela recessão e pela alta do dólar

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DA REDAÇÃO, com Folha de S.Paulo – Devido à recessão e a valorização do dólar, o Brasil vai terminar o ano como a nona maior economia mundial caindo da sétima posição, que ocupa atualmente. A previsão é do FMI (Fundo Monetário Internacional), e as informações, do jornal “Folha de S.Paulo”.

O país não apenas será ultrapassado pela Índia, como o próprio Fundo previa em suas projeções de abril, como também ficará atrás da Itália.

A última vez que o Brasil não ficou entre as oito maiores economias mundiais foi em 2007. Naquele ano, o país tinha o décimo PIB global, mas a crise americana veio logo a seguir, arrastando a economia europeia e derrubando os PIBs de Espanha e Itália, que antes estavam à frente do brasileiro.

Pelos cálculos do FMI, o PIB brasileiro será de $1,8 trilhão neste ano, o menor, em valores correntes, desde 2009. No ano passado, ele ficou em $2,3 trilhões. Quando a o cálculo é feito levando em conta a paridade do poder de compra, o país permanece em sétimo lugar, com 2,84% do PIB global, ante 3,01% em 2014. Na projeção de abril, o FMI estimava que essa participação neste ano seria de 2,90% do PIB. O cálculo da paridade do poder de compra tenta eliminar distorções, criando uma taxa de conversão que reflita adequadamente o custo de vida de cada país.

Em termos per capita, em valores correntes, o país caiu de 61º ($11,6 mil) em 2014 para 70º ($8.802) neste ano. Em paridade do poder de compra, a queda foi menor: de 75º para 77º.

Culpa da crise
O declínio do Brasil no ranking das maiores economias globais deve-se em parte à recessão atual. O Fundo prevê que a economia brasileira vai encolher 3% neste ano, dois pontos percentuais mais que na sua estimativa de abril (quando solta relatório global semestral) e 1,5 ponto percentual mais que na projeção mais recente, de julho.

Outra parte importante deve-se ao dólar, que subiu mais de 50% em relação ao real neste ano, chegando a ultrapassar recentemente a casa dos R$ 4, em meio a tensões externas (expectativa de aumento dos juros nos EUA) e principalmente internas (dificuldades do governo nas suas relações com o Congresso e dúvidas sobre o cumprimento da meta fiscal).

Como os cálculos do FMI para comparação global são feitos em dólar, variações bruscas na cotação da moeda americana têm impacto na medição do PIB de cada país.